IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DESMATERIALIZAÇÃO

 

Uma das medidas mais populares da nova modernidade consiste na chamada “desmaterialização”, coisa que, segundo as finanças, vai custar uns milhões.

Um pequeno exemplo de desmaterialização. A veneranda autarquia de Lisboa, através da EMEL, dá o exemplo.

Assim:

Após várias horas perdidas ao telefone para obter dois dísticos de estacionamento, foi este cidadão informado de que deveria fazer uma “marcação”. Como? Enviando à odiada organização uma mensagem solicitando uma audiência e fazendo acompanhar o pedido do seguinte: documentos das viaturas, certificado de residência passado pelas finanças, cartão do cidadão, carta de condução e não sei mais quê. Após algumas diligências, o cidadão envia tudo, direitinho, sem espinhas.

Dias depois (hossana, caso raro!), lá vem a tal marcação: deverá vossa excelência apresentar-se na loja do cidadão às 09,45 do dia tal, munido dos documentos das viaturas, certificado de residência passado pelas finanças, cartão do cidadão, carta de condução e não sei mais quê.

Obediente como compete, o cidadão apresentou-se à hora marcada munido de uma pasta com a papelada toda. A menina que o atendeu pegou na pasta, pô-la de lado, tratou dos dísticos do estacionamento, cobrou pelo multibanco, e pronto. Um inusitado triunfo.

Depois de ter na mão os preciosos dísticos, o cidadão atreveu-se, temeroso, a perguntar à menina: então não olhou para os documentos? E ela, cheia de desmaterializador orgulho, respondeu: já cá tinha tudo no computador! Pergunta o cidadão: por que carga de água me obrigaram a vir perder uma manhã à loja do cidadão, cheio de papelada, se já cá tinham tudo? Ela respondeu que é sempre bom verificar se os cidadãos não são mentirosos.

É a “desmaterialização” à portuguesa.

 

21.6.20



3 respostas a “DESMATERIALIZAÇÃO”

  1. “Pergunta o cidadão: por que carga de água me obrigaram a vir perder uma manhã à loja do cidadão, cheio de papelada, se já cá tinham tudo?” – ora essa, Irritado: v. sabe muito bem. Obrigam-no porque podem. Sobretudo porque não dão valor ao seu tempo. O seu tempo e o meu não têm qualquer valor. Só o deles tem. Não é só o Estado: como já vimos, as grandes empresas fazem o mesmo. Os mamões. Nenhum respeita o nosso tempo. Até podem valorizar o nosso dinheiro, e dar-nos em troca o produto ou o serviço combinado. Mas se algo não corre bem, ou foge ao caminho definido, ou se precisamos de algo, ou se queremos reclamar ou perguntar ou seja o que for que vá além de pagar e calar, tudo leva uma imensidade de tempo. Do nosso tempo. É sempre preciso ir, ligar, entregar, provar, reconhecer, carimbar, depois falar com 315 operadores, nenhum deles com autoridade ou capacidade para decidir um alfinete. Nunca se fala com quem sabe, nunca se vê quem manda. No Estado, além do desprezo pelo cidadão, é relaxe e incompetência. Nos mamões é deliberado. Quanto maior, pior.

    1. Não é nada disso…se não tivesse de lá ir o emprego da menina não tinha razão de existir. É preciso manter os lugares da função publica para garantir o voto da menina no partido do poder.

      1. Ambos os comentários acertam nos seu alvos.Tenho que conceder ao Filipe que os privados praticam, com inteira “competência”, um desprezo militante pelas pessoas, e que a “desmaterialização”, ao contrário do que se diz e por aí, as mais das vezes não passa de mais uma complicação.

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