IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


FRUSTRAÇÕES

Aqui há uns anos, um fulano, possuído de indefectível esquerdismo, meteu-se em negócios com o arcediago Louçã, da seita do Beco, e sacou-lhe um lugarzinho no Parlamento Europeu. Depois de lá devidamente instalado, zangou-se com o padrinho e foi expulso do grupo do Beco, mas ficou com o taxito, a fim de se lançar em altas lides políticas. Ninguém sabe, mas teve por lá uma inesquecível actuação. Regressado, resolveu aproveitar a universal e brilhante imagem que tinha ganho, e lançar uma importantíssima organização, a que deu o nome de “Livre”.

Como era de calcular, a nova seita não vendeu nada a ninguém. O arcediago riu-se dele, e a criatura ficou a andar por aí. Como é de uso em casos desesperados, um jornal “de referência” contratou-o para propagandear as suas bocas, perdão, ideias, pelo menos três vezes por semana, tarefa que desempenha com assiduidade, dizem que contra uns tostões, o que é normal. Uma estação de TV, por seu lado, acolhe a sua triste verve, com mais dois artistas e muitos tweets, num programa semanal. Muito bem: é a luta contra o desemprego, nada a criticar. O homem auto-classifica-se como “historiador” e “fundador do Livre”. Faz lembrar aquele tipo que tinha no cartão de visita a designação de “antigo passageiro do paquete Funchal”. Não sei se o nosso historiador já tem historiado por aí, mas quem sou eu para entrar em tão académicas matérias? Quanto à fundação do “Livre”, seja lá isso o que for e se é que ainda existe, diz-se que é verdade. Não contesto.

 

O que me traz é o artigo que o historiador em causa publica hoje no “Público”. Não costumo ter pachorra para ler o que o homem escreve, mas desta vez não resisti. Ainda bem, já que há muito não me escangalhava a rir com tanto gosto. Em tremebunda diatribe, cheia de primárias raivinhas, o indivíduo revolta-se por ver o Dr. Santana Lopes e o seu “Aliança” tratados pelos media com algum destaque ou, como é natural, com mais destaque do que (diz ele) tinham consagrado ao seu bem amado “Livre”. O artigo espraia-se em acerbas crítcas ao líder do “Aliança”, que não tem nada para dizer, que significa zero, que foi toda a vida um zero, enfim uma série da adjectivos raivosos e com pouco sentido, já que, por exemplo, Santana tinha dado ao jornal uma entrevista carregada de ideias e propostas absolutamente novas na pasmada e vil tristeza em que a III República está mergulhada.

Nas almas pobres, a frustração, a desilusão, o falhanço, a inveja, o mau perder e outras qualidades do género são o pasto ideal para baixezas a que só vale o facto de ser ridículas.

Fica o registo.

 

11.2.19



7 respostas a “FRUSTRAÇÕES”

  1. Sempre que a “inveja” vem à baila, já sei que vai ser bom. Não me desiludiu: O COLINHO DE PEDRO SANTANA LOPES Santana Lopes sempre conviveu bem com os vícios da política portuguesa. Planeou e promoveu todo o tipo de jogos de bastidores. Conviveu com o aparelhismo e as maquinações partidárias. Concordou com as nomeações a gente sem capacidade e sem currículo e aceitou as sinecuras de Estado, a começar pelas suas. Nunca se insurgiu contra a forma como são escolhidos os deputados, redigidos os programas ou incumpridos os mandatos. Sabemos que ele vem para acrescentar zero à política portuguesa, porque na verdade nunca deixou de cá estar e jamais acrescentou qualquer novidade, a não ser como entretenimento. Precisamente porque o objetivo de Santana Lopes é acrescentar zero, nada poderia ser mais reconfortante para boa parte do jornalismo português. … É preciso que a história não tenha consequências. Que não afronte interesses estabelecidos. Tudo isto é absolutamente verdade. Verdade, verdadinha, da primeira à última linha. Normal: como dizem os ingleses, it takes one to know one. Nada como um chuleco para reconhecer outro. A argúcia do chuleco Rui Tavares é ainda aguçada por aquilo a que o Irritado chama inveja, mas que é mais despeito. Claro que o Livre dele não teve o colinho da Aliança do Santana; claro que isso lhe dói. Sobre o jornalismo tuga, outra verdade: claro que os jornais só enchem chouriço. Ninguém investiga nada; ninguém questiona ninguém. O tachista Tavares bem o sabe. E sabe – oh se sabe! – quando outros tachistas querem tacho.

    1. De acordo em substituir inveja por despeito.Quanto ao resto, em total desacordo, mas não vale a pena explicar porquê.

  2. Fui entretanto descobrir as ‘propostas’ do mestre Santana. Logo à cabeça, seguro de saúde para todos. Ah, leão! «Todos devem ter o seu seguro de saúde porque é insustentável que só os ricos possam escolher entre o serviço público e o serviço privado». Só os ricos? Estranho. No Hospital da Luz ou na CUF vêem-se resmas de classe média, média baixa e até remediada. Nas urgências dos Lusíadas já vi esperar quase cinco horas. Algum rico tolerava isso? Um em quatro portugueses tem seguro de saúde. Há então 2.5 milhões de ricos em Portugal? Eis a verdade, e eis a reles demagogia do Sr. Santana. Claro que os mamões da saúde não querem só os ricos; querem toda a gente. Querem que a norma seja ter seguro de saúde, tal como já quase é. Assim mamam de todos. Os ricos continuarão a ter o verdadeiro luxo privado, longe da ralé. E a ralé vai-se acotovelando nos privados ‘normais’, que parecem cada vez mais públicos – porque estão cada vez mais cheios. Com isto não vamos pagar um cêntimo menos de impostos; passamos é a subsidiar a mama privada além da pública. Por trás da generosa proposta Santanista está a generosidade do Estado – para os privados. Estes mamam a dobrar, nos clientes e no Estado. A habitual ‘festa’ PPP, com outra máscara. Quanto mais pagamos a privados, menos há para o público, que é de todos. Mais médicos mercenários irão do público para o privado. E assim se perpetua a saúde-negócio, que devia estar a mais numa sociedade civilizada.

    1. Realmente, substituir as esperas no público por esperas no privado, não vale a pena. Deve ser por isso que o privado cresce, investe, melhora, afronta o miserável ambiente ideológico em que vivemos. Dirá você que, do que se passa, cada um vê o que quer ver. Pior será não ver coisa nenhuma. É a vida.

      1. Ser contra a saúde privada é ideológico? Ser contra o trabalho infantil é também ideológico. Embora renda umas massas, e embora interfira na ‘liberdade de escolha’: quem quiser pôr o filho de 10 anos a bulir numa fábrica não pode. O Estado não deixa. Direitos e regulamentos hoje básicos não existiam; tiveram de ser impostos ao capitalismo. Eram esquerdices. Na altura, certa gente também se queixou dos ‘ideólogos’. Onde já se viu, ir contra o mercado? Se o privado cresce e investe, é para ter lucro. Para ganhar mais dinheiro. Quem ler o Irritado ainda pensa que é pela saúde das pessoas.

  3. Este Livre é tão bom tão bom que nem para o Bloco de Esterco serviu.Faz parte de uma “elite” de comentadores de trampa a que se pode juntar o Pedro Marques Lopes, o Daniel Oliveira e uns tantos mais a quem as “elites” da comunicação social-fascista dá guarida.Vão morrer tristes e frustrados e eu gosto.

    1. Avatar de Antonio Maria Lamas
      Antonio Maria Lamas

      Não sou anónimo.António Maria Lamas

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