O senhor Sérgio Vieira, ilustre membro da Frelimo (lembram-se dele, em Lisboa, há muitos anos?) teve a brilhante ideia de vir a terreiro acusar os EUA e o Reino Unido de estar por trás, ou seja, de estar ao corrente do “assassínio” do senhor Samora Machel.
O raciocínio deste conhecido feroz inimigo de Portugal e do Ocidente é, como sempre, de alta qualidade. Diz ele que a prova do que afirma é o facto de, nem americanos nem britânicos terem participado no inquérito que se sucedeu ao desastre aéreo (ou ao atentado) que vitimou o presidente. Os respectivos embaixadores terão tido, aliás, a delicadeza de lhe telefonar para o informar da decisão de não fazer parte da comissão de inquérito. Mais. Opina o mesmo indivíduo que, se nenhum dignitário da Frelimo, a começar pelo próprio, quis acompanhar Samora Machel na sua última viagem, isso não se deve a nada de especial. Quem desconfia das razões de tal e tão estranha ausência está, na opinião do ilustre político, a “especular”.
É extraordinário como, tantos anos passados, o senhor Vieira ainda sente necessidade de lançar suspeitas sobre os países ocidentais (vá lá, não nos meteu no mesmo saco!) de cumplicidade em alegados crimes.
À altura, toda a gente pensou que, andando Samora Machel em grave fase de “pluralismo”, a querer abrir Moçambique ao mundo, o mais provável era ter sido o KGB a pôr a bomba no avião, se é que houve alguma bomba. Décadas depois, ainda o ideólogo da Frelimo anda, coitado, preocupado em limpar tais suspeitas, não achando nada melhor que insinuá-las sobre terceiros criteriosamente escolhidos, usando argumentos, esses sim, especulativos, para não dizer estúpidos.
Isto da fé soviética, no senhor Vieira como no camarada Jerónimo e quejandos, é doença incurável.
António Borges de Carvalho

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