IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ALEGRIAS

 

Depois do santarrão do Louça ter entronizado o beato Alegre, muito tem o homem esperneado a dizer que não é candidato do Bloco de Esquerda. Vá-se lá perceber a diferença política entre ser “apoiado por” ou “do”. A não ser que se trate do rimar de alguma quadra popular ou, tratando-se de tão celebrado poeta, de invernosa écloga, não se vislumbra a diferença.

Sofrendo a criatura, não tão alegre quanto Alegre, da ingente pulsão democrática que – apesar de aliado de longa data aos, à altura, inimigos militares do país – o levou a acompanhar os democratas em 75, não tem rebuço agora em preparar, cuidadosa e detalhadamente, o apoio de um dos partidos comunistas, dos quais, evidentemente, “não é nem será candidato”. De tal forma bem construída estava a marosca, que o Louça nem precisou de reunir a “mesa” da organização para propagandear o indefectível apoio das suas hostes ao declarado futuro candidato. Que não é o seu candidato!

O PC, a bem de formalidades de tipo soviético, apresentará um candidato próprio. O Alegre que trate de ir à segunda volta, ficando desde já garantido que os votinhos dos tovaritches irão parar, ainda que requentados, ao saco dele.

A seu tempo virá o Pinto de Sousa dizer que, após ouvir os quadros, as bases, o secretariado e o Lelo, decidiu que o PS, não como o BE e o PC, de quem o homem não é candidato, o nomeia seu desde a primeira hora. Aldrabice… O Pinto de Sousa foi entalado e bem entalado e, a não ser que aconteça algum milagre ou que perca a cabeça, não terá outro remédio.  

 

Postas as coisas nestes termos, outra frente de combate está a tomar forma. Um pouco por toda a parte aparecem comentadores encartados e opiniosos de nome a chamar a atenção para as origens semi-aristocráticas do indivíduo (o nome dele é Mello-Duarte), para o seu gosto pela caça de elite e pelo tiro aos pratos, pela roupinha do “Picadilly” ou equivalente, e até, imagine-se, pelas suas tiradas, tão acéfalas como incoerentes, sobre “a Pátria”, “os descobrimentos”, “as tradições” e outras coisas que, ou não sabe o que são ou traiu quanto pôde.

Há também quem diga, talvez com razão, que a criatura é o candidato da mais “negra reacção”, desta vez juntando os comunistas (BE/PC) e a direita mais fundamentalista, que estão bem uns para os outros.  

 

Entretanto, o futuro candidato, que não será do BE, nem do PC, nem do PS, nem de ninguém – é capaz de pensar que é de nós todos, t’arrenego! – continua, com aquela ar profundo e ribombante de Adamastor do quarto esquerdo, a dizer inanidades sem sentido nem correspondendo seja ao que for que não seja o desejo ardente de se candidatar à custa delas.

Triste é que um tipo tão gloriosamente oco ainda leve atrás de si seja quem for. Para além da Roseta, claro.

 

24.1.10

 

António Borges de Carvalho


10 respostas a “ALEGRIAS”

  1. Blá,blá,blá,pois,mas tudo,menos Cavaco!!!

  2. Enquanto foi “pateta alegre” (leia-se “ganhou à esquerda”, nas ultimas Presidenciais, da esquerda bloquista, o Sr. Alegre não “descolou” do BE nem do PCP.Agora é diferente. Essa esquerda já não é suficiente para “ganhar”, e muito menos ser somente a ela “colado”.É preciso “dar a imagem de “burguês” (leia-se: “ser do centro democrático”) para almejar, agora, a “ganhar” as Presidenciais!TADINHO DELE!!!

  3. Entre o Santarrão Louçã, o beato Alegre, ou o Senhor Sousa, prefiro o do meio. Este pelo menos deixa obra literária feita, com alguma qualidade, e de temas que nos interessam. Por exemplo leia-se o tratado sobre as odes marítimas, ou o comentário ao Livro do Piçarra. Agora, que é, ai é é, o gajo é arrogante. Sobretudo quando, nas tardes chuvosas de Setembro, na foz do Arelho, Berlengas à vista, não quer ser açarrazinado. A criatura merecerá o benefício da dúvida? SCAZOLA

  4. É uma pena que as fichas da PIDE se tenham “perdido” (como esta gente é toda tão inocente de tudo, talvez tenha sido a “reacção” que as levou para a URSS) porque assim nunca poderemos conhecer, documentadamente, o que foi a “luta” deste valente vate até Abril de 74.Dele sei o que me contou uma pessoa que o acoitou em casa, antes da fuga para Argel.Pois este Alegre, que agora se considera apto a comandante supremo das forças armadas, foi no seu tempo de serviço militar um torpe traidor que passava à UPA informações sobre as nossas operações militares.Talvez alguns que agora querem nele votar devessem chorar parentes seus que terão morrido à conta da sua insídia.Como foi descoberto e preso, o seu pai – pessoa grada do regime, no círculo de Aveiro – obteve que ele viesse para Portugal, para ser julgado aqui.Á custa dos paternos empenhos que o trovador não contrariou, foi-lhe proposto que escolhesse entre ser julgado e condenado ou, sob palavra de honra, se comprometesse a não mais conjurar.O bravo bardo alegremente jurou abster-se de mais acções conspirativas.Não durou muito que não fosse novamente descoberto o seu envolvimento noutras tramas. E como desta vez o seu pai se abstivesse de tentar protegê-lo, escondeu-se em casa de amigos e fuguiu de salto para Espanha e dali para Argel.O que foi a sua vida em Argel dava um livro. E alguém o escreveu. O que aquilo foi de velhacaria, não se imagina.Fala-se muito de Humberto Delgado ter sido mandado assassinar por Salazar, mas quem conheça minimamente este, sabe que nunca daria uma ordem dessas, sobretudo quando Delgado estava completamente desacreditado e isolado (Franco Nogueira conta que Salazar lhe disse na manhã em que soube que o corpo do general foi encontrado: “Uma coisa assim que pode deitar um regime abaixo”).O bando de Argel (Alegre, Tito de Morais, Piteira Santos, Lopes Cardoso, etc.) sabia do crime antes que ninguém, porque teve o desplante de arrombar as gavetas da sua secretária, coisa que nunca se atreveria fazer se soubesse que Delgado voltaria.A opulenta reforma que obteve da Emissora Nacional, onde só trabalhou durante 6 meses prova bem a sua falta de – como eles gostam de dizer – falta de cidadania.É um ente destes que o Tecelão quer para presidente da república. Afinal até nem destoa, já que a nossa bandeira verde-rubra era o pavilhão da Carbonária. Les beaux esprits…E depois dele cumprir o mandato, que tal Valentim Loureiro, outra prenda anti-fascista?

    1. Há gente,cuja honestidade intelectual,lhe permite mentir descaradamente.A coberto do anonimato,assumindo ares moralistas, não se coibem de caluniar.Se fossem forçados a provarem o que dizem,diriam; que foi um tipo amigo de um vizinho que era primo da costureira de calças que trabalhava para um sujeito que conhecia uma pessoa,em cuja casa morou o Alegre,lhe contou tudo.Conheço bem esta técnica,chama-se safadeza cobarde.A avaliar pela canhestra mentira da emissora nacional,o resto tem a mesma matriz.Eu não disse que queria Alegre para presidente,o que disse e repito,é que tudo é preferivel a Cavaco.E já agora,você prefere quem?

  5. O Tecelão saberá muita coisa, “conhecerá bem muitas técnicas”, mas há algo muito simples que mostra abundamente desconhecer. O Tecelão não “sabe estar”.Em casa e na escola, ensinaram-lhe a escrever, mas a sua instrução não chegou – pelo comportamento que tem – muito mais longe que isso.Não lhe fizeram ver, por exemplo, que quando uma pessoa julga outra, afinal nos está a mostrar aquilo que é, além de patentear ser alguém que tem necessidade de julgar os outros, o que é sempre arriscado e quase sempre deselegante. Neste blog, cada qual dá a sua opinião, diz o que sabe – e damos-lhe o crédito que entendermos, nada mais que isso. Só uma pessoa patologicamente desiquilibrada necessitaria inventar histórias… para provar coisa nenhuma, pois isto não é um tribunal.Se o Tecelão costuma recorrer a mentiras, percebe-se que sinta dificuldade em pensar que outros o façam.Quem me contou o que eu escrevi foi um advogado meu amigo, de uma família ligada à candidatura de Delgado. Não posso nem quero dizer mais que isto, tanto se me dá que o Tecelão acredite ou não, ele lá sabe como costuma redigir os seus comentários.Também não lhe ocorreu que a sua técnica de querer ofender uma pessoa que nem conhece, na segurança do seu distante monitor é, isso sim, pouca valentia.Afinal não desmentiu nada e limitou-se a recorrer a insultos, que vindos dele valem o mesmo que os seus argumentos, ou seja, pouca coisa. O que se passou na EN é verdade, não foi há muito tempo, informe-se. Do que vi, foi canhestramente desmentido pelo polivalente poeta que nunca mais lá trabalhou desde 75. E mesmo que não correspondesse à verdade, isso não significa que tudo o resto seja mentira.Dito isto, fica encerrado o assunto, pois não tenciono ler ou responder ao que ele eventualmente escreva sobre o tema. O que não quer dizer que não lhe perdoe. Há pessoas que quando o dedo aponta a Lua, ficam a olhar para o dedo.

    1. Apetece-me responder-lhe da seguinte forma;o mal comportado sou eu! E o deselegante sou eu! E o insultante sou eu! Eu é que não sei estar!Escusa de vir travestido de virgem ofendida que não me comove.Se alguem aqui foi vituperioso,foi o sr.e foi-o de forma miserável.O sr não fez um comentário ao post,mas sim difamou quem não tem direito ao contraditório.Conheço bem essa técnica,repito, é cobarde e desonrosa.Acresce,que foi o sr que se meteu comigo,o que configura uma disposição provocatória(patológica?) e não de mero comentador.Quanto ao cerne,ficou demonstrado de facto,que o sr não conseguiria suportar a afronta se fosse chamado à barra de um tribunal.Leia ou não,tambem dou por encerrado este caso,mas lembre-se,quem semeia ventos colhe tempestades!!!

  6. Creio que foi o aristocrata Bertrand Russell quem disse que um dos problemas deste mundo consistia em que os inteligentes vivem imersos em dúvidas ao passo que os menos dotados se mostram sempre muito seguros das asneiras que professam. Só por essa razão (e por ele haver sido um homem “de esquerda”) nutro ainda alguma consideração pelos meus hesitantes neurónios, que encaram o sr. Alegre com as maiores reservas, sobretudo porque suspeitam que se for eleito presidente se tornará igualmente em sr. Contente, numa espécie de “dois em um”, como os shampoos e detergentes para WC.Já tinha afirmado ao estimável Tecelão que as nossas longínquas relações estavam pacificadas. Com 36 anos de Abril no lombo, era o que faltava que pudesse perturbar o meu ritmo cardíaco à conta do feliz rimador, amante das belas letras e da feia Roseta. Há muito aprendi que esta gente não é para tomar a sério. Muito ao contrário. Ainda no ano passado me sorri quando promoveram o esplêndido herói da esquerda Otelo e este recalcitrou, insatisfeito com o pré que lhe atribuíam. Depois de um golpe de estado perpetrado pelo MOFA (movimento dos oficiais das forças armadas, “pai” do espúrio MFA), de milhares de mortes no Ultramar, mais umas quantas por cá executadas com generosidade pelas FP25 – ainda o irrequieto major (outro homem cheio de certezas) não está satisfeito: considera-se mal pago em valores e nós mal agradecidos pelo seu valor. Voltando ao passado próximo, notei com prazer que o amável Tecelão, logo no primeiro parágrafo, se retratou enfaticamente. Não era preciso tanto, bastava pedir desculpa uma vez, desde que seja sincero.No período seguinte diz qualquer coisa sobre não se comover comigo. Nunca esperei da minha prosaica prosa a renovação do seu fluxo lacrimal, novamente não era necessário exagerar. Nas restantes linhas diz umas coisas que já não percebi bem, o que não é prejuízo de monta pois não é dado a todos escrever com correcção e clareza. Fala finalmente em ter ficado demonstrado o facto que o prazenteiro trovador é um homem respeitável e coerente. Concordo em absoluto com ele. No que respeita a ser respeitável, há-de sempre haver pessoas que o tenham na mais alta consideração. Afinal há gente que acredita piamente nos artigos da “Visão” e se ri com o programa “Malucos do Riso”. Não vem mal ao mundo por isso. Quanto a ser coerente, tenho que dar a mão à palmatória ao repeso Tecelão: um homem que traiu em Angola e depois a Delgado – fatalmente, logicamente, tinha que atraiçoar também o partido que lhe permitiu ser gente e viver alegre vida. É agora, com toda a sua ética republicana, o candidato apadrinhado do Bloco de Esquerda.É bem verdade que não conseguimos diferençar um sábio de um insensato – até que este comece a falar. Ou a escrever.

    1. Eu sabia!Apesar de ter dado o caso por encerrado,eu sabia que você voltaria à carga.A sua petulância não lhe permitiria outra coisa.Ainda bem,é sempre um regalo lê-lo,mais ainda quando menciona o polémico filósofo Bertrand Russell .Dá um ar de subida e refinada cultura.O conde Russell tambem escreveu,”NÃO TENHAS CERTEZA ABSOLUTA DE NADA”.Quanto a Abril,estamos empatados,acresce 20 e tal de ditadura fascista e dois de guerra em Àfrica,cá no lombo.O seu transvio para Otelo,FP25,será outro assunto.Só não percebi a que mortos do ultramar se referia,se antes se depois da independencia.Se interpretou que eu pretendi retratar-me,interpretou mal,o que eu pretendi foi comparar os epitetos com que o sr me mimou,e o seu comportamento retórico.A falha por certo foi minha, não me fiz entender.A haver aqui alguem que não lhe ficaria nada mal pedir desculpas,não seria eu.Mas não carece,é coisa que nem me aquece,nem arrefece.É verdade que só vemos o cisco no olho dos outros!Lamento não escrever por forma a que me perceba,mas repito.O sr insulta miseravelmente e de forma soez pessoas que não têm direito ao contraditório.Não prova nada do que diz.Sabe que não será importunado,porque está cobardemente escondido.De valentia e arrojo,não lhe peço meças.Creia que fico profundamente deliciado com a sua tirada sobre a gente que vê “os malucos do riso”,cola-se bem à sua prosápia.Por ultimo,concordo em absoluto com o seu ultimo parágrafo.

      1. “Raisparta” os chouriços de Penalva do Castelo!

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