Andava o Costa, felicíssimo, algures na rua. Acotovelavam-se as massas para se chegar ao chefe, campeão da palavra honrada, das verdades insofismáveis, novo e indiscutível pai da Pátria, do progresso, da justiça e da honra em versão socialista.
Eis senão quando, do meio dos polícias de serviço, das velhas gordas e das loiras à caça de beijinhos e dos adeptos em delírio, surge, desafiador, mal educado, um geronte que a ele se chega e o acusa de ter ficado de férias enquanto Pedrógão ardia e as pessoas morriam queimadas.
Vil e falsa acusação. O chefe foi aos arames, e com toda a razão. Perdeu a cabeça, desatou aos gritos, é mentira, é mentira! Não chegou a agredir o velhote, mas vontade e gesto não lhe faltaram.
Um episódio lamentável, a sujar o entusiasmo do povo e a contribuir para uma perigosa aceleração do doce coração do chefe.
O IRRITADO sentiu-se ultrapassado. A capacidade de irritação do chefe é bem maior que a dele. Pudera! Era mesmo mentira. O chefe não está habituado a faltas de respeito.
À noite, a coisa esclareceu-se em definitivo. O chefe não estava de férias. Segundo os jornalistas da televião, até foi visitar o teatro das operações.
Só foi de férias cinco dias depois, a fim de, arrefecidos os cadáveres, afogar o desgosto nas salsas ondas, sob o carinho do Sol.
O IRRITADO agradece o esclarecimento dos tipos da televisão e aproveita a oportunidade para, com todo o respeito, repor a verdade dos factos, e assim contribuir para o sucesso do dia de reflexão.
Votem bem.
5.10.19
PS ( não confundir com PS) – O Irritado já escreveu neste blog o mesmo que o velho disse ao chamado primeiro-ministro. Retrata-se, por uma questão de cinco dias.

Deixe um comentário