IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO DESMESURADO PODER DA GERINGONÇA

Não haverá quem não saiba das “diligências” do senhor Pinto de Sousa, vulgo engenheiro Sócrates, para o domínio dos chamados órgãos de comunicação social. Está provado, como estão provados os métodos, manobras, influências, insultos, etc., que eram apanágio da política de “informação” da criatura.

Mais subtil, o seu sucessor espiritual, conhecido por Costa, usa aquilo a que se pode chamar política de ocupação, isto é, à semelhança de Sua Excelência do Costume, tem tantas, tão bem preparadas, tão bem divulgadas presenças em tudo o que é sítio, que não deixa espaço para coisa que não sirva de propaganda. O que, estranhamente ou nem por isso, é aproveitado para as actividades de corta e cola da generalidade dos media, incapazes de distinguir um passeio a Cacilhas de um novo imposto.

Resta uma meia dúzia de resistentes, que lá se vão arrastando até que o camartelo da geringonça lhes caia em cima.

Um bom exemplo foi trazido à estampa por Vasco Pulido Valente. Anunciou ele, para mim em primeira mão, que o mais inteligente e menos geringonço de todos os comentadores, Alberto Gonçalves, foi corrido do Diário de Notícias. VPC, no “Observador”, deu largas à sua indignação. Eu não quis acreditar. Não era possível! Esperei até hoje, para ver se era verdade. Era! Pela primeira vez desde há muito, não havia Alberto Gonçalves no DN, ao Domingo. É o “pluralismo” da imprensa à moda cá do sítio. Lá se vai admitindo um ou outro crítico do social-comunismo vigente, desde que dentro dos limites que a veneração da geringonça admite.

O despedimento de Alberto Gonçalves é a censura na sua mais repugnante expressão, a censura disfarçada, mascarada, sem imagem pública nem lápis azul, mas actuante e eficaz. Assim se priva os leitores da mais acutilante, inteligente, bem humorada, certeira, bem escrita crítica política de que há memória desde Ramalho Ortigão.

Assim vai a geringonça demonstrando o seu poder. Assim vão homens como Paulo Baldaia (quem havia de dizer?) cedendo, servis, às exigências do poder instalado, a que há quem chame governo.

 

15.1.17



Uma resposta a “DO DESMESURADO PODER DA GERINGONÇA”

  1. Foi o melhor que podia ter acontecido ao Gonçalves: sai de um jornal secundário, quase falido, com o estatuto de mártir da liberdade de expressão. Foi mais falado pelo despedimento, se é que foi despedido, do que em anos de crónicas. Pode ser o trampolim que faltava para um cargo de comentadeiro-mor, ou até um tacho, se a pseudo-direita voltar ao poleiro e ele se deixar corromper.E será realmente a «mais acutilante, inteligente, bem humorada, certeira, bem escrita crítica política de que há memória»? Estou à vontade para concordar: ao contrário do Irritado, sempre gostei de ler o Gonçalves. Quem nos dera ter mais como ele, que escrevessem tantas verdades e tão bem.O Gonçalves só tem um problema: mesmo descontando certo exagero deliberado, para ser mais polémico, parece genuinamente rendido à canalha americana, a Israel e – o que é pior – aos mamões deste mundo.O Irritado ainda concede alguns falhanços da chamada direita. O Gonçalves não. Nunca lhe li a menor concessão. Para o Gonçalves, quem mama é forçosamente bom e merece herdar a Terra.

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