IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA REPUBLICANA TRISTEZA

 

O anúncio da eventual candidatura do entertainer Marcelo à Presidência da República veio desencadear um chorrilho de inspirações, comentários, propostas, etc.

O notável Costa resolveu que o candidato da direita ia ser Santana Lopes. Repisou, aliás, que não pode ser outro. A ideia deve ser a de lixar, tanto Marcelo como Santana.

Ainda há outro, dito futuro candidato da direita: Barroso.

À esquerda, uma vez fora de combate a brigada do reumático – Soares e Alegre – dois nomes se “elevam”: o do próprio Costa e o do ordinaríssimo Pinto de Sousa, dito Sócrates. Há ainda um tal Névoa, que tem confessas pretensões ao cargo

Seja qual for o destino de qualquer das personalidades em causa, o que isto quer dizer é que, a quase dois anos da eleição, já há quem não pense noutra coisa. Se não fosse também ridículo, seria só patético.

Um país em que a governação nada tem a ver com o PR, quem ocupa o lugar, por um lado ou por outro, será sempre acusado de estar a mais ou a menos, de ser contra ou a favor do governo. A sua alegada independência passa a vida a ser posta em causa, muitas vezes com razão. Facto é que ninguém acredita que, seja quem for o PR, ponha as suas ideias na gaveta, ou não ceda à tentação de se meter onde não é chamado. Isto para além de jamais ser “presidente de todos os portugueses”, coisa que até pode querer ser, mas que não tem, do outro lado, correspondência, pelo menos por parte daqueles que dele não gostam. Acresce que a sacrossanta Constituição, no caso, estipula claramente que o PR é “da República”, não dos portugueses. Mas o que a Constituição diz, quando não agrada à “moral” republicana, é coisa que ou não existe ou é para esquecer.

Por isso que a eleição presidencial, pior que uma inutilidade, seja sempre, a todos os títulos, prejudicial. Um sistema que não é carne nem peixe nem antes pelo contrário, tem destas coisas, por muito que custe ao doutor Miranda e seus seguidores.

Aliás, não se compreende que um PR eleito directamente, não seja o líder político do país. Então para que andaram as pessoas a votar, para que se gastou tanto dinheiro, e gastará ainda mais até os senhores baterem a bota (já cá cantam três!)?

Um presidente com o perfil que a Constituição dá ao nosso só pode ser de origem parlamentar, o que acontece, sem excepção, em toda a Europa que nos é próxima. O único Presidente eleito directamente é o francês, mas é ele o chefe do governo e o “dono” da política.

 É mais que evidente que, se se quer um chefe de Estado verdadeiramente representativo, autenticamente independente, sem interesses ideológicos outros que não sejam os da dignidade, independência e prestígio do Estado, então a solução é só uma, que muitos países, impecavelmente democráticos, adoptam, orgulhando-se dela e respeitando-a: a sucessão dinástica.

Dizia o republicano fundamentalista Raul Rego, quando queria elogiar o seu camarada Soares que ele era “como um Rei”. Está tudo dito, não está?

 

3.11.13  

 

António Borges de Carvalho



13 respostas a “DA REPUBLICANA TRISTEZA”

  1. Qualquer “nome” do centro-direita, conotado com o PSD e CDS, não terá qualquer hipótese nos próximos 10 anos de lograr ganhar qualquer eleição. Com efeito, a imagem de incompetência é tanta que nem os competentes (muitos) que ainda existem o conseguiriam, porquanto estão caladinhos (com excepção de Rui Rio).

  2. «…A pobreza de espírito da classe dirigente portuguesa – do PSD, do PS e do CDS – encontrou na crise um campo aberto à sua livre manifestação. A asneira rolou sobre nós e trouxe a miséria, que não serviu para atenuar as dores do presente ou para preparar uma sociedade organizada e previsível. Do “guião” do sr. vice-primeiro aos saneamentos do PSD, nada faz sentido.» Vasco Pulido Valente, Público

  3. Existe uma despesa tem vindo a aumentar (isso mesmo, a AUMENTAR). De acordo com a pesquisa aos procedimentos publicados no portal Base dos contratos públicos (http://www.base.gov.pt/base2/), os vários organismos da administração central, local e regional assumiram encargos de 33,3 milhões de euros em 859 contratos de aquisição de serviços externos de consultoria/assessoria jurídica entre 2011 e 30 de Outubro deste ano.Moral da “estória”: Os cortes nas despesas do Estado não são para todos, porquanto Governo bate recorde em gastos com escritórios de advogados Caro IRRITADO, qual a sua “profissão” de fé? Ser “Duque”, “;Marquês”, “Barão” ou Advogado?

    1. Dou-lhe toda a razão no que diz respeito aos 33 milhões. A ser verdade, é escandaloso. Quanto às suas perguntas: tenha paciência, fica sem resposta. Aqui, embora tenha nome,não passo do IRRITADO.Há tempos, um enorme pretalhão a quem pedi desculpa por lhe ter dado um encontrão no autocarro, em resposta a tais desculpas, disse: “você não sabe com quem está a falar!”, ao que lhe respondi: “sei sim senhor, estou a falar com um passageiro do autocarro”. Está a ver?

      1. «……enorme pretalhão …..» é «….um passageiro do autocarro…» ……. ???”Essa” tem barbas, mas não tem “piada”.”Professa” advocacia? A “resposta” é simples: SIM ou NÃO!

  4. “Vigarizar” é fácil. Demasiado fácil. Aliás, acerca dessa “facilidade”, existe um programa televisivo (estrangeiro, que parece ter muita adesão) que o demonstra.Assim, Pedro Passos Coelho “aprendeu” (no sentido de “já saber”) como “burlar politicamente” os Portugueses. Daí ter “prometido” que não aumentaria os impostos, não roubaria as pensões, não esbulhava os FP dos subsídios de férias e de Natal; somente cortaria nas “gorduras do Estado”.Caíram que nem patinhos. Perguntem o que tentou fazer o seu “pai”, como Presidente do CA, no Hospital de Vila Real.Questionem…., mas sobretudo exijam que estes “profissionais” paguem pelo que estão a fazer.

  5. Então…?Se um Republicano diz que um PR era “como um Rei” (!!!), e um monárquico (IRRITADO) diz que esse PR é um … nojo…, em que ficamos?O NOJO é a MONARQUIA? Se assim é, … serei apoiante do IRRITADO.

    1. Ficamos em que até um a fundamentalista republicano fugiu a boca para a verdade. Como gostava do Soares, achou que ele era tão bom que até parecia um rei. O que, como é evidente, não é o meu caso. Percebeu ou quer que lhe faça um boneco?

      1. Faça uma boneca…, e entretenha-se. Não “vigarize” outros.

  6. Lá volta o Irritado à sua adorada Monarquia. A sucessão dinástica é a negação da democracia, do mérito, da evolução da sociedade. É sustentar uma classe de inúteis ad aeternum, um tributo à parasitagem hereditária, um retrocesso civilizacional. Países mais decentes e prósperos mantêm-na? É verdade, mas esses países têm muitas outras diferenças que os tornam decentes e prósperos – a começar pelos políticos que os governam, e a acabar na fibra dos seus cidadãos. E vários desses países começam finalmente a questionar os privilégios absurdos e obscenos da aristocracia, que não contribui em NADA para o bem comum. Para passeatas e futilidades bastam as Lilis Caneças da vida, e para cultos pacóvios bastam as religiões. Os nossos Presidentes e putativos candidatos – Prof. Martelo, Marreta Santana, Mordomo Burroso, Chuleco Costa, até o Trafulha! – são uns escarros? Também é verdade, mas o problema não está na República – está na Partidocracia PODRE que a domina. Temos de criar uma Democracia de facto e de futuro, não voltar séculos para trás.

    1. Não sei se vale a pena a conversa. V. está tão possuído de fixações, que se comporta como um fundamentalista de qualquer religião ou ideologia. E é pena, porque v. não é nem parvo, nem estúpido, nem ignorante, só casmurro.Poderá dizer o mesmo do IRRITADO mas, apesar de tudo, o IRRITADO é mais tolerante… até aceita a República e respeita-a, sem deixar de a criticar.Como sabe, as pessoas, os povos, as nações, não se regem simplesmente por considerações positivas, meramente racionais, ou exclusivamente motivadas por mera inteligência ou dedução e análise. Será por isso, por exemplo, que não somos espanhóis. Muitas vezes, ao longo da História, a pura lógica apontaria em sentido contrário. O fundamentalismo “democrático”, isto é, a redução da democracia a meras considerações lógicas, leva à desumanização da política, já que o homem, para bem e para mal, é mais que lógica positiva. Há o QI mas também há o QE, que muitas vezes se lhe sobrepõe. É por isso que muitos povos, os tidos por mais evoluídos, menos reaccionários e melhor organizados democraticamente, gostam da sua Monarquia e do seu Rei, e a maior parte deles nem sonha com os ditames, nem com a utilidade da “moral republicana”. Romper com o passado de forma totalitária nunca foi bom.Eu sei que, por cá, a minha maneira de pensar a este respeito não colhe adeptos nem tem hipóteses de fazer vencimento. Mas conceda que tenho o direito a ela.

      1. Tem com certeza direito a ela, mas admite que a debatamos, não? Se sou casmurro, o Irritado será o quê? Alguma vez o convenci de alguma coisa? Nada tenho contra tradições, mesmo que irracionais, desde que não prejudiquem ninguém. Se os ingleses ou os dinamarqueses querem a Monarquia, então lindamente, é lá com eles. Mas Portugal já passou essa fase. Há cem anos. E não vejo as massas ansiosas por voltar a ela, pelo contrário: ou se borrifam no D. Duarte, ou fazem pouco dele – o que, convenhamos, não é difícil. Acresce que essa satisfação que encontra noutros povos, relativamente aos respectivos monarcas, tem outro lado: é aquela vassalagem saloia, herança de séculos de obscurantismo, perante os privilegiados e predestinados. Confina com a admiração basbaque ao “jet set” da nossa era. Não é por acaso que toda a vida da realeza é consumida nas revistas cor-de-rosa, lado a lado com as fascinantes peripécias das Lilis Caneças, dos cantores, dos futeboleiros, e restante fauna. Ao louvar uns, acaba por implicitamente aprovar os outros: o povão também os admira, também os ama, também os segue. Mas o “jet set”, mal por mal, não é sustentado pelos contribuintes.

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