Esta coisa das cimeiras e das salvíficas ideias da dona Ângela, do melga Nicolau, seu serventuário, do rebelde Camarão e de mais uns tantos craques, faz uma confusão dos diabos.
Querem obrigar os governos a limitar a 3% o défice orçamental dos Estados. Não contentes, querem que a malta toda ponha a regra nas constituições respectivas, ou em instrumento especial.
Então não há já, há uma data de anos – pelo menos desde que há euro – uma regra que estabelece exactamente a mesma coisa? Uma regra que quase ninguém cumpre, uma regra a que o anterior presidente da Comissão chamou “estúpida” (não sei se é estúpida, foi o homem quem o disse), regra cujo desrespeito foi “fundado” pela Alemanha e pela França, ainda que sem consequências para os próprios, que isso de consequências é para os outros, regra cujo cumprimento pode ser um compromisso firme, mas que ninguém pode dar absoluta garantia de cumprir?
Quem falhar, lixa-se, quer dizer, fica pior do que estava.
De resto, tudo na mesma. Perguntava aqui há dias o professor Miguel Beleza o que acontece ao ministro da finanças se o défice for de 3,2%? E respondia: castiga-se o ministro das finanças mandando-o ver filmes do Manuel, perdão, Manoel de Oliveira. O IRRITADO acha bem.
Resumindo o resultado desta última cimeira no que nos diz directamente respeito: fica tudo na mesma. Vamos andar uns tempos entretidos em saber se se deve mudar a constituição ou meter a coisa na lei do orçamento, e pronto.
De resto, o Passos Coelho e o Gaspar continuarão a tentar tirar-nos da fossa (o pior é o Relvas!), o cinto vai apertar ainda mais, os comunas da CP e os fascistas da TAP continuarão a fazer greves, a CGTP continuará a dizer leninices, o PR continuará a desbocar-se, etc.
Já que temos um PM decente, resta-nos esperar que a coisa, daqui a uns anos, comece a dar resultado.
E pronto. Façam lá as cimeiras que quiserem, mas deixem-nos arrastar a nossa miséria sem chatear mais do que já chatearam.
11.12.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário