O camarada Pinto de Sousa, vulgo engenheiro Sócrates, tem vindo a alertar a opinião pública para a universal perseguição que contra ele está em curso. É de atender às razões que lhe assistem.
A coisa vem de longe. Começaram por pôr em dúvida os seus estudos, acusaram-no de andar da câmara em câmara a vender a assinatura em incríveis projectos. Chamaram-lhe provinciano e pacóvio, deslumbrado com a capital. Disseram cobras e lagartos de algumas das suas melhores obras em prol da Pátria, tais o TGV, o Aeroporto, a Cova da Beira, o Fripor (expressão do próprio), e tantas outras benesses com que brindou ou quis brindar os portugueses. Coitadinho!
Mas não bastou. A sanha persecutória ia continuar, apesar de todos os esclarecimentos que, com a maior sinceridade, já prestou. Já disse e escreveu tudo o que a seu respeito interessa para que as pessoas possam ajuizar da sua alta qualidade humana, política e social: informou-nos que gosta de viver à larga (quem não gosta?), que detesta trabalhar (trabalhar faz calos), que é um pendura de altíssimo gabarito (não vem daí mal ao mundo), que viver em Paris com muita massa é porreiro pá (indesmentível), etc.. Que mais querem dele para poder ajuizar? Não bastou esta nobre transparência, assim falada e escrita? Coitadinho!
Ainda que ciente destas excelsas virtudes, o mundo não lhas reconhece. A “direita” tem-lhe um pó de morte, a esquerda votou-o ao ostracismo, os jornais escarafuncham-lhe a vidinha, as autoridades judiciais, vendidas aos inimigos, perseguem-no e aos seus. Até o Presidente da República (último a ser declarado como fazendo parte da cabala) visita a Procuradoria, sede por excelência dos mais vis ataques e das mais hediondas perseguições. Coitadinho!
Parece que até a Frau Merkel, antes tão amiga, se tem esquecido dele. E o Banquimune, com obrigações perante o mundo inteiro, não se tem ocupado a louvar a sua inultrapassável heroicidade. Coitadinho!
Que mais estará no horizonte da conspiração? Ninguém o poderá dizer. Mas, da sua humilde tribuna, o IRRITADO chama a atenção dos seus concidadãos para o que, em nome da democracia e da justiça, se está a passar.
Coitadinho!
18.9.16

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