Tudo o que o pobre do PR, após sete horas de intensa reunião, conseguiu extrair dos chamados conselheiros de Estado foi a preclara opinião de que precisamos de “pontes de diálogo construtivo”. A montanha nem um rato pariu!
Diálogo construtivo? Entre quem e quem? Entre o PSD e o PS, como é evidente, que o resto é paisagem. Com os chamados parceiros sociais? Com certeza. Diálogo com o Carlos, diálogo com o bigodes? Diálogo com o primitivo dos comerciantes? Diálogo com o artista da CIP?
Com o PS, já o Oco I e o Oco II disseram milhares de vezes ao povo que só com o PS por cima. Para já, nem pensar. Com a paisagem é inútil. Com o Carlos, o xarroco e apaniguados, enquanto não for implantada a ditadura do proletariado, o diálogo é impossível e, quando for implantada, deixa de haver diálogo. O tipo dos comerciantes, por seu lado, só pensa nos 23%, não vai além da cassete. O da CIP (onde terão ido descobrir este artista?) é só bla bla.
Pois é, ficou o PR a falar sozinho, no meio daquele saco de gatos que é o Conselho de Estado. Não gozou, é certo, da augusta presença de dois dos seus mais ilustres membros: o Soares, a banhos no Algarve, e o Jardim, a esbracejar na Madeira. Mas, se tivessem vindo, então nem valia a pena pensar em “pontes”.
Po outras palavras, os egrégios conselheiros concordaram em continuar a discordar. Transportaram para o Conselho a bagunça traidora que se usa cá fora. Ninguém, a não ser, talvez, o governo, quer diálogo de espécie nenhuma.
Isto da democracia, na cabeça dos políticos como na dos conselheiros, não passa de uma espécie de jogo, onde se ganha ou se perde. O país é o menos, e esse, se perder que se lixe. O que interessa é o que interessa a cada um.
4.7.14
António Borges de Carvalho

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