IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO MAU FUNCIONAMENTO DA ESPINHA

O ilustre professor Freitas, jovem oriundo das profundezas do Estado Novo, putativo herdeiro de Marcelo Caetano, adaptou-se, e bem, aos usos, costumes e princípios da democracia liberal. Emérito fundador do CDS, arrostou com a fúria da esquerda totalitária e castrense, conseguindo pôr de pé um partido democrata-cristão. Muito bem. A atmosfera esquerdizante da nossa política, que ainda perdura, acabou por colocar tal partido num imerecido extremo da direita parlamentar. Mas, não havendo outro… que remédio. Mais tarde, representou a direita e o centro numa candidatura presidencial que havia de soçobrar à segunda volta, após uma histórica saraivada de soezes insinuações e de insultos que o seu rival, Mário Soares, não teve pejo em roncar. Não falo aqui dos tempos da AD, guardando-os para outra altura.

A dinâmica da candidatura presidencial perdeu-se rapidamente. O professor encetou então uma longa, mas rápida, viagem. Começou, perante o espanto e a indignação dos que nele tinham acreditado, por transformar Soares num amigo do peito, um íntimo, um farol. Depois, entre muitas outras etapas, levou à cena uma peça sobre Caetano que, pela indignidade, causou arrepios a toda a gente, à direita e à esquerda. A viagem prosseguiu, tomando velocidade de cruzeiro com inúmeros episódios que não valerá a pena referir. Até que viemos dar com ele no governo socialista do senhor Pinto de Sousa. Parece que o facto de ter criado o CDS o convenceu de que lhe era legítimo assassiná-lo e, de caminho, o PSD. Não o conseguiu, nem conseguirá, espero.

 

Mas continua a fazer os possíveis. Em mais uma palinódia televisiva veio declarar que o ano de 2016 acabou muito bem, que é só boas notícias e que qualquer pessoa com “um mínimo de patriotismo” “não pode deixar de (as) reconhecer”: (aqui, descobri que não sou patriota, nem minimamente). A TSU foi uma “ferida” nas partes da coligação, já que o PSD “vendeu a alma ao diabo”, uma vez que quer eleições antecipadas(!!!???), que perderá. O PSD “não separa questões menores do que é o interesse do país”. O PC eo BE, esses são coerentes e  devem continuar a sê-lo, com o cuidado, é claro, de “esticar sem quebrar”, já que a continuidade da geringonça é indispensável. Esperançoso, informa a plebe que o acordo das esquerdas está longe de estar esgotado, porque há “mais temas para a convergência de esquerda”, o que nos dá a ideia do “patriotismo” do homem. E, ó bem-aventurança, o PS sobe nas sondagens!

 

E muito mais disse, tudo assaz esclarecedor sobre a viagem da criatura, sem tormentos nem escolhos. E sem escrúpulos. Não há ortopedista que valha a tal espinha.

 

4.2.17



7 respostas a “DO MAU FUNCIONAMENTO DA ESPINHA”

  1. Pois, Irritado, o chuleco Freitas é um traidor esquerdalha e tal. Que chatice. Entretanto… PREÇO DA LUZ AUMENTOU 80% «O Governo iniciou uma investigação aos preços no sector da electricidade, depois do aumento verificado em Janeiro. O CM nota que o preço no mercado ibérico da energia (MIBEL) aumentou cerca de 80% – OITENTA POR CENTO – passando dos 51 Euros/MWh para os 92 Euros. Os consumidores ainda não sentiram o aumento, mas deverão senti-lo na próxima factura. A ERSE está assim a apurar se há motivos técnicos que justifiquem este aumento das tarifas, ou se se trata de especulação pura. Em Espanha, o Ministro da Energia, Álvaro Nadal, também pediu uma investigação».Não é bom ser tudo privado? Não é bonito ver o capitalismo a funcionar?

    1. É sim senhor. O mal não está em ser privado, nem no capitalismo. Está na tal ERSE que, como o Estado em geral, ou não funciona ou deixa passar tudo. O Estado, como é um agente económico como outro qualquer, não tem autoridade nem está preparado para avaliar o que é mercado e o que é especulação e abuso. Ninguém é bom juiz em causa própria.De resto, propriedade pública é sempre ruinosa. veja o que se passa como as empresas públicas, os hospitais de gestão pública, as escolas públicas, os transportes, etc.

      1. Ou seja, a culpa do assalto é do polícia? Sim, a ERSE e a “Autoridade da Concorrência” são palhaçada; e porquê? Quem as gere? Quem faz as leis, quem delimita poderes? Quem correu com o Álvaro, o único ministro sério, porque o Mamão Mexia mandou?O seu lado consegue ser ainda mais cego que os comunas: somos enrabados a sangue-frio pelo Mexia (ou pela Banca, ou pelos Bavas da vida), e vocês aplaudem… ou culpam o Estado!

  2. Capitalismo? Concorrência? Mobilidade do capital e do trabalho. Destruição dos povos e suas classes médias. A primavera está chegando aos EUA!

    1. Nem por acaso, Sr. Picaroto, o Guardian traz hoje um espantoso artigo a defender o Trump. É espantoso por ser extremamente raro: o Guardian é provavelmente, entre todos os media, o mais histérico crítico de Trump. Só ainda não lhe chamou o Anticristo, mas já andou muito perto. E que diz o artigo? O óbvio: o Trump pode ser trampa, mas foi eleito porque a alternativa era mais do mesmo. E mais do mesmo só interessa a duas classes: 1) a dos mamões; 2) a dos carneiros urbanos que ainda se sentem beneficiários da “globalização”. A 2ª é a carneirada das manifs, das redes sociais, do politicamente correcto e do consumo acéfalo do que nos impingem. Desde que tenham muitas “apps” e “causas” para apoiar, está tudo bem. É o típico eleitor da Hillary. A 1ª é, ironicamente, a do próprio Trump. Mas a carneirada do outro lado não se importa: está por tudo. Na realidade, Trump também é mais do mesmo. Mais mama. Só que cuspiu no politicamente correcto, e nenhum fantoche pulhítico tem essa coragem. Nem nos EUA, nem na Europa. Para isto mudar, mudar realmente, é preciso acabar com os mamões. São eles o problema nº 1. Desde que há Humanidade.

  3. O mal está na ausência da autoridade, do direito e do justo. As regras europeias para os países são só para alguns.As regras dos paises para aqueles que neles habitam também são só para alguns.É difícil encontrar um só analista que seja capaz de ajuizar sobre as regras e o seu cumprimento.

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