IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO ESTATAL COMPLICÓMETRO

Sabem os que me lêem que não tenho por hábito referir casos pessoais. No entanto, para o efeito deste post, refiro-me a casos que me têm sucedido e que, para mim, representam a generalidade do que acontece a toda a gente, todos os dias.

Só para dar dois exemplos frescos:

  • Dirigi uma carta à CGA em Maio passado. Três meses depois, após perder duas manhãs com o papelinho na mão, fui atendido por uma funcionária a quem perguntei o que era feito da minha carta. A atenta mulher mergulhou no computador e, passados minutos, declarou: “a sua carta está em apreciação”. Perguntada sobre quais seriam as perpectivas para uma resposta, respondeu, prenhe de gozo, que não fazia a menor ideia, nem tinha acesso a tal informação. Perguntada sobre quem a teria, ou com quem deveria falar, respondeu que a ninguém. “Tem que esperar”, declarou, felicíssima. Resultado: 7 meses depois, nada. A carta lá anda, se ainda não foi para o lixo.
  • Os rapazes da EMEL aplicaram-me duas multas por estacionamento indevido, em local perfeitamente legal. É que, dois dias depois de eu ter estacionado, puzeram, sem qualquer aviso, que o lugar, a somar às dezenas dos já roubados aos moradores da zona, tinha sido atribuído a “Sharing”, seja lá isso o que for. Peguei nas multas e dirigi-me à EMEL/CML. Depois das horas regulamentares com o papelinho na mão, fui recebido em audiência por uma criatura toda fataça que, perante o caso, declarou: não tenho competência, faça uma exposição por escrito, ou vá ao site das reclamações. Perguntei à fulana para que é que ela servia. Respondeu indignada que “para muita coisa, mas não para isso”. É claro que o tal site é de tal maneira rebuscado que será preciso tirar um Curso de Burocratologia Avançada para conseguir seja o que for, o que garante que a reclamação jamais será atendida.

Milhares de portugueses enfrentam situações deste tipo, todos os dias, a todas as horas. Os funcionários encarregados do “atendimento personalizado” não têm a mais leve sombra autoridade ou competência para resolver seja que situação for que não esteja à mão no computador que as autoridades lhes fornecem. E ficam muito felizes com isso, com as 35 horas e com os aumentos. Chatices é que não!

Algum desses tipos que andam para aí a fazer estatísticas – há-os aos pontapés – poderiam fazer as contas às horas inúteis, perdidas por funcionários e por cidadãos nestas andanças. Serão milhões e milhões. As autoridades, que passam a vida a falar das “pessoas”, desprezam-nas olimpicamente, e com requintes de malvadez.

Uma justa excepção para os funcionários das finanças. Esses têm largas competências para lixar a vida de cada um. O seu gozo é resolver os casos, desde que seja para sacar mais uns cobres. Se for para devolver algum, aí, pague e depois reclame pelas vias administrativas e judiciais disponíveis.

A burocracia “social” terá cura? Não tem. Ficaremos eternamente à espera da “reforma do Estado”, coisa que, até ver, só tem servido para transformar em complicadex aquilo a que chamam simplex.

 

13.11.19    



Uma resposta a “DO ESTATAL COMPLICÓMETRO”

  1. Tem toda a razão sobre a burocracia estatal, a chulice instituída, o relaxe e a sacanice de muitos funcionários públicos. Recordo apenas que não é só no Estado: também somos assim tratados pelas grandes empresas – pelos mamões. E v. também já o constatou e aqui o narrou, se bem se lembra, num episódio com a EDP. Vemos assim que não é tanto por ser público ou privado: a partir de certa dimensão, ambos tratam os clientes/utentes abaixo de cão. E ambos se safam, pois não há alternativa. O Estado é o Estado, e os mamões são todos assim. Se não atura a EDP, terá de aturar a Iberdrola. Se não é chulado pela PT (agora Altice), sê-lo-á pela NOS ou pela Vodafone. É tudo parecido. O que conclui daqui, Irritado? Eu concluo: small is beautiful. Crescer por crescer, já dizia alguém, é a filosofia do cancro.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *