IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


FEITOS AO BIFE

 

Numa pequena local, hoje publicada, leio: “O banco central da Irlanda recomendou ao governo… que é apoiado por uma coligação entre conservadores e trabalhistas, que mantenha o ‘rumo da sua política de austeridade’ nos próximos dois anos através do corte de 5.100 milhões de euros”.

 

A Irlanda, tida por grande triunfadora dos “programas de ajustamento” é, em termos dimensionais e populacionais, cerca de metade de Portugal. Não se vê, nem ouve falar, em guerrilhas contra o corte de 5.100 milhões em dois anos, como não se ouviu nenhum sururu quando, por exemplo, à cabeça, o Estado cortou os salários públicos em 15 por cento. Nem se vê que uma coligação conservadora/trabalhista tenha qualquer dificuldade por causa disso.

 

Por cá, é o que se sabe. Acordo para negociar alívios com a troica, nem pensar! Um corte de 4.500 milhões, jamais! Acabar com o governo, já! Estabilidade, uma gaita! “Salvação nacional” – uma expressão idiota-, não queriam mais nada?

 

É nisto que vivemos. Enquanto alguém inteligente e sério não tomar conta do PS, estamos feitos ao bife.

 

27.7.13

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “FEITOS AO BIFE”

  1. A Irlanda é realmente metade de Portugal, em tamanho e em população, mas é também a sede fiscal de inúmeras empresas americanas na Europa – falando apenas da minha área, Google, Apple, Facebook, Twitter, LinkedIn, IBM, etc. a nata tecnológica está toda lá. Porquê? Porque pagam menos impostos, e porque até fica mais perto das verdadeiras sedes, na América. Aquilo de que ninguém fala, é que saem todos os meses MILHÕES de euros de Portugal para a Irlanda, sobretudo através do Google. Quando se pesquisa algo no Google em Portugal, seja o que for, aparecem anúncios pagos: cada clique neste anúncios custa cêntimos ou euros a empresas portuguesas, que vão parar aos cofres do Google na Irlanda. Como o serviço é prestado na Irlanda, o Google não cobra IVA; e o valor pago ao Google é abatido ao IRC das empresas, i.e. o Estado Português não vê um tostão. E quem diz Portugal, diz muitos outros países europeus. A cereja em cima do bolo é que o próprio Google (e Apple, e Facebook, etc.) até fogem ao fisco na Irlanda, tal como fogem na América: são milhares de milhões que apenas engrossam as fortunas de uma dúzia de MAMÕES, graças às leis feitas por pulhíticos comprados, por pessoas doutrinadas nas Harvards e INSEADs da vida, gentilmente patrocinadas pela BANCA, e apoiadas por pessoas como o Irritado. ———————— Mas ainda assim, a Irlanda foi abaixo – e porquê? Pelo mesmo motivo que a Islândia: a CANALHA DA BANCA conseguiu abusar do dinheiro irreal e da fantasia dos “mercados” a um ponto em que nem o semi-offshore irlandês podia cobrir tanta chulice banqueira, e tanto dinheiro inventado do ar. Vai daí, venha a austeridade. Mas jamais para os MAMÕES. Jamais para a BANCA. É preciso manter o actual sistema, custe o que custar.

    1. Terá v. toda a razão. Não sei nada do assunto, nem percebo como funciona o Google e outros que tais.O objectivo do post era mostrar como é diferente a reacção política às mesmas coisas, indispensáveis a alguma solução. Dirá v. que não há solução enquanto o “sistema” for o que é. Talvez tenha, mais uma vez, razão. Mas, se continuamos a esbracejar, passamos por cima, ou por baixo, daquilo que temos que fazer. Talvez a sua mais ou menos policial solução seja, um dia, possível, e o “sistema” mude. Até lá, o que tem que ser tem muita força, coisa que os irlandeses percebem. Por cá…

      1. A questão é que «esbracejar», como lhe chama, é a única reacção lógica possível. Imagine que um tipo lhe pede ajuda para esvaziar o oceano com um balde. Você provavelmente sugere-lhe que consulte um psiquiatra. Mas ele, sem se deter, diz assim: com duas pessoas, a tarefa vai duas vezes mais depressa! Ora, isto é verdade – mas não deixa de ser uma loucura. Assim é ouvir quem defende esta solução ruinosa para a crise, mantendo tudo igual no sistema monetário, na Banca, nos offshores, nos “mercados”, etc. Uma discussão nestes termos é como discutir quantos mais baldes serão precisos para esvaziar o Atlântico. É uma conversa de doidos. Na prática, o que está a dizer é que devemos reduzir o Estado, vender os activos estatais, empobrecer a população, e rebentar com o que resta da economia, para podermos continuar a endividar-nos… e a encher MAMÕES. Resta saber como vai pagar as dívidas actuais e futuras, mais os juros… que irão forçosamente subir, pois o país ficará ainda mais pobre, graças a esta brilhante solução.

  2. Por cá até se podia cortar muito mais. Nomeadamente nas pensões. O pior é que somos governados por pensionistas e muitos comentadores políticos são pensionistas… Ah! e também porque é inconstitucional ou lá o que é…

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