“A ANA aeroportos ainda vai entregar dois 2.7 mil milhões (€2.700.000.000) de euros ao Estado”.Manchete a cinco colunas da primeira página, titulava na 2ª feira um jornal “de referência”. Será muito? Será pouco? Parece que só o governo é que sabe.
De qualquer forma, fiquei parvo com tantos euros. Depois, fui ver mais um bocadinho. E fiquei a saber que era de 2024 a 2063. E que, só na década de 2030, o encaixe será de 400 milhões. Isto, segundo o orçamento de Estado para 2023(!), diz o jornal.
Aqui temos uma previsão cheia de cálculos, ao que parece oficiais. Quer dizer que o OE 2023 tem o mesmo dom que favorece as meninges das ciganas que leem a sina. E que é possível saber o que se passa com o euro (mais forte, mais fraco, ainda existe, daqui quarenta anos?). E que o contrato da ANA será o mesmo daqui a quatro décadas. E que a longevidade da ANA é indiscutível e garantida.
Tanta genialidade esclarece-nos sobre as inatingíveis virtualidades dos cérebros governamentais. E sobre as não menos extraordinárias qualidaes dos media, quando se trata de parangonas, vendas, aldrabices, fake news, enganos, etc.
Diz-se que as informações deste género são comuns nas chamadas redes sociais, onde quem escreve não se identifica ou, mesmo identificando-se, pode escrever o que lhe vier à cabeça, talvez na esperança de tal se tornar “viral” e , até, de vir a dar uns tostões de volta. Não sou frequentador de redes sociais, por isso tendo a aceitar por bom aquilo que me vão dizendo ou vou lendo.
Mas, para quê as redes sociais? Para se ser gozado não chegam os media, até os “de referência”?
30.11.22

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