IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA NACIONAL PENDURICE

 

 

O discurso da subsidiodependência usado por gente que vive a expensas do orçamento, de modos duplos e triplos, não resolve um problema maior e que é o da estruturação democrática constitucionalizada das artes e da cultura no todo nacional.

 

Neste belo português se exprime um senhor que opina sobre cultura num jornal diário.

A conclusão a tirar do arrazoado é que a estruturação democrática constitucionalizada das artes e da cultura é coisa que obriga o Estado.

Lidas as coisas um bocadinho mais fundo, quer dizer que ao Estado compete pagar – sem bufar – as altas iniciativas culturais das sociedades recreativas, dos grupos de saltimbancos, das bandas de rock, dos animadores “culturais” e de todo e qualquer auto proclamado “produtor” de “cultura para o povo”, coisa democrática, é de ver, e por isso os contribuintes que a sustentem.

 

O IRRITADO, dada a sua anglofilia, estendida aos hábitos dos sobrinhos do tio Sam, acha deplorável que se tenha deixado espalhar por toda a parte este tipo de mentalidade.

A subsídiodependência de que fala o opinante como se de alta virtude se tratasse – uma vez que só é posta em causa por gente que vive, de modos duplos e triplos, a expensas do orçamento (?) – é o contrário do que seria de esperar dos criadores de cultura dignos desse nome.

Se esta malta precisa de dinheiro – do que não se duvida, não há quem não precise – que faça como a capelista lá da rua: abra a loja e trate de arranjar clientes. Se não há clientes, a capelista fecha.

Se os artistas querem dinheiro, façam alguma coisa que interesse aos seus concidadãos e cobrem-lhes bilhetes ou apelem à sua generosidade. Desenrasquem-se.

O Estado poderia ou deveria aparecer quando, comprovado e apreciado o valor da obra dos artistas – não antes! – resolvesse contratá-los para prestar serviço público.

Até lá, eles que se imponham à comunidade. É difícil, custa sacrifícios mas, se é por amor à arte e não ao dinheiro dos contribuintes, então que façam como a capelista. Se não houver freguesia, paciência.

Nos países de tradição anglo-saxónica é assim. Os grupos de teatro, de música, dança, etc. recorrem ao dinheiro dos outros mediante venda de bilhetes ou interessantes actividades de fund raising. Por outras palavras, trabalham. Desenrascam-se.

O dinheiro público nada tem a ver com isso. A não ser, às vezes, com rigorosíssimos critérios de qualidade, de serviços já prestados à comunidade, etc. Ou então através de serviços públicos, desde que esteja demonstrada a viabilidade de certas iniciativas. Nunca pondo a carroça à frente dos bois.

 

Por cá, infelizmente, as coisas não se passam assim. Os governantes são, na opinião dos interessados e de mais uns quantos, obrigados a despejar dinheiro em cima das suas actividades, todas elas, evidentemente, “indispensáveis” à “cultura” e ao “progresso” do “povo”.

Não concordar com isto é viver a custas do orçamento, de modos duplos e triplos. Não fazem a coisa por menos. Quem se quer pendurar chama penduras a outros.

Em matéria de argumentação, nada de novo.

 

12.12.11

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “DA NACIONAL PENDURICE”

  1. Alem do futebol,do fado,das novelas,só resta o Lá Féria.

  2. Chulice “artística” à parte, os fulanos limitam-se a constatar o óbvio: quem lhes recusa a mama, i.e. os governantes, são os primeiros a mamar. Isto evoca-me uma bela imagem: estão a ver aquela estátua romana, com os irmãos Rómulo e Remo agachados sob uma loba, a mamar nas suas tetas? Pois bem, imaginem que: – um dos irmãos é rosa; – o outro é laranja; – no focinho da loba, está a vossa cara… …E ficamos com uma magnífica estátua da “democracia” portuguesa.

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