IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CONTAS DE SOMIR

 

Anda toda a gente indignadíssima com os cortes. Com razão. Ninguém gosta de levar com uma brutalidade de impostos em cima, ainda menos que lhe cortem no ordenado ou na reforma.

Uma coisa é a justa indignação e o decréscimo de qualidade de vida. Outra são as contas que se anda para aí a fazer.

Unanimemente, ou quase, diz-se que as pessoas fizeram um acordo com  o Estado, e que o Estado está a faltar ao cumprimento de tal acordo. Em que consistia? Dizem as pessoas que, se descontaram, têm direito a receber o que pensavam que iam receber. Será justo, mas é primitivo.

A esquerda, que é contra tudo o que seja capitalização, berra que a Segurança Social e a CGA não pagam o que pagariam em caso de capitalização. Nada mais falso.

No caso da SS, aquando da fundação, pelo Prof. Maecelo Caetano, do chamado Estado Social, as contribuições para a Previdência passaram a ser “geridas” pelo Estado, que alijou a responsabilidade da tal gestão (do dinheirinho de cada um) em favor de prestações sociais, por exemplo para os chamados “não contributivos”. Veio o socialismo e, como é da cartilha, achou muito bem. Veio o Guterres e desatou a dar prebendas a torto e a direito, de inserção, disto e daquilo, dando a uns o dinheiro que outros tinham pago. Chamou-se a isto “redistribuição”, “igualdade”, e outros eufemismos próprios da ideologia.

Com o dinheiro dos que agora protestam mas não perceberam o que se estava a passar, o socialismo “distribuiu” o cacau que julgavam que era deles, mas já tinha deixado de ser.

Com a CGA o caso é ainda pior. Os funcionários descontavam, é certo, mas o restante – a parte do patrão, a parte de leão – era pago pelos impostos de todos, não só pelos dos funcionários. Aceite-se. O problema é que, feitas as contas à soma das contribuições e aplicando regras básicas de capitalização, certo é que jamais os funcionários fariam jus às pensões que têm.

É evidente que este Estado Social não podia deixar de dar com os burrinhos na água, ou seja, não podia deixar de chegar ao estado a que chegou. E, pelo andar da carruagem, a estação final ainda está para vir, se é que haverá uma estação final.

Bem podemos protestar, rabiar, fazer manifestações de repúdio e indignação, bramar contra a troica, o capitalismo, o “liberalismo”, etc..  Não vale a pena perder tempo com esse tipo de folclore.

Se houvesse a tal “solidariedade europeia”, e se a economia deitasse a cabeça de fora vinte vezes mais do que parece estar a deitar, talvez as coisas pudessem tomar um rumo decente. Mas não há nem solidariedade europeia nem economia que se veja.

A única coisa que podemos fazer é cortar também na nossa vidinha, e tentar preparar-nos para o pior.

Sursum corda! Não vos deixeis abater, irmãos meus.

 

25.10.13

 

António Borges de Carvalho



23 respostas a “CONTAS DE SOMIR”

  1. É triste, mesmo muito triste, que não queira ver que entre 1980 e 1983, Portugal foi governado por uma coligação entre o PSD, o CDS e o PPM, a célebre AD. Nesse período, a dívida pública cresceu de 29% para 44% do PIB, o que representou um aumento de 49,2%. De 1983 a 1985, o famoso Bloco Central esteve à frente dos destinos do País enquanto decorreu a segunda intervenção do FMI, tendo a dívida aumentado em 18,4%, para 52%. Seguiram-se dez anos de cavaquismo, durante os quais a dívida cresceu 16,4%, situando-se em 1995 nos 60% do PIB. O regresso do PS ao Governo nesse ano trouxe, durante os anos seguintes, a redução da dívida pública em três pontos percentuais. Entre 2002 e 2005, uma nova coligação entre o PSD e o CDS viu a dívida crescer novamente 16,9%, de modo que, no ano em que José Sócrates assumiu a função de primeiro-ministro, esta se situava nos 66% do PIB. Durante o governo deste, a dívida subiu 55,0%, atingindo, no final de 2011, 102% do PIB. Para terminar, no final do primeiro semestre de 2012, já durante o mandato de Pedro Passos Coelho, a dívida pública situava-se em 111% do PIB.Hoje qual é o valor da dívida pública?De acordo com dados preliminares do Boletim Estatístico do Banco de Portugal divulgados no dia 22 de Agosto de 2013, o total da dívida das administrações públicas atingiu os 214.573 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2013, o equivalente a 131,4% do PIB, na óptica de Maastricht, que é utilizada pela troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).A trajectória da dívida pública continuou a subir, uma vez que, em Dezembro de 2012 era de 123,8%, passando para os 127,1% em Março deste ano e tendo agora subido para os 131,4%, segundo dados do boletim estatístico de Agosto.

    1. Então v. queria que se pedisse 78 mil milhões e que a dívida ficasse na mesma?Por outro lado, eu falei em pensões!É triste, tem razão. Se tivesse continuado a bandalheira socialista, a estas horas já não havia nem pensões nem salários… como era o caso em 2011.

      1. “Burla política”. Ainda bem que este conceito, por mim introduzido neste blog, chegou à discussão na Assembleia da Republica. Ainda bem, reitero.É “vê-los” a acusarem-se mutuamente. Ainda bem que vemos estas tristes figuras de “burlões” a discutirem quem foi o maior… mentiroso! Breve chegará o “preço” que terão de pagar, todos eles, sem excepção. Seja pela Justiça, seja à “bofetada”, a “tiro” ou no “cadafalso”. Certo é que pagarão.

  2. Isto será um choque para o Irritado, mas o peso do Estado – incluindo o infame “Estado Social” – não é necessariamente assim tão nocivo. Até a chulice dos políticos (embora imoral) não o é. Porquê? Porque grande parte desse dinheiro volta à economia. Sem consumo interno, não há economia. Por sua vez, sem economia não há descontos e impostos. É um circuito fácil de perceber. O problema é quando sai mais dinheiro do circuito do que aquele que entra. As fontes de entrada são essencialmente três: exportações, remessas de emigrantes (2.75MM em 2012), e o turismo. Já as portas de saída são imensamente maiores: a importação de quase tudo o que consumimos, os lucros das maiores empresas nacionais (todas sediadas na Holanda e afins), os lucros das multinacionais (algumas criam cá algum emprego, outras nem isso), os offshores de muito trafulha e muito mamão, e – last but not the least – os JUROS EXTORCIONÁRIOS da canalha financeira. Com as devidas diferenças que é escusado referir, os EUA – esse baluarte liberal! – estão como nós. O Japão está como nós. A França, a Itália, qualquer dia o Reino Unido e a Alemanha também. E até a China precisa de quem lhe compre as bugigangas que produz em massa. À parte dos desvarios da canalha pulhítica – e a nossa é das piores do mundo ocidental – todos os países padecem do mesmo mal. O dinheiro não desaparece, apenas troca de mãos. E vai-se concentrando nas mãos dos maiores mamões deste mundo. A economia irreal dos “mercados”, os juros da canalha financeira, a concentração do capital e consequente desregulação geral (através de pulhíticos vendidos), e a troca do emprego pelo lucro fácil são os cancros que corroem o sistema capitalista, e não há “mão invisível” que lhe valha. Este sistema é autofágico, e entrou em roda livre sobretudo após os anos 80, pela mão do Reagan e da Thatcher, que o Irritado tanto incensa. NÃO HÁ SOLUÇÃO sem mudar radicalmente o sistema. A canalha pulhítica e canalha da Banca devem ser as primeiras a ir. Posto isto, continue a bater no «socialismo» e continue a «não esbracejar», muito quietinho e conformado, em solidariedade com o seu PM fantoche e o seu sistema podre. Um belo dia, já faltou mais, verá onde isso o leva. Onde isso nos leva a todos.

    1. Começando pelo fim, já estou a ser levado há muito, e sei que vai ser pior. Resta saber até onde isto me levará. A diferença é que tenho mais consciência do que quem muito protesta, a bem do protesto e de mais nada.Aceito que o “sistema” está cansado e tem sido entendido de forma oportunista e ruinosa. Precisa de “reforma”. Uma reforma que nos faça regressar à libedade “refundada” por Reagan e Tatcher, que de tantos abusos vem sofrendo. Eles queriam acabar com o socialismo mas o socialismo não morreu porque, como diria aquela Senhora “o dinheiro dos outros ainda não acabou”.V. esquece a glpbalização, um dia acusada de manobra do mundo capitaista. Se o foi, saiu o tiro pela culatra. Vieram os BRICS, as deslocalizações sem freio, etc.Veja que a Holanda, rica, próspera, democrática, justa, acolhedora, etc.. Está, como os outros, em recessão. A primeira coisa que fez foi declarar que o Estado social estava no fim.Por cá, a verdade oficial, constitucional, correcta, diz o contrário, quer dizer, parte do princípio que todos devemos ser dependentes do Estado e que o Estado é um poço sem fundo, sempre cheio de dinheiro. Dizia-se que era preciso “libertar a sociedade civil”. Resta saber como se liberta uma sociedade que não quer ser livre e que prefere viver de ilusões, acusações e absurdos.Nos regimes ditatoriais, é costume arranjar um inimigo para justificar o que se passa, seja lá ele quem for, ou por que for. Às vezes, parece-me que é o que se passa com muita gente…

      1. Os primeiros a assumir que o Estado é um «poço sem fundo, sempre cheio de dinheiro» foram justamente os POLÍTICOS: foram eles que o estouraram, e endividaram o país à tripa-forra. Todos quiseram obrar à grande, comprar à grande, chular à grande. Não quer uma lista, incluindo o seu caro Santana, pois não? Mas o problema de fundo é que nunca haverá dinheiro suficiente, com ou sem “Estado Social”, num sistema baseado em dívida e em crescimento perpétuos. Eu sou um banco, ou os “mercados” se preferir. Empresto-lhe 100, e V. tem de pagar-me 150. ESTES 50 ADICIONAIS – OS JUROS – NÃO EXISTEM. E V. não pode inventá-los, como a Banca! Logo, só pode ir buscá-los à economia real, que vai minguando até falir. E depois paga-me como? Endividando-se ainda mais! Pode cortar o que quiser, ter o país a pão e água, e só irá cavar mais dívida. Porque O DINHEIRO DOS JUROS – tal como 90% do dinheiro que circula nos “mercados” – NÃO EXISTE, NUNCA EXISTIU. A “reestruturação da dívida” é tão-só acabar com esta loucura deliberada de fingir que existe. É assim em Portugal, nos EUA, na Holanda, em todo o lado. Não vê isto? Não vê que todos devem quantias astronómicas, fora de qualquer realidade? Já falámos disto 20 vezes, e o Irritado não quer ver. Nem sequer menciona a Banca. Que diabo, basta ver a partir dos 07m20s: http://www.youtube.com/watch?v=f7cJ_ZBiU-I

  3. Também eu sei que cada vez será pior. Estamos a ser governados por delinquentes cuja vontade tenta, e muitas vezes consegue, prevalecer sobre as regras e os tribunais.Como se isso não bastasse ainda temos um escol de alarves que considera que a solução dos nossos problemas está nesse caminho!

    1. Se dissesse o contrário, talvez acertasse, e não insultava ninguém:

      1. Que tal,Cada vez será MELHOR. SOMOS delinquentes governados por pessoas absolutamente séria e honesta, cujos Tribunais muitas vezes conseguem prevalecer sobre a legalidade desta gente honesta e séria.Como se isso não bastasse ainda temos um escol de alarves que considera que a solução dos nossos problemas está no caminho oposto ao preconizado por essa gente séria, impoluta e absolutamente honesta QUE NUNCA MENTIU, sempre disse a verdade aos eleitores!Os funcionários públicos e os pensionistas são uns ladrões, meritosos e que enriqueceram à custa da gente séria que nos governa. Fica melhor este “filme”?

          1. “Bem, não. Melhor, sim.”Assim responde o Irritado, de “modo” politico como, aliás, foi. Nada dizendo, pretende (qual xico esperto) dizer muito. E, com efeito, DIZ muito.Na verdade, diz que é um “alarve” e o seu “dono” é outro tanto. Alarve, no sentido de politico “esfaimado; sempre faminto; insaciável”.Antes fosse “comer landras”!!!

          2. O que são landras? Não consta dos dicionários, a não ser como sinónimo de lande, que é terra lavrada ou coisa do género!

  4. SUMIR é necessário.Pedro Passos Coelho ganhou as eleições com a conhecida maior “burla politica” Portuguesa. Na verdade, para além das “promessas” mentirosas sobejamente conhecidas (não tirar subsídios, não aumentar impostos, não despedir fp,, cortar nas gorduras do Estado), não cumpriu a “promessa” de responsabilizar o mentiroso que o antecedeu.Assim sendo, é necessário fazer SUMIR esta cambada de mentirosos.

    1. Passos Coelho anunciou que não tinha “amigos”.Vamos ser “amigo” de Passos Coelho. Vamos permitir que ele vá para a “cadeia” por ser o mentor da maior “burla eleitoral” em Portugal continental.Com efeito, Carlos Abreu Amorim (esse batedor de palmas que concorreu a Gaia e, nem assim, ganhou juízo), escreveu no dia 17 de Maio de 2010 no Jornal de Noticias o seguinte: «Sócrates e Passos Coelho rivalizam entre si para saber qual dos dois consegue quebrar as suas promessas políticas no mais curto espaço de tempo. O primeiro- -ministro, convenhamos, leva um grande avanço – já abandonou tudo o que antes defendia como indispensável para acabar com a crise… em nome da solução para essa mesma crise. Passos Coelho, por seu turno, atingiram um recorde capaz de o fazer aspirar ao “Guinness Book”: escaqueirou o seu principal compromisso – não admitir uma subida de impostos – antes mesmo de ter chegado ao Governo e apenas um mês após ter sido consagrado como líder do PSD! Os políticos portugueses tinham-nos habituado a estilhaçar as suas juras eleitorais mal ascendiam ao poder. Passos Coelho antecipou-se – fê-lo, ainda, enquanto Oposição, em jeito de ejaculação politicamente precoce, deixando-nos perceber que já está demasiado enlaçado nos defeitos e vícios do regime para o conseguir “Mudar”. Passos Coelho iguala-se, afinal, a um longo e fastidioso catálogo de líderes laranjas para quem a palavra dada vale menos que um estado de alma.»O que mudou? PPC foi consagrado líder do Governo Português e CAA foi eleito deputado, como independente, pelo PSD.No entanto, as MENTIRAS continuam!

      1. Segundo o jornal Público esse limite fixa-se em dois cães e em quatro gatos, mas existem excepções, já que os detentores de raças nacionais puras registadas podem até dez animais nos prédios rústicos ou mistos.Na senda desta Lei, proponho uma adenda: que os “cães danosos” na AR sejam limitados a 50. A vantagem é dupla: serão somente 50 a “morderem” e pouparão os contribuintes na “comida” desses “cães”.

        1. Defender o estado natureza ou selvagem ou de arbítrio em pleno séc. XXI é ser alarve ou ignorante.Para que o Sr. Irritado não se sinta insultado utilizei o termo alarve como sinónimo de antiquado e lorpa.Jamais tive a intenção de insultar os beduínos.

          1. !!!???Caro Picaroto,…!!!???!!!Com “isto”, mais parece “o ponto mais alto de um monte ou montanha” no fundo do mar (invisível), ou, quiçá, um “heterónimo” conversador….Se assim for, reitero, se assim for, vá “comer landras” (como aqui li):

  5. Diz Pires de Lima que a oposição não valoriza o “milagres económico”. É falso.Na verdade, eu que me OPONHO (logo, sou oposição) ao desvario, ao roubo, à mentira protagonizada por este (des)Governo, remeti hoje mesmo à Santa Sé um pedido de reconhecimento do “milagre”, a fim de multiplicar (qual milagre das rosas) o que sobra da minha aposentação após o ROUBO que me fizerem.Oxalá (ouça Alá) seja ouvido!!!

  6. Quem chamou por mim?

  7. Sorte tem o Irritado em ter um conjunto de comentadores que lhe animam o blog.Pena que não digam coisa com coisa. Também diria que “tem ideias boas e ideias originais. Pena que as boas não sejam originais, e as originais não sejam boas”.Assim não há hipótese de manter um dialogo aberto, civilizado e construtivo. Perdemos todos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *