IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


Consultores

Um tal Dias, fulano que conheci há uns trinta anos, escreve, julgo que semanalmente, no extraordinário jornal que dá pelo nome de “Público”.

Em baixo, no fim dos artigos, o incauto leitor é informado sobre a profissão do articulista ou, se quiserem, sobre a qualidade em que escreve: consultor. Consultor jurídico? Consultor de engenharia civil? Consultor económico? Consultor fiscal? Consultor quê? Não é, ao leitor, dada a oportunidade de saber perante quem está, embora a inclusão da referência profissional queira inculcar na mente de cada um que o articulista, ou o jornal, e muito bem, querem “informar” o leitor sobre a formação, ou a profissão, de quem escreve. A palavra consultor tem, além de tudo mais, um sabor a isenção, a independência, trata-se de alguém a quem nos podemos dirigir à procura de um parecer técnico, parecer que nos será dado segundo critérios profissionais, com exclusão de quaisquer outros.

Acontece que o tal Dias é, há mais de trinta anos, uma espécie de chefe das relações públicas do Comité Central do PC. Não se lhe conhece outra actividade nem se sabe qual a sua profissão de origem, se é que a tinha. Mas sabe-se que, se a tinha, desde tenra idade a não exerce. Tudo leva a crer que, se o tal Dias alguma consultadoria pode oferecer, será em marxismo-leninismo, em ditadura do proletariado, em agit-prop, ou outras nobres e equivalentes matérias.

Que o tal Dias queira desinformar as pessoas intitulando-se consultor, pode compreeender-se. É, aliás, um tipo de “informação” que assenta como uma luva num porta-voz do PC.

Mas que o “Público” colabore, consciente e propositadamente, em tal e tão desavergonhada aldrabice, é impróprio de um jornal digno desse nome.

 

 

António Borges de Carvalho


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