A esquerda, seja festiva, sorumbática, “institucional”, tecnocrática, caviar, ou só doida, anda para aí a malhar – como diria um chamado ministro do chamado governo – na “ideologia” que manda na Europa. Ele é o PPE, tenebrosa organização capitaneada pelo senhor “Chôbel”, ele é a conspiração permanente contra os que querem “salvar” os europeus da austeridade, ele é, como diria o Porfírio (poderoso dono da política externa do PS) o sovietismo da direita, ele é o capitalismo internacional apostado em convencer os povos pela fome, numa palavra, o neoliberalismo protofascista que vive da miséria de uns para encher os bolsos de outros.
É por causa disso, reza o coro, que Bruxelas anda a apertar com o parlapatão Costa e o incerto Centeno para que façam as contas de outra maneira. Não, não se trata de as viabilizar, credibilizar, tornar exequíveis, lógicas, dar-lhes um mínimo de perspectiva de futuro. Trata-se de resistir à deriva autoritária da direita, de acabar com os privilégios dos grandes, de redistribuir o dinheiro que foi “tirado” às pessoas, de acabar com a tenebrosa tendência para privatizar a economia em prejuízo do Estado, esse pai de nós todos nós, tão incompreendido pela “ideologia” em vigor.
Pergunta hoje um jornal: “Queres ver que o dr. Costa vai conseguir a quadratura do círculo: repor salários e pensões, reduzir a carga fiscal, ter mais investimento e mais crescimento, e ao mesmo tempo manter a tendência da descida do défice orçamental (agora para 2,4%) e do défice estrutural (agora reduzido em 0,4 pontos)? Queres ver que o dr. Costa consegue agradar aos gregos (sem ofensa para os gregos!) de Bruxelas e aos troianos do Bloco de Esquerda e do PCP?”
Não sei se consegue. Mas sei – haverá quem não saiba? – a monumental desgraça que nos vai acontecer se conseguir. Mais despesa, menos receita e, ao mesmo tempo, menos dívida e menos défice? Estaremos no manicómio? Não, meus senhores, estaremos, agora sim, ao serviço de uma ideologia – a do PC, do BE e do Galamba – que consiste em levar o jogo à glória a fim de, sobre os escombros, construir o “tempo novo”, o tempo do socialismo propriamente dito.
Ideologia pura, sem contas, sem inteligência, sem criatividade, cegueira, é do que vive a nossa esquerda, não a “Europa”. Se é certo que a “Europa” ainda não econtrou, nem se sabe se encontrará, solução para os seus problemas – onde os nossos são detalhe – não deixa por isso de ser certo que dois e dois são quatro. Mais certo ainda é que o Costa e o Centeno, ou não sabem que dois e dois são quatro, ou não se distinguem do Jerónimo e da Martins.
E se a “Europa” vier a aceitar seja que versão for das propostas desta malta, isto é, se o Costa conseguir? É sabido o resultado: mais impostos, mais impostos, mais impostos, investimento nenhum, confiança zero, lixo nos mercados, juros galopantes. Uma questão de meses. Preparem-se.
3.2.16

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