IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DESAVERGONHADA TRAPALHICE

 

Monumental pessagada esta dos mandatos autárquicos. Os partidos parlamentares, mais irresponsáveis que nunca, recusam clarificar a lei. Não porque a lei seja inclarificável, que o é e pelos próprios, mas porque cada um puxaria, não pela memória do que fizeram anos atrás – foram poucos, os anos -,  mas pelas conveniências políticas de cada um, ou seja, pela mossa que querem causar aos outros. Mais rasca é difícil.

Pior: os aparatchiques de serviço põem processos judiciais, esperando que os tribunais façam a política que eles têm medo, ou preguiça, de fazer.

Pior ainda: há tribunais que aceitam, felizes, “julgar” esta matéria!

Por outras palavras, há quem peça a tribunais que façam política, e há tribunais que aceitam fazer política, pura e dura política. Segundo os jornais, há já duas sentenças proferidas, uma a dizer que é preto, outra a dizer que é branco.

Vá lá, parece que há um tribunal que se considera incompetente na matéria e que, num raro assomo de dignidade, mandou arquivar as queixinhas.

Mas as providências cautelares e outras martingalas vão proliferar, como é evidente. Se pensarmos que os maiores interessados na bagunça são o PS e o BE, perceberemos a grandeza da proliferação da pessegada e falta de vergonha. Vai haver diligências, recursos e mais recursos, e a mais completa das panóplias a que a “justiça” nacional nos vem, há anos, habituando.

Como se vai fazer eleições autárquicas no meio desta trapalhice é coisa que  nem o mais imaginativo imaginará.

 

25.3.13

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “DESAVERGONHADA TRAPALHICE”

  1. «Os maiores interessados na bagunça são o PS e o BE»? Como assim, se quem tem mais candidatos salta-pocinhas é o PSD? Quanto ao resto, creio que o seu ex-inimigo/actual amigalhaço Gonçalves diz tudo, ou quase tudo: «Para início de conversa, esclareço que, na minha opinião, uma lei ideal limitaria os mandatos autárquicos a cerca de uma semana, período a partir do qual os senhores autarcas começam a definir a rede de interesses que servirão. Também defendo que a lei deveria impedir as candidaturas dos vereadores, chefes de gabinete, secretários, assessores, compinchas, conhecidos e primos até 3º grau do autarca cessante. Por fim, acho que a lei faria bem em limitar as próprias autarquias, pormenor que aliás parecia constar do “memorando” assinado com a troika e que o Governo varreu airosamente para debaixo do tapete. Quanto à lei que temos, é uma vergonha em matéria de clareza jurídica e um portento de matéria de clareza política. O PSD, que apresenta a votos diversos veteranos de outras freguesias (ou câmaras, para ser exacto), entende que a limitação incide nos municípios e não nas funções. O PCP, que tenciona mudar dois ou três caciques alentejanos, também. O Bloco entende que a limitação incide nos municípios e nas funções. O CDS, uma fortaleza de convicção, entende que a limitação incide nos municípios e nas funções, excepto no caso de Lisboa. E o PS, que não viu interesse estratégico na transladação de candidatos, finge que o assunto não lhe diz respeito e pretende passar por exemplo ético. EIS O PERFEITO RETRATO DOS PRINCÍPIOS QUE FUNDAMENTAM O SISTEMA PARTIDÁRIO: com a lógica natural numa empresa, cada partido faz os cálculos, antecipa perdas e ganhos e decide de acordo com o respectivo interesse imediato, VENDIDO AOS SIMPLES SOB O RÓTULO DE “INTERESSE NACIONAL”. Resta apurar o número de simples que ainda engolem a PATRANHA e confiam apaixonadamente nos partidos como nunca confiariam numa empresa. As eleições autárquicas serão um óptimo indicador e, suspeito, o péssimo sinal do costume.» Alberto Gonçalves – DN [ênfases meus]

  2. Irritado, muitas coisas nos afastam, mas em algumas outras estaremos de acordo. Acabei de ouvir parte da entrevista do Sr. Pinto de Sousa, e acabei de ver a nova capa do Sol. A capa do Sol diz: “2º Resgate à vista: Passos(…) apresentou dois cenários possíveis: 1. Governo de salvação nacional; 2. Eleições imediatas”. Mesmo dando o devido desconto – pois o Sol tornou-se numa caixa de ressonância deste governo, dos seus (e nossos) donos angolanos – o facto é que até o Sol já admite o que era evidente desde o início: não conseguiremos pagar os calotes, muito menos os calotes mais os juros, e este Governo é impotente para evitar a tragédia que se adivinha. Até porque a tem agravado, mas isso é outra história. E eis que ressurge o Sr. Pinto de Sousa, qual fénix da trampa. Pelo resumo que vi, não saiu queimado, foi um branqueamento relativamente bem sucedido. Logo, temo o pior – ainda pior do que já temos, e do que esperávamos. Sabe do que falo, não sabe? Este horror é – como dizer? – indizível.

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