IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DINHEIRINHO

 

Não sepercebe lá muito bem, nem lá muito mal, esta história da nova lei do financiamento dos partidos políticos.

Espremido o limão, ficam algumas conclusões óbvias:

  • O PC quer “interiorizar” as receitas da feira do “Avante!” e de outras pessegadas do género.
  • O PS quer livrar-se dos processos com que a autoridade tributária o persegue e, pelo caminho, ganhar algum.
  • O inexistente PEV vai atrás do PC como é seu dever de sócio fantasma.
  • O PAN não interessa, porque é só parvo.
  • O BE deve querer vender bilhetes para o acampamento, ou para as manifestações do orgulho LGBTREXPS+.
  • O PSD não tem cabeça, espera por melhores dias. Ou piores, se o Rio ganhar.
  • O CDS quer aproveitar a ocasião para aparecer, santo, impoluto e honradíssimo, nos jornais.  

Não me choca (é só fogo de vista dos media) que tenha havido reuniões de um “grupo de trabalho” informal sobre o assunto, com a desculpa de haver umas “recomendações” do Tribunal Constitucional, que quer dinheiro para pagar a mais contabilistas fiscalizadores. Aliás, o “consenso” foi levado à comissão encarregada do assunto, o que colmata a informalidade.

Não direi o mesmo da presença, também informal, do Presidente do TC, no “grupo de trabalho”. Devia reservar-se, escudando-se com útilíssimas formalidades. Mas as formalidades estão por baixo, como o provam os fulanos que vão a cerimónias oficiais na Presidência sem gravata, e os deixam lá entrar.    

E também me choca o aproveitamento que os deputados fazem das tais recomendações do TC para tratar de outros “pormenores”, como o perdão do IVA (com efeitos retroactivos!!!), ou a cobrança de bilhetes em ajuntamentos de propaganda pardidária.

De resto, convenhamos (escandalosamente) que os partidos políticos deviam ser autorizados a aceitar dinheiro das pessoas, desde que devidamente identificadas, como acontece com inúmeros peditórios “solidários” em que são passados recibos utilizáveis em sede de IRS. Se não querem que haja dinheiro por baixo da mesa, o que acho muito bem, então que o ponham por cima. Explico outro caso: a empresa A ou o senhor B dão um milhão ao partido X. Se toda a gente souber que o deram, a empresa A ou o senhor B ver-se-ão gregos para fazer negócios com o Estado, sobretudo se o partido que financiaram estiver no poder ou perto dele. Se os dinheiros fossem transparentes haveria empresas ou milionários a financiar os partidos? Duvido. Mas, nesta matéria, moita carrasco, deixa como está, por causa de óvbvias conveniências.

O senhor de Belém, mesmo correndo o risco de que o colem ao CDS, vai vetar a lei. Outra coisa não é de esperar, se atentarmos no facto de ser, publicamente, contrário a subvenções não estatais, o que parece não estar mal, embora desproteja os que mais precisam em favor dos que têm mais dinheiro. A ver vamos onde vai acabar este desinteressante assunto.

 

*

 

ET., às 21,30.  Quando escrevi este post, logo de manhã, não sabia o que vinha a seguir. Agora que os telejornais transmitiram as opiniões dos partidos, fartei-me de rir. O PC e o BE trataram de sacudir a água do capote. O primeiro declarou que, se lhe derem o taco dos bailaricos, tudo bem, paga o IVA. O BE é mais complicado: assinou, nas não devia ter assinado, isto é, concordou, mas, dadas as reacções, desassinou, a fim de tirar o cavalinho da chva. Lindo. Hihi.

 

27.12.17     



4 respostas a “DINHEIRINHO”

  1. «Não me choca que tenha havido reuniões de um “grupo de trabalho” informal sobre o assunto»… É natural que não o choque; pouco parece chocá-lo neste sórdido arranjinho de pulhas. Também não o choca, claro, que os contribuintes paguem esta cascata de trampa sem jamais serem consultados. O PSD, o partido com mais deputedos, só lhe merece uma breve linha, fresca e inócua, como também é habitual. Só concordamos no CDS: o partido do Jacinto Leite Capelo Rego a fazer-se de virgem… só não rimos porque o vómito não deixa. Eis uma ideia radical: e se os partidos não forem financiados, ponto final? Por que raio hão-de ter imóveis e carros e tachos e milhões para torrar em publicidade tipo detergente ou pasta de dentes? Que raio tem isso a ver com democracia? E se passarem a viver com uma verba exígua, estatal, baseada nos seus resultados? Não é nos votos; é no que fazem com os votos. E se forem obrigados a usar essa verba para esclarecer os cidadãos, em vez de os inundar com diarreia pulhítica e demagógica? Era giro, não era? Uma vez que isso não é possível numa Partidocracia, e uma vez que o Sr. Häyhä já não está disponível (faleceu em 2002), eis a questão realmente importante: acha que a Noruega nos empresta o Breivik, para o deixarmos à solta no Paralamento?

    1. Brilhante comentário. Parabéns.

  2. Notícia de hoje no Sol: GRUPO DE TRABALHO – DEPUTADOS EXIGIRAM CLANDESTINIDADE DAS PROPOSTAS«Alterações propostas não tinham identificação partidária. Eram designadas por A, B ou C. Tudo muito secreto, para a opinião pública não saber de nada até à votação final de 21 de Dezembro, nas vésperas do Natal. Foi assim que o grupo de trabalho formado no âmbito da comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias funcionou desde Abril, para aprovar o novo diploma do financiamento partidário.» Grupo de trabalho, Direitos, Liberdades, Garantias… mas que lindos nomes. E trabalham e tudo! O que vale é que a carneirada é mansa, né Irritado?

    1. Gostei do comentário, excepto “carneirada mansa…”. Questiono, o Filipe, como “bravo”, que sinais dá, para além destes “coments”?

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