Tinha pensado não mais falar das presidenciais. Mas, ofendida pelo Alegre a mais elementar inteligência, não resisto.
Ribombou o fulano, a respeito do adversário, que se trata de um candidato neo-liberal.
Besteira, diriam os brasileiros. Bestialidade, dizemos nós. É preciso ser intelectualmente uma besta, um ignorante, um aldrabão, um demagogo, para dizer tal coisa. Cavaco não é, nunca foi, nem liberal (helas!), nem neo-liberal – o que quer que neo-liberal queira dizer.
Como é que um tipo que passa a sua troglodítica existência a queixar-se da PIDE – que chamava comunista a tudo o que não fosse pró II República – aparece agora com os mesmos métodos, a chamar ao homem aquilo que nunca foi?
Não que “liberal”, ou “neo-liberal”, seja algum insulto. Bem pelo contrário, é ao liberalismo que se deve a Liberdade e a Democracia que o Alegre diz defender. Só que, em relação a Cavaco, é mentira. A alegre criatura, ou é completamente estúpida, ou sabe que é mentira. Tonitruante, afirma-a como se fosse a primeira das verdades.
Compagine-se a trampa referida com esta trovejante declaração: (esta eleição) é uma luta de vida ou de morte pela democracia, e imagine-se o que é que um tipo, com a postura pidesca que alardeia, pode ou quer fazer pela democracia, para além de a confundir com socialismo. Não é o que fazem os partidos comunistas?
Compagine-se estas trampas com as gongóricas declarações do candidato sobre o facto de não devermos considerar que a crítica é um insulto e que o impróprio é não esclarecer o que deve ser esclarecido. Então um fulano que adjectiva o adversário com o que sabe ser mentira, com o que o próprio deve considerar um insulto (se for coerente…), acha-se com altura moral para dizer este tipo de baboseiras?
E, no entanto, se calhar a criatura tem razão: as presidências serão um passo na defesa da democracia, ou seja, o mais importante, nelas, é mandar o Alegre pentear macacos.
18.1.11
António Borges de Carvalho

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