IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ALIA JACTA EST

 

Fazendo jus à nobre tarefa a que se dedicou,  o doutíssimo Tribunal Constitucional, em mais uma clara demonstração de amor à Pátria, declarou (sem apelo possível) inconstitucional o corte nas pensões que o governo queria instaurar com o fim de cumprir as obrigações internacionais que os desmandos de outros determinaram.

Nas palavras do dito tribunal, tal chumbo ficou a dever-se à absoluta necessidade de respeitar “o princípio da confiança”, conforme expresso no artigo 2º da Constituição. Consultado tal artigo, verifica-se não constar dele tal princípio. O que quer dizer que, na falta de melhor, se criou um “princípio”, até agora não expresso, mas que o distinto órgão de soberania considerará implícito. O que quer dizer que a Constituição é interpretada a la carte, isto é, quando se quer chegar a uma conclusão política, considera-se implícito o que se revelar útil para “justificar” a decisão. É assim deitado para o caixote do lixo o princípio da certeza jurídica, coisa que, convindo, parece que o TC revoga a seu bel prazer.

Interessante também  é verificar que o “princípio da proporcionalidade”, esse expresso, não se aplica ao caso, pelo menos  no glorioso parecer do TC… e com certeza para grande desgosto do doutor Cavaco, que quereria servir-se dele para defender a sua querida pensãozinha.

 

Muita gente ficará contente com a decisão, julgando que o ano de 2014, afinal, vai ser porreiro.

O problema deste tipo de ilusão é ser ilusão.

Os jornais, especializados e generalistas, europeus, americanos e patagónios, são unânimes sobre o que vai acontecer: os impostos vão aumentar, os juros vão dar pulos de corça pela escada acima, o “ajustamento” vai falhar, a confiança internacional vai morrer, os mercados vão fechar-se em copas, as próximas emissões de dívida vão ser um flop, os objectivos próximos do país não vão ser atingidos, etc.. Como é evidente, os parvos que agora estão contentes vão pagar mais caro do que as previsões mais pessimistas podiam levar a pensar. O pior é que os outros também, pensionistas incluídos.

 

A pataratocracia provinciana que anima tantas almas continuará a tecer loas ao TC. O nosso pântano é tão intelectual como financeiro. Ou mais.

 

20.12.13

 

António Borges de Carvalho



11 respostas a “ALIA JACTA EST”

  1. O nosso pântano, infelizmente, não é feito de lama: é da merda que abunda nas cabeças que por um lado louvam o TC (que não deixa despedir funcionários nem cortar nas pensões) e por outro insultam o governo porque não corta na despesa. O QI médio desta gente deve andar ao nível da idiotia…

    1. Há despesa e despesa, caro Manuel Pessanha. Sobre esta despesa, concordo que as reformas sem base contributiva suficiente devem ser cortadas – a começar pelas dos chulos do TC, como a nossa insigne presidente paralamentar, que se reformou fresca e gira aos 42 anos. Isso sim, seria defender o princípio da igualdade. Mas antes de cortar o rendimento das pessoas, justo e injusto, há muita despesa que permanece intocada. Porque quem nos governa quer que assim permaneça. Após este chumbo do TC, que devia fazer o governo? Passo a citar alguém que chama os bois pelos nomes: ——————————– «Talvez agora o governo resolva finalmente denunciar os contratos manhosos, e criminosos, das PPP. Talvez agora o governo decida não oferecer de bandeja à Martifer os estaleiros geridos ruinosamente por um bando de porcos, e se preocupe em gerir com parcimónia a coisa pública – para isso lhes pagamos. Talvez agora o governo seja finalmente impelido a reduzir as benesses alarves que oferece à EDP, além do que esta nos rouba. Talvez agora o governo pense finalmente em propor a redução da canalha da AR, que se auto-aumenta enquanto decreta o apertar do cinto dos que pretensamente representa. Talvez agora o governo reduza as suas próprias despesas de funcionamento, em vez de javardamente as aumentar – enquanto decreta o oposto para os que as pagam. Enfim, talvez agora reveja o sistema macaco de pensões em que tantos mamam alarvemente sem ter contribuído, muito em particular políticos, ex-“gestores” amigalhaços de políticos, e demais mamadores públicos das EPs, fundações, altas-autoridades, observatórios, autarquias, e muitas outras tacharias de canalhas. Ou então, que se vão embora e cedam o lugar ao Tozé. O imbecil fará mais do mesmo, até que o país rebente. Dificilmente ficará pior… e sempre há a possibilidade de que esta corja pulhítica seja erradicada de vez».

      1. De acordo com boa parte das suas propostas. A própria troica tem feito algumas (por exemplo em relação à EDP e às telecomunicações). Acrescentaria os cortes ao cancro das energias renováveis. O loby das “empresas do regime” é forte, mas mais forte é o das corporações, dos sindicatos e quejandos… toda a gente acha bem os cortes… excepto os que afectam cada um.

    2. Avatar de XXI (militante PSD)
      XXI (militante PSD)

      A “…merda que abunda nas cabeças…” de quem não sabe comparar.Comprei uma casa por 200.000. Agora quero vende-la e ninguém me dá 100.000! Quero devolve-la e recuperar os 200.000. O problema é que o vendedor não aceita!!!

  2. Longe de mim defender os chulecos do TC, que obviamente interpretam o que lhes apetece conforme lhes convém, mas a sua conversa (e a do governo) cansa. Há obrigações internacionais? Muito bem: e que tem o TC a ver com isso? Não lhe compete ajuizar os compromissos assumidos pelos governos; a sua função é tão-só ajuizar se X se enquadra ou não na nossa parola Constituição. São (obscenamente) pagos para fazer apenas isto. Mais nada. Foram os políticos que lhe deram este poder discricionário; foram os políticos que redigiram a parola Constituição; e são os políticos os únicos que podem mudá-la. Logo, queixam-se de quê? Simples: este governo queixa-se porque lhe dá jeito um bode expiatório. Não responsabiliza quem arruinou o país, só lhe interessa vender o que resta a mamões, e quer passar a imagem do governo bom e esforçado contra a “força de bloqueio” chamada TC. Foge assim às suas próprias responsabilidades: só faz assim ou assado, por culpa do TC. Que deprimente choradinho, para quem instava os outros a não serem «piegas»… P.S. Perdoe a ignorância, mas não é “alEa jacta est”?

    1. Alia quer dizer tudo, ou outros. Usa-se et al. para significar “e outros”. A frase, se não me engano atribuída a Júlio César, terá sido pronunciada no começo de uma batalha, significando, segundo uns, “a sorte está lançada”, segundo outros “já não há nada a fazer”, ou ainda, por palavras minhas, “estamos preparados para tudo”.

      1. “alea” quer dizer dados (sorte).No caso: alea jacta est – a sorte está lançada (frase atribuída a Júlio César)

      2. 1) Foi o Júlio ao atravessar o Rubicão para entrar em Roma (coisa interdita à tropa) no género “vamos lá para a frente e seja o que Júpiter quiser”;2) Eu acho bem que se corte em todas as despesas-sobretudo as que cita- do Estado e que se reforme o mesmo: por exemplo, voltar aos 200 Municípios de avant PREC equivale, se não me enganaram nas contas, a 4.000 milhões de €, o que equilibraria as contas mas poria muito boy de vários partidos a espernear.Mas, no estado actual das coisas, 80% da despesa são para pagar salários e pensões (entre as quais a da nossa “Presidenta reformada”). Ora, se não se cortar aí onde é que se corta? Declaração de interesses: vivo da minha reforma (Segurança Social) e pago sem bufar para emendar as asneiras (e vigarices) do Pinto de Sousa. Já perdi desde 2011 muitos dos meus “direitos adquiridos”. Porque é que quem recebe a reforma da CGA tem mais direitos do que eu?

  3. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    O senhor é especialista em esconder a “trampa” de um governo fora da Lei, comandado por um grande mentiroso.

    1. Não quero ser mal criado, mas quem acha que 1) estamos como estamos por causa de mentiras DESTE governo; ou 2) que o problema se resolve trocando de governo; está metido até ao pescoço no pântano acima referido.

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