IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


GENTE FINA

Em espampanante demonstração de destreza intelectual, esmerada educação, nobreza de sentimentos, cavalheirismo parlamentar e elevada moral republicana, o senhor Pinto de Sousa, nosso bem-amado primeiro-ministro, achou por bem responder a uma ordinária invectiva do Louça – que lhe disse que estava “a ficar mais manso que de costume” – com a delicada expressão “manso é a tua tia, pá”.

Atente-se na altura deste arroubo de génio. Admire-se a espontaneidade da resposta, a finura do tratamento (por pá), a forma sibilina de inculcar os lésbicos vícios da tia do adversário (“manso” no masculino), a profundidade, a sagacidade que representa a insinuação da bovina, ou vacum, mansidão da família Louça em geral e do Louça em particular, por cromossomática via!

Que maravilha!

Na aristocrática intervenção só faltou a coerência final.

É que, por causa de gesto de natureza semelhante, o célebre senhor tinha, há meses, despedido um dos seus ministros, ainda por cima um dos grandes luminares da economia nacional.

Toda a gente esperaria que, à saída do plenário, o notabilíssimo senhor Pinto de Sousa se tivesse despedido a si próprio, dando à Nação, mais uma vez, a luz da sua inigualável coerência. Coisa que a Nação inteira, prenhe de júbilo, de felicidade e de esperança, reconhecidamente agradeceria.

Não o fez. É pena. Não devia perder oportunidades como esta para calar as vozes críticas que lhe chamam rolha, aldrabão de feira, rei dos rabos-de-palha, patrão dos esqueletos nos roupeiros, etc. etc.

Uma pena.         

 

18.4.10

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “GENTE FINA”

  1. Tanto alarido para quê?Louçã tem uma tia que chama Clotilde Manso.Não percebo tanta virgem ofendida!!!

    1. Tem piada, sim senhor!

    2. Julgava que as tias paternas do Louça se chamavam Louça. E que as paternas se chamvam Neves Anacleto.Mas, enfim, desses meios sabe, com tão familiar detalhe, o meu caro Tecelão. Aliás, se há uma tia Manso, a carroseirada ainda é pior.

  2. Quando éramos pequenos ensinavam-nos a tratar todos educadamente, sem excepção. Até mesmo os mal-educados, não porque estes sejam correctos mas porque compete a nós sê-lo sempre.A sabedoria, o dinheiro, o poder, estatuto, tudo se pode adquirir pela vida fora. A boa educação (que nada tem a ver com classe social ou dinheiro) aprende-se na infância, pelo conselho e exemplo dos pais. Tudo isto são conceitos que soarão como de outra galáxia aos ouvidos do eleito do coração (e urna) do Tecelão. Tal como o inglês que fala, as casas que constrói, os primos que tem – as coisas que diz mostram o pouco que todo ele é e o baixo estrato de onde vem e para onde há-de voltar, porque é lá que ele está bem.O ex-marido da Senhora Fava bem poderá invocar, numa vaidade fátua de quem chegou da parvónia, que é o 6º homem mais bem vestido do Mundo mas já provou ser, sem dúvida, o mais deselegante primeiro-ministro deste regime.Em Dezembro do ano passado soltou um torpe comentário quando se furtava a responder a uma pergunta de Paulo Portas sobre o BPN:“Não tenha esse comportamento nervoso, é um comportamento impróprio. Eu digo-o aos meus filhos e digo-lhe a si, porte-se com juizinho. Não me interrompa, o seu dever é ouvir”.Poucos meses depois tem esta infame atitude.“Respecting ourselves guides our morals, respecting others guides our manners”.Ser civilizado faz toda a diferença na vida de cada qual, mas para quem governe o nosso país a sua importância é infinitamente maior. Dez milhões de vezes.

  3. Em tempo: vale dizer que o adjectivo “manso” pode muito bem e propriamente ser aplicado a pessoas, até como encómio, ainda que na assembleia não tivesse essa acepção elogiosa.O Flos Sanctorum refere muitas vezes a mansidão dos mártires e santos como um exemplo a seguir.Claro que o Zézito só podia atribuir-lhe o sentido pejorativo e faltou-lhe “finesse” para poder redarguir com elevação e até ironia.Também tive uma criada que se ofendia quando dizíamos que parecia espantada, porque achava que o termo apenas se empregava com animais. E quem ficava espantado era eu.Com o menino doirado já nada me espanta – e que remédio tenho eu senão suportar mansamente a sua necedade quase bestial.

    1. “…o menino doirado já nada me espanta,…”!Cuidado com a reacção do… tecelão!

    2. A vossa refinada hipocrisia ainda é pior que a deslavada provocação do Louçã,faz mesmo um tipo sair do sério.Há tempos um deputado do PPD,de que não me recordo do nome,em plena assembleia mandou outro deputado do PS para o caralho,não li aqui uma letra sobre o assunto.Em bom português,manso é ser cabrão sabedor e consentido,Louça sabe-o bem,foi atrevido e provocador,a resposta pecou por curta.Agora vêm os meninos do coro e as virgens desonradas carpirem-se sobre a falta de educaç~ºao de Pinto de Sousa.Ora,vão-se catar,para não ser mais ordinário.Estou farto de falsos moralistas,basta!!!

      1. Sim, senhor, bela catilinária. Mas lá vem a velha verdade: quando falamos sem pensar, mostramos aquilo que pensamos. Os palavrões também servem para isso, para traduzir o que vai na alma de cada um, que se exprime como pode se não sabe fazer melhor.Foi um momento deveras harmonioso neste blog, a escatológica catarse do nosso coprolal Tecelão, digna de ser cinzelada em mármore para gáudio dos vindouros. Mas depois de se silenciar o eco do seu final brado de justiceiro virtual, o que fica?Se alguma daquelas furibundas invectivas com que atroou esta sala comum que visitamos e onde nos conhecemos me eram dirigidas, tanto pior. Pelos vistos, para ele.Se “o tiraram do sério”, fizeram-me sorrir a mim. E é sabido que numa situação polémica a vantagem está sempre do lado daquele que sorri. Houve um deputado que aludiu aos seus genitais em pleno hemiciclo? Não sabia, mas não é propriamente novidade por ali, onde a preocupação geral da maioria deles – em plena crise económica, com centenas de milhares de desempregados – a urgência máxima desses eleitos para legislar se prende com o sexo, sobretudo o anti-natural, que agora é fino nomear de “orientação sexual”, quando melhor seria chamar-lhe “desorientação sexual”.Não é portanto muito estranho que eles se tratem assim, no pleno exercício de mais uma das conquistas de Abril, a liberdade de expressão.São 250 pais da pátria, regendo-se pela ética republicana de se insultarem, ganhar dinheiro com agências de viagens e fazer ponte ao ponto de algumas leis terem sido reprovadas porque a maioria deles foi a banhos, ainda que o livro de presenças aparecesse assinado.Tudo lindezas sobre as quais o Tecelão também não escreveu uma letra. Mas não se pode exigir muito aprumo à soldadesca, afinal homens comandados pelos partidos, que se comportam conforme lhes é exigido, como uma orquestra precisa de um maestro. Já o primeiro-ministro representa o governo, e no estrangeiro representa executivamente o país. Faz a sua diferença. Tem que estar, tanto quanto possível, acima de quaisquer reparos, como um comandante que deseje ser respeitado. Patton dizia que só havia uma espécie de disciplina, a disciplina perfeita. Ser ele mesmo a portar-se como se abancasse numa taberna é aviltar a um nível inconcebível a sua posição de Estado, que ele pelos vistos entende apenas como repoltrear-se de limousine, escoltado a alta velocidade para trocar abraços com os Sarkozys e Zapateros desta vida.Enfim, tudo isto que acima se diz são afinal vacuidades para os ouvidos do irado Tecelão, a julgar por aquilo que ele define como “bom português”. Certamente aprendeu o seu pela selecta literária do PREC, onde pontificava a poesia de Samora Machel, por cortesia do major Vítor Alves, então ministro da Educação e conhecido pedagogo – com os resultados que estão à vista. No Sócrates e no Tecelão.

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