O anúncio da eventual candidatura do entertainer Marcelo à Presidência da República veio desencadear um chorrilho de inspirações, comentários, propostas, etc.
O notável Costa resolveu que o candidato da direita ia ser Santana Lopes. Repisou, aliás, que não pode ser outro. A ideia deve ser a de lixar, tanto Marcelo como Santana.
Ainda há outro, dito futuro candidato da direita: Barroso.
À esquerda, uma vez fora de combate a brigada do reumático – Soares e Alegre – dois nomes se “elevam”: o do próprio Costa e o do ordinaríssimo Pinto de Sousa, dito Sócrates. Há ainda um tal Névoa, que tem confessas pretensões ao cargo
Seja qual for o destino de qualquer das personalidades em causa, o que isto quer dizer é que, a quase dois anos da eleição, já há quem não pense noutra coisa. Se não fosse também ridículo, seria só patético.
Um país em que a governação nada tem a ver com o PR, quem ocupa o lugar, por um lado ou por outro, será sempre acusado de estar a mais ou a menos, de ser contra ou a favor do governo. A sua alegada independência passa a vida a ser posta em causa, muitas vezes com razão. Facto é que ninguém acredita que, seja quem for o PR, ponha as suas ideias na gaveta, ou não ceda à tentação de se meter onde não é chamado. Isto para além de jamais ser “presidente de todos os portugueses”, coisa que até pode querer ser, mas que não tem, do outro lado, correspondência, pelo menos por parte daqueles que dele não gostam. Acresce que a sacrossanta Constituição, no caso, estipula claramente que o PR é “da República”, não dos portugueses. Mas o que a Constituição diz, quando não agrada à “moral” republicana, é coisa que ou não existe ou é para esquecer.
Por isso que a eleição presidencial, pior que uma inutilidade, seja sempre, a todos os títulos, prejudicial. Um sistema que não é carne nem peixe nem antes pelo contrário, tem destas coisas, por muito que custe ao doutor Miranda e seus seguidores.
Aliás, não se compreende que um PR eleito directamente, não seja o líder político do país. Então para que andaram as pessoas a votar, para que se gastou tanto dinheiro, e gastará ainda mais até os senhores baterem a bota (já cá cantam três!)?
Um presidente com o perfil que a Constituição dá ao nosso só pode ser de origem parlamentar, o que acontece, sem excepção, em toda a Europa que nos é próxima. O único Presidente eleito directamente é o francês, mas é ele o chefe do governo e o “dono” da política.
É mais que evidente que, se se quer um chefe de Estado verdadeiramente representativo, autenticamente independente, sem interesses ideológicos outros que não sejam os da dignidade, independência e prestígio do Estado, então a solução é só uma, que muitos países, impecavelmente democráticos, adoptam, orgulhando-se dela e respeitando-a: a sucessão dinástica.
Dizia o republicano fundamentalista Raul Rego, quando queria elogiar o seu camarada Soares que ele era “como um Rei”. Está tudo dito, não está?
3.11.13
António Borges de Carvalho

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