Ontem, com estes que a terra há-de comer, vi e ouvi o Dr. Santana Lopes dizer no Parlamento que não estava ali para discutir o passado. O “engenheiro” Pinto de Sousa (Sócrates) acusou-o de, por isso, fugir à discussão. A coisa foi rápida. O discurso de fundo viria a ser feito pelo Deputado Antão, com números, críticas e propostas. Hoje, parece, vai haver mais.
À noite, na RTP2, um certo Aguiar foi encarregado de comentar o sucedido. O homem começou por dizer que o Dr. Santana Lopes estava ali para discutir o passado. Depois, passou a afirmar que ninguém fizera as devidas críticas nem falara em propostas alternativas. A seguir, disse que o governo era tão mau como a oposição. E acabou tonitruando com ar sabichão que aquilo era tudo uma cambada de arrivistas e que os “bons” estavam fora da política.
É possível imaginar que o Aguiar tenha aceite o convite da RTP2 (se calhar mediante um cachêzinho, quem sabe?) e não tenha tido tempo de ouvir o debate. Portanto, coitadinho, tem desculpa para comentar tudo ao contrário do que se passou. Ou seja, o Aguiar tinha pré estabelecido uma cassette, segundo os seus altos méritos e criteriosas previsões. Havia de a despejar, à tort ou à raison. Desgraçadamente, foi à tort. Uma maçada.
Já agora, porque é que os aguiares da nossa praça, os “bons”, não vêm iluminar a nossa vida política com a luz deslumbrante do seu alto saber? Porque é que não entram num partido, ou formam um partido (o PB – Partido dos Bons, por exemplo) e não vão à liça para salvar a Pátria? Porque é que badalam os seus blablablás sem sequer saber do que estão a falar e sem se pôr ao serviço da comunidade que, segundo eles, tão mal servida anda?
António Borges de Carvalho
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