IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


BORRAR A PINTURA

 

No segundo acto do lançamento da sua recandidatura a ocupante do Palácio Real de Belém, o Professor Silva desdobrou-se nas suas habituais tocatas e fugas institucionais, poupando (relativamente) o governo e o primeiro-ministro à expressão dos seus sentimentos mais profundos, e poupando-se a si mesmo de qualquer sombra de responsabilidade no estado de apodrecimento político, social, financeiro, económico e judicial a que isto chegou.

Compreenda-se a postura.

A poupança foi, no entanto, longe demais. É que, sangrando-se em saúde em relação ao seu antecessor – o golpista Sampaio – o Professor Silva teve o desplante de, para compaginar a sua actual atitude “estabilizadora” com a prática daquele, teve o desplante a que, caridosamente, se poderia chamar lapsus memoriae, de afirmar que o parlamento de maioria estável PSD/CDS tinha sido dissolvido porque “o Primeiro-Ministro se tinha demitido”.

Por outras palavras, a fim de mascarar a sua miserável atitude como colaborador activo da golpada, o Professor Silva não hesitou em mudar os factos históricos, trocando a carroça com os bois. É que o Primeiro-Ministro da altura não se demitiu, foi apeado via aquilo a que se chama golpe de estado constitucional, isto é, por meio da utilização da Constituição contra si própria e contra o espírito do legislador que legitimamente a concebeu.

O Professor Silva borrou a pintura.

É evidente que muita da gente que o vai reeleger fá-lo-á como Cunhal recomendou aos seus camaradas quando os mandou votar em Mário Soares: “tapem os olhos”, ponham lá a cruzinha e peçam perdão ao camarada Lenine. Desta vez, os eleitores do Professor Silva ver-se-ão obrigados a fazer o mesmo pedindo perdão à consciência, já que votam em quem os traiu. A alternativa seria não votar, o que, quem sabe, traria consequências devastadoras.

 

Enfim, serviços que a República, de cinco em cinco anos, vai prestando às pessoas.

 

11.3,10

 

António Borges de Carvalho


4 respostas a “BORRAR A PINTURA”

  1. Avatar de Carlos Monteiro de Sousa
    Carlos Monteiro de Sousa

    Meu caro Irritado,bom dia.Verdadeiro tudo o que escreveu.O “sei mas não digo” ou,quando mais entalado, “sei mas só digo para o mês que vem” tem funcionado neste triste País de saloios e analfabetos.No meu tempo de estudante,havia uma borboleta duns cinquenta anos que tinha um sentido de humor arrasante.Quando lhe era perguntado porque deu em “bicha” ele respondia que foi “praga de mãe” e explicava que quando era pequeno a mãe sempre lhe dizia: “Antoninho,vais levar no cu”.Talvez,este Professor seja a consequência duma praga monárquica.CumprimentosCarlos Monteiro de Sousa

    1. Ora aqui está um comentário recheado do mais elevado bom gosto!!!

  2. Não é de agora que acho falta a Cavaco Silva uma dimensão que transcenda a sua competência em finanças, que de resto não sei avaliar.Logo ao fim de uns meses da “messiânica” aparição na Figueira da Foz (não reparei nele quando ministro de Sá Carneiro), comecei a perceber que se mostrava alguma autoridade e conhecimentos económicos – ao lado de Soares, que só sabe politicar, qualquer razoável profissional faz boa figura – lhe faltava “golpe de asa” para criar uma dinâmica patriótica que fosse além da gestão dos negócios do Estado.Quando no frente-a-frente das últimas eleições presidenciais, Soares (como de costume, malcriadamente, apesar de filho de pedagogo) disse que Cavaco Silva ficava mudo e quedo nos almoços das rondas negociais europeias, por não sabia falar de outra coisa que não fosse finanças – tinha razão. Cavaco é bem um sujeito limitado em tudo o que não seja a sua profissão.A cena de encher a boca de bolo-rei (o republicano Tecelão chamar-lhe-á ufanamente “bolo nacional”, como na 1ª república) para não responder aos jornalistas sobre a eventual candidatura a presidente mostra bem como é desastrado e escasso em recursos de repentista.Como também falha com estrondo quando se quer reger pelos ditames de Maquivel. O caso das escutas foi um estúpido tiro no pé que lhe roubou toda a autoridade moral perante as habilidades igualmente toscas e indignas que Sócrates fizera até então.Antigamente dizia-se que quem corre atrás do espírito agarra a asneira. Cavaco Silva provadamente não tem espírito. Será relativamente bem intencionado, mas sempre que toma inciativas políticas estende-se ao comprido. É pena – e estranho – que ainda não o tenha percebido.Com essas mal amanhadas inciativas desprestigia-se perante os que acreditavam nele, sem conquistar novos adeptos pois os seus contrários nunca em tempo alguma adeririam às suas propostas.Sobre Sampaio, há a dizer que começou a sua candidatura por uma patifaria a Guterres (haviam combinado em 1995 negociar qual seria o candidato socialista à presidência e ele, deixou-se cavilosamente entrevistar à porta de casa a comunicar a sua presença na corrida para o cargo) e terminou o mandato desrespeitando a vontade dos eleitores, pelo desonesto pretexto da demissão de Henrique Chaves.Deixei ao bom Tecelão um recado no post “Oito Notícias”, que espero seja lido e não treslido.

    1. Apesar de tudo,este país merecia ter outro presidente.Merecia e necessitava,Cavaco é mais um elemento que teima em puxar-nos para baixo.

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