Desde tenra idade, foi o autor do IRRITADO convencido, por pessoas mais velhas em que acreditava, da monumental desgraça ecológica e económica que a disseminação do eucalipto representava.
Árvore que não inspira poetas nem postais ilustrados, o pobre eucalipto era acusado dos mais nefandos crimes. À sua volta nada nascia. As avezinhas não frequentam eucaliptais. Sugando água e nutrientes em demasia, o eucalipto dá cabo dos solos, que ficam irremediavelmente estéreis. Uma desgraça completa.
Sendo o eucalipto usado para a pasta de papel, as celuloses entravam na lista dos malefícios. Poluentes, mal cheirosas, as fábricas deviam fechar. Além disso, estavam inseridas num processo multinacional destinado por capitalistas e monopolistas a sugar as gentes. Só horrores.
Nisto tudo, só era verdade o mau cheiro e a poluição. Nos idos de 80, apareceu quem trabalhasse para a limpeza das celuloses. Novos filtros foram inventados e, ainda que enfrentando resistências da indústria, acabaram por fazer o seu caminho. Hoje, se tais males ainda algures subsistirem será mais por falta de vigilância que por escassez de meios para os combater. Posto isto, num país que parece não ter outra saída senão a produção dos tão proclamados bens transaccionáveis, não faz qualquer sentido que seja quem for continue a lutar contra o “flagelo”.
O IRRITADO conhece vários agrifcultores que tiveram eucaliptais e que, por diversas razões, deixaram de os ter. Unanimemente, garantem que a terra não perdeu nada do seu potencial anterior. O propagandeado desastre ecológico que o eucalipto causava era simplemente mentira. O país perdeu anos e milhões de toneladas de pasta de papel exportável por causa dos ferozes “eco-cientistas” políticos. Parece que estes estão agora mais calados, mas nunca deram o braço a torcer.
Vem isto a propósito de uma notícia dos jornais que diz que o eucalipto, nas nossas florestas, já ultrapassou o pinheiro. Ainda bem. A fúria e a influência dos ecologistas políticos tem causado ao país enormes prejuízos. Parece que, desta vez, não ganharam.
1.2.13
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário