IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EMIGRAÇÃO

 

Em tempos idos, os professores dos liceus eram licenciados que faziam umas cadeiras a mais, as chamadas “pedagógicas”. As licenciaturas, por seu lado, eram, no mínimo, de 4 anos.

A chamada democratização do ensino trouxe ao universo escolar, e ainda bem, muito mais alunos. Isto obrigou a recrutar professores de forma mais expedita. As licenciaturas passaram a ser mais curtas e a poder ser interrompidas ao fim de dois anos, seguindo-se uma coisa a que, salvo erro, se deu o nome de “via do ensino”. A preparação para a universidade, por seu lado perdeu qualidade e, em consequência, também os cursos. Uma verdadeira diarreia de opções inundou o ensino universitário, muitas delas totalmente desfasadas de qualquer lógica e de qualquer futuro ou empregabilidade. O sistema, pela negativa, perdeu qualidade. Pela positiva, muito aumentou a literacia.

  

Depois, do numerus clausus de há uns anos, passou-se rapidamente à carência, não de oferta, mas de procura de ensino.

As consequências da evolução dos costumes, potenciada pelo Estado com a facilitação do divórcio, a não necessidade de registo das uniões, os incentivos ao aborto e tantas outras “medidas”, bem como a desvalorização do conceito de família levada a extremos da mais radical insensatez, contribuíram para inchar a tendência egoísta dos tempos modernos e a irresponsabilidade social galopante, pondo a procriação em plano menor.

Passadas quase duas décadas deste tipo de políticas e de ideias “modernistas”, as suas consequências fazem-se sentir com brutalidade. A procura de ensino emagrece todos os dias. Se não há procura, para que servem tantos professores, tantos funcionários, tantas escolas – incluindo as fruto das loucuras do último governo. Para que serve um sistema dimensionado para uma sociedade que já não existe?

 

Vem isto a propósito das declarações do Primeiro-Ministro sobre o futuro sombrio dos professores desnecessários. Mais ou menos assim: reciclem-se ou emigrem, não faltam ofertas de emprego nos países em crescimento demográfico. À primeira vista, parece que Passos Coelho está a correr com as pessoas, a confessar algum falhanço, a desrespeitar os cidadãos e o país, que é o que por aí se badala. Não está. Está a ser realista, a dar um sinal de bom senso, a apontar um caminho, a dar bons conselhos, a dizer a verdade, por dura que ela seja. O que podem fazer pessoas de cultura média e muitas vezes indiferenciada ao ponto de não ser útil a ninguém em Portugal? Têm que procurar mercados onde as suas aptidões tenham procura. Se tiverem coragem, diga-se sem crueldade nem desprezo, acabam por agradecer à crise o êxito na vida, como tem acontecido com tantos milhões de portugueses.

É pena? Claro que é. É duro? Evidentemente.

Mas não se pode, ou não se devia poder, levar a mal que o PM diga a verdade ou aponte soluções.

Não foi ele quem criou a situação. É ele quem está a tentar ultrapassá-la.

 

19.12.11

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “EMIGRAÇÃO”

  1. Um rapazola que assentou praça na J do PPD,filho da classe média,que nunca fez a ponta de um corno,tirou um curso de economia marado aos quasi 40 anos,depois foi gerir(?)empresas de lixo do seu padrinho politico.Vem com toda a desfaçatez dizer a pessoas mais qualificadas que ele,mas mais honestas,porquanto não foram para a politiquice.Emigrem,aqui não há lugar para vocês!Só há lugar para parasitas como eu,que nunca fizeram nada de util na vida, mas devido a circunstâncias várias fui guindado a esta posição.Há mérito?Por certo que há.É o mesmo mérito que levou Barroso para a UE.Paus mandados.A história se encarregará de fazer cair a máscara a estes pulhas!!!

    1. pois…o Sócrates é que era licenciado…não era? e ao Domingo…parece que os serviços abriram só para ele…ah…o que vale ser ministro…

  2. O nosso PM e o Irritado têm razão, há professores a mais. Logo, das duas uma: ou mudam de profissão, ou vão ensinar para outro lado. Só que, esqueceu-se o nosso PM de mencionar, isto também não está famoso para as outras profissões, nem para empresários, nem para profissionais liberais. A recessão e o assalto fiscal não tem fim à vista, as falências e o desemprego batem recordes, etc. Logo, resta aos professores emigrar. Emigrar para onde? O Irritado sugere «os países em crescimento demográfico». Segundo as Nações Unidas, os 20 primeiros são: a Libéria; o Burundi; o Afeganistão; o Saara Ocidental; Timor Leste; o Níger; a Eritreia; o Uganda; o Congo; a Palestina; a Jordânia; o Benim; o Mali; a Guiné-Bissau; o Iémen; a Somália; o Burkina Faso; o Chade; os Emiratos Árabes; Angola. Temos assim várias excitantes possibilidades, das quais destaco o Burkina Faso, por ser o país com a menor taxa de literacia do Mundo. Facilmente se imagina o sucesso que os nossos profs terão por lá. Ou então, Angola – se a Mota-Engil, o Sr. Vara e o Sr. Mira Amaral se deram tão bem, por que não hão-de os professores conseguir o mesmo? ———————– Restam algumas questões menores: QUEM deixou a situação chegar a este ponto? Quem esteve no Governo? Quem tutelou a Educação? Quem permitiu o regabofe das universidades, dos cursos, dos programas escolares, das carreiras, todo este absurdo? Resposta: a culpa é dos professores. Jamais dos políticos. Aliás, vendo o CV de boa parte da nossa classe política, incluindo o PM actual e o anterior, percebemos como certas universidades e certos cursos foram muito úteis. Nova falha dos professores: tendo canudo, deviam ter seguido a política. Ganhariam bem mais, não teriam avaliação de qualquer espécie, teriam «direitos adquiridos» vitalícios, e hoje não seriam enviados para o Burkina Faso. Ou para o diabo que os carregue.

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