IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ASSIM VÃO ENTREVISTAS E DEBATES

 

Vi, com a atenção que o homem merece, a entrevista que o senhor Pinto de Sousa deu à dona Judite.

A dona Judite, toda dengosa, no fim das alegações do homem, teve a simpática coragem de lhe perguntar o que achava de alguém o ter classificado como sexy e bem-posto. O homem rebolou-se na cadeira e, babado, sorriu com ar modesto. Disse que não liga a essas coisas, mas não negou a sua performance de Petrónio da BeiraiAlta. Vistas as coisas com olhos de ver, a conclusão é: estávamos perante uma das mais pirosas parelhas da História da humanidade. O tipo exibia uma gravatinha de “seda à noite”, ou seja, de nailarucho barato e de um vermelho que nem os no name boys se atreveriam a usar. A camisinha do homem era tipo “Rosa de Ouro”, ou equivalente, branca tipo lixívia, um alvo desastre. O fatinho, a condizer, com ombros de alfaiate e pregas no cachaço. Dada a posição em que estava, não se lhe viam os sapatos mas pode assumir-se que eram tipo cabo artilheiro do midwest. Dona Judite não lhe ficava atrás, cheia de lantejoulas do chinês, com um vestido tipo cortinado de coté. Os sapatos, esses bem à vista, nem no Fontória, senhores!

Seja-me perdoada esta incursão na área do social, tão fora do estilo do IRRITADO. Não resisti, e pronto. Estou no meu direito, pelo menos enquanto o senhor Pinto de Sousa deixar, ou não der por isso.

O que foi, afinal, a entrevista? Nada. Nada, sim. O homem nada disse de novo, desfiou as estatísticas da “obra feita”, e foi tudo. Disse que o Freeport vai acabar bem (não acrescentou “Deus queira que depois das eleições” mas ou me engano muito ou não lhe faltava a vontadinha). Declarou, notável pensamento, que isso da guerra com os professores não passa de aldrabice. Nunca houve. Só uns desaguisados menores.

Uma coisa há que admirar no homem: nada disse que não julgasse que lhe convinha. Como as perguntas da dona Judite, em súbita alteração do habitual estilo peixeirático, eram mansas e doces, a tarefa do homem foi fácil.

Aquela do sexy e do bem-posto foram a cereja no topo do bolo encomendado pelo governo.

Anteontem outro galo cantou. Armado das mesmas armas que serviram para a dona Judite, o homem soçobrou que nem um prego. Apanhou com o Portas Paulo pela frente (podia ter aproveitado para ver o que é um tipo bem vestido) e lá se foram as declarações bombásticas e o triunfo do sexy. Ficou bem claro que aldrabou o orçamento, que brutalizou a Nação com impostos nunca vistos, que o desemprego começou a subir muito antes da crise internacional, enfim, que as “virtudes” do socialismo e do senhor Pinto de Sousa só lá em casa se dá por elas.

Acossado, o homem refugiou-se nos protestos e nas ordinarices. Que o combinado não estava a ser respeitado, que o Portas Paulo estava a falar demais, que aquele tema não estava na ordem da combinata… a ponto de ter de vir a dona Constança pedir alguma discussão substantiva. Depois, desvairado com a tunda que estava a levar, esperneou que o Portas Paulo tinha sido do governo que queria mandar soldados para o Iraque. Qual náufrago, quis agarrar-se ao que encontrou. Não encontrou nada melhor. Podia ter dito que o tal governo nada fez para evitar o furacão Katrina, o que teria a excepcional virtude de ser verdade. Podia ter dito que, à altura, os seus colaboradores mais próximos nada disseram – porque concordavam com o governo – e que os mais afastados mais não fizeram senão defender a tese peregrina e inconstitucional do senhor Sampaio.

Enfim, compreenda-se, quem não tem cão caça com gato. Quem não tem razão muda de assunto.

E ontem, meus amigos? Ontem assistimos à estreia universal da anedota intitulada “Tratado de Paz entre Estaline e Trotsky”. Tantas décadas passadas depois da fratricida guerra que travaram, os dois grandes do comunismo, brilhantemente representados pelo Louça e pelo Jerónimo, apresentaram-se ao povo com a mais doce harmonia, uvas do mesmo cacho, troncos da mesma raiz. Foi delicioso, ainda que muito chato, ouvi-los dizer que são iguais, que nada têm a criticar um ao outro, que é tão estúpido votar num como votar no noutro.

Uma autêntica sessão de esclarecimento para quem ainda acha que um é mais “democrata” que o outro.

3.9.09  

António Borges de Carvalho


4 respostas a “ASSIM VÃO ENTREVISTAS E DEBATES”

  1. Apenas puxar o filme atrás relativamente ao Iraque…Tem sido politicamente correcto falar contra a invasão do dito…Mas que faríamos nós se fossemos a maior potência bélica mundial e nos tivessem mandado cinco aviões contra centros comerciais, políticos e militares? Assobiávamos para o lado?Numa situação de guerra aberta/fechada contra radicais islâmicos de que lado estamos? O que acham os radicais islâmicos das bandeiras do sr. sousa? (divórcio “a la carte”; casais gays; uniões de facto; aborto). Ou será que tb aqui os extremos se tocam?Cumprimentos.

    1. Ai tocam, tocam. O terrorismo em debates, como o que o senhor Pinto de Sousa pratica, é uma forma do dito!Obrig.ABC

  2. É confrangedora a forma como o sr pinto de sousa se queixa do uso de política barata, de calúnia, de campanha “pretas” (diga-se “Negras”)….Como a memória é tão curta e facilmente se cai no esqecimento, tudo aquilo que este senhor e seus apaniguados fizeram aquando dos governos anteriores (pós Guterres), em que valia tudo do mais “ordinário” que há, onde tudo o que não fosse “socialista” era alvo de toda a sorte de ataques, vindos dos vários canais de televisão, de toda a imprensa, em que qualquer programazito de entertimento da TV se vangloriaza com as peixeiradas natas do grémio socialista, onde a verdadeira mentira e calúnia se impuzeram como causa nobre e muito bem apoiada, (dizia eu) isto tudo, ou é esquecido, ou usado pelos autores como grande obra muito bem creditada.Este sr pinto de sousa, caíu num deslumbramento do qual não se consegue libertar e que advem da tal maioria absoluta e dum “estado de graça” extensissimo que lhe fora concedido pela poderosoa Comunicação Social, (e não só), por isso caíu num êrro gravissimo que foi o de se Auto endeusar, convencido que se tornara verdadeiramente inexpugnável e que tudo o que há de importante é ele próprio e o resto não passam de apendices insignificantes.Eu, talvez um pouco influenciado pelo nome daquele filosofo que na Grécia Antiga tomou sicuta por influências determinantes do sistema de então, reporto-me ao que a Mitologia grega se refere onde “Narciso” em paralelo com este senhor muito teria que aprender, pois sem dúvida que de hoje em dia o mesmo Narciso iria ser mencionado nesta parte da História e Filosofia como um simples discipulo deste dito senhor pinto de sousa.Ou seja, penso que ele pensa que seria assim. Pois na verdade, dever-se-Ía criar uma nova figura mítica que definisse sim o cúmulo do ridiculo.Em todo o caso, pode-se dizer é que quem se “lixa” é o “povo” que se deixa embevecer por um “aldrubias” sedento de poder, mas também muito incompetente.A Pior coisa que um político pode ter é a cegueira do deslumbramento. Na maior parte dos casos é a partir daqui, que se tornam ditadores, mais arrogantes e geralmente “CRUÉIS”.Acho estes seus artigos muito interessantes e só é pena que não sejam lidos pela totalidade da população portuguesa.CumprimentosSou o Francisco Luiz Machado Santos

    1. Obrigado pelo seu comentário. Felicito-o por o ter assinado, uma vez que tal, infelizmente, não é hábito na NET.Também tenho pena que não haja mais leitura. Mas, quem gosta do IRRITADO bem pode divulgá-lo, mais que não seja na própria NET.CumprimentosABC

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