O Diário de Notícias, hoje, descobriu a pólvora. Portugal é o país da Europa que mais tem aumentado os impostos nos últimos vinte anos. Nada menos que dez por cento em relação ao PIB.
Dirão os socraticóides que a coisa se justifica pela imperiosa necessidade de reentrar nos limites do pacto de estabilidade. Coisa que, nos bons tempos do PSD/CDS, poderia ser consequente, dado que, nesses dourados anos, o défice se manteve, de facto, em tais limites, apesar das invectivas do dr. Sampaio e da demais oposição.
O senhor Pinto de Sousa (Sócrates), nesta matéria, seguiu um caminho exemplar: Começou por mandar calcular um défice putativo, como quem diz: se não me vestir fico nu; se não fizer pela vida, morro à fome. Lapidar. Calculada a coisa com a extremosa colaboração de Sua Excelência o Governador do Banco de Portugal, logo o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) veio proclamar que os governos anteriores tinham deixado a Nação a pão e laranjas, com um défice astronómico, uma coisa insustentável. E como a moral socialista é contra as receitas extraordinárias, horroroso pecado, vai de cair em cima do pessoal com impostos.
Tudo aldrabice. Desde o governo socialista do Engª Guterres que Portugal não ultrapassava, em défice das contas públicas, os 3% do PIB. Tudo verificado e aprovado pelas distintíssimas instituições Europeias. As contas Barroso/Santana Lopes estavam, direitinhas como um fuso, dentro dos critérios estabelecidos. À rasquinha, dir-se-á. Mas estavam. Factos são factos. O resto é conversa, é paleio político de gente que não sabe o que faz e se escuda com inventados erros de terceiros.
Os resultados estão à vista, e são hoje objecto da manchete do DN. Só é pena que os comentadores de serviço não tirem daí as mais óbvias consequências políticas.
António Borges de Carvalho

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