IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CARTA ABERTA

 

Aos Camaradas do politburo do Comité Central

 

Com as nossas saudações revolucionárias, vimos alertar o CC para alguns problemas que  a nossa gloriosa marcha para o socialismo real enfrenta.

Desde o emergir da nossa colaboração com a burguesia, apesar do aturado trabalho dos nossos infiltrados, tem o Partido, e nós com ele, adoptado uma linha de tolerância que não está nem na nossa tradição nem nos princípios revolucionários que são a base da nossa acção e garantia das nossa vitórias (o BE faz o mesmo, mas não importa, está longe de ser vanguarda, a vanguarda somos nós!).

Tememos que os camaradas que, sob a nossa direcção, se encarregavam das acções revolucionárias que, com tanta glória, vínhamos desenvolvendo, nas ruas, nas empresas, nas consciências, comecem a ficar desmoralizados por falta de ocupação, ou mesmo com temor do desemprego.

Temos tido sempre, como o CC bem sabe, as hostes bem preparadas e enquadradas para, em qualquer momento e a qualquer propósito, actuar de forma a perturbar os governos da burguesia, o que fizeram com assiduidade e denodo durante o tenebroso governo de Passos Coelho.  Porém, as massas estão em repouso há quase 17 meses, o que é altamente contraproducente. Fizemos há dias um pequeno ensaio com os professeres – devidamente dirigidos pelos nossos camaradas – mas tal não deu uma sequer pálida imagem do que costumávamos fazer. Lançamos pois um apelo aos camaradas do CC para que tenham em conta a possibilidade de desmobilização das massas, o que será altamente inconveniente.

Reconheço que o governo que apoiamos tem tido algumas actuações convenientes. É o caso deste último PEC, em que qualquer tendência minimamente reformista foi abandonada, a não ser no caso, por exemplo, do arrendamento, “reforma” que, aliás, nos é conveniente. Quanto a outras, o nosso triunfo é total: tais reformas (trabalho, segurança social, energias, transportes, etc.) teriam como resultado o progresso económico e a reafirmação dos mais inconvenientes princípios burgueses, com a consequência de atirar para mais longe a criação das condições objectivas para a tomada do poder pelas massas, sob a nossa gloriosa vanguarda. Reformas não! Felizmente, o PS obedece. As reversões que, em boa hora, exigimos e aplaudimos, são avanços no sentido da revolução. As reformas são reaccionárias por natureza! A sua ausência, bem evidente no PEC que inspirámos, implica, a prazo que esperamos não muito distante, a ruína total do Estado burguês, o que merece ser saudado por todos nós e por todos os nossos camaradas. Sobre tal ruína ergueremos bem alto o socialismo real e o centralismo democrático!

Mas, e perdoem-nos a insistência, é indispensável reacender o clima das acções de rua, sob pena de se atrasar o caminho para o fim do euro, a retoma da Revolução a passos cada vez mais rápidos, o abandono desta Europa capitalista e burguesa, o restauro da soberania do proletariado (interrompida em 1975 e só timidamente recuperada, em 2015, através da aliança com os burgueses do PS e do BE) e o realinhamento da Pátria, dos Tabalhadores e do Povo com os nossos camaradas de Cuba, da Venezuela, da Coreia do Norte e de todos os que se batem pelos gloriosos amanhãs que nos compete instaurar.

Unidos venceremos!

 

Com as nossas mais profundas saudações marxistas-leninistas vos abraçamos, ó Camaradas!

 

Armínio Karl

Ana Avoiarx

Mário Noguécio



7 respostas a “CARTA ABERTA”

  1. «Tais reformas (trabalho, segurança social, energias, transportes, etc.) teriam como resultado o progresso económico»… Ah, é? Curioso: nos tempos do fantástico Passos, só me lembro de saque fiscal, privatizações a eito e (ainda) mais mama em roda livre. Energia, combustíveis, comunicações, até os correios – os custos da correspondência aumentaram para mais do DOBRO – tudo a mamar. Fora a Banca e os sacrossantos “mercados”, claro. E o país, cada vez mais pobre, a pagar. Quanto à carta dos camaradas acertou em cheio, como de costume. O pior é a alternativa que elogia.

    1. Se tirar o turismo, de que vive a geringonça? Das (poucas) reformas e dos (bons) resultados da austeridade de Passos Coelho.

    2. Na senda habitual, patético!

  2. Mandara eu e subsidiava estes comunas a emigrarem para um desses países que defendem e que são o exemplo da prosperidade e bem estar do modo de vida comunista.Bem dizem os comunistas de Cuba, da Coreia do Norte e da Venezuela:– O meu maior desejo é viver num qualquer país do Ocidente e poder reivindicar as mais amplas liberdades

    1. Fosse eu lenine e tirava a “esperteza” do Xico

  3. VENATÓRIA ESTUPIDEZ!!!

    1. Respeitável opinião. Só que a minha não é anónima.

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