IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A MORTE DO “CENTRÃO”

 

O chamado “centrão” foi, durante décadas, uma realidade positiva do nosso sistema político.

Não se chamaria “centrão” por estar ao centro, uma vez que a distorção à esquerda era por demais evidente. Um partido socialista recém-saído do marxismo, um partido social-democrata, plural, é certo, mas em que as alas mais à direita, salvo efémeros afloramentos, jamais tiveram direito de cidade.

Exceptuadas certas questões verdadeiramente fracturantes – nesse tempo eram questões sérias – como, por exemplo, os limites materiais de revisão constitucional cuja reforma o PS protelou por sete anos, de 82 a 89 (sete anos!), os dois grandes partidos entenderam-se, em nome do regime, em muitas matérias: defesa, negócios estrangeiros, justiça, Europa…  Na política africana, não se deu, infelizmente, uma abordagem unívoca e descomprometida. Estranhamente, foi o PS quem, neste particular, se revelou mais “à direita”…

Mas havia, tácito ou expresso, um pacto de regime, do qual o CDS, muitas vezes, participava. Excluía-se dele, por motivos óbvios, o PC. O BE ou não existia, ou não tinha a ver com o assunto, como também é óbvio

Havia, pelo menos, um certo “cavalheirismo”, com efeito algo positivos no nosso viver “habitual”. E havia cavalheiros. Para só falar nos casos mais recentes, vimos o Dr. Jorge Coelho (sou insuspeito de qualquer admiração política em relação ao senhor) ir-se embora porque caiu uma ponte – coisa que só politicamente lhe podia ser atribuída. Vimos o Dr. Vitorino demitir-se porque foi posta em causa, aliás sem razão, a sua lhaneza fiscal.

Dois exemplos de uma postura completamente abandonada.

 

O PS dos nossos dias é uma estrutura de domínio quase totalitário da coisa pública e da sociedade civil. Com a maior das desonestidades, mentiu em campanha e no governo, fugiu e foge a todas as responsabilidades políticas. Ainda hoje ouvimos um ministro dizer, ou repetir, que a responsabilidade da permanência do senhor Mota na Europa é da responsabilidade do PGR, quando não há quem não saiba que tal responsabilidade é exclusivamente do governo. O PS dos nossos dias é o construtor de um Estado omnipresente, na informação que influencia, manipula e condena, na burocracia que aumenta em vez de diminuir, no estender da malha “tecnológica” para controlo da cidadania, nos anúncios de novas coisas que nunca vêm a luz ou são evidentes insucessos, na estatização, cada vez mais centralizada, da educação, no aumento imparável da despesa pública, no apadrinhamento de boys e mais boys, por todo o lado, na criação de entidades, autoridades e outras estruturas para encaixar a rapaziada e “fiscalizar” a sociedade, etc.

O PS, propagandeando uma imagem “moderada” transformou-se no mais estatocrático de todos os governos constitucionais da III República e de todos os partidos congéneres na Europa. Por outras palvras, no mais socialista.

 

Pior do que isto, o PS transformou-se no partido onde nada tem consequências políticas. O primeiro-ministro tira um curso que faz inveja às passagens administrativas do PREC e do MFA, assina projectos inacreditáveis (sabe-se lá da autoria de quem), compra um andar por preço de favor (a escritura desapareceu!), está envolvido num processo de corrupção, com culpa ou sem ela, está envolvido (como testemunha!) noutro processo ainda mais nebuloso a correr nos tribunais, e continua a falar de “campanhas negras” em vez de fazer o que devia, e já devia ter feito há muitos meses: demitir-se. Vemos o PS segurar com unhas e dentes o governador do Banco de Portugal, provado que está, à saciedade, que o homem não se portou como devia, vemos o PS agarrado ao Lopes da Mota apesar de toda agente saber o que se passa com o homem e de o caso ser uma vergonha para o Estado e para a Nação.

 

Vemos o governo do PS, cúmulo do socialismo, ainda por cima do socialismo idiota, nacionalizar um banco falido em vez de o deixar cair e de garantir os dinheiros de quem a eles tem, por lei, direito. Em vez de deixar prosseguir o que é investigação criminal e deixar morrer o que está morto, não, o Estado “enfia” 2,5 mil milhões dos nossos euros numa estrutura falida, ultrapassado largamente o que diz ter dado em apoios sociais e comprometendo os seus próprios projectos megalómanos. Em nome de quê? De nada que não seja o socialismo puro e duro.

 

Assim, o PS distanciou-se cosmicamente do PSD. Enquanto este tem uma postura digníssima em todos os casos que têm envolvido directamente o primeiro-ministro e tantos dos seus camaradas, o PS, obviamente com ordens de São Bento, entra na campanha eleitoral mais suja de que há memória na III República. É ver a matilha a rosnar o que o chefe não rosna, mas encomenda.

Olhem essa tonta que se chama Ana Gomes! Olhem esse crápula, subproduto do marxismo-leninismo, que se chama Vital! Olhem esse anão mental que se chama Lacão! Olhem esse primaríssimo aparatchik que se chama Santos Silva! Olhem o rosnar, o ladrar, o morder desta gente a torto e a direito! Olhem o que, miseravelmente, tudo indica que via Grande Oriente Lusitano, estão a querer fazer ao Presidente Cavaco Silva! Olhem o homúnculo da defesa a proibir que as Forças Armadas homenageiem um Chefe de Estado Democrático, um grande homem de ciência, um grande diplomata, um grande artista, um grande patriota, só porque não era da Carbonária, antes foi assassinado por ela! Olhem o PS a pôr-se do lado dos assassinos em vez de do das vítimas!  

Olhem o dictat no que respeita ao Provedor de Justiça!

 

Olhem o velho  PS civilizado, o PS do “centrão”, o PS verdadeiramente europeu, o PS onde, apesar de tudo, havia ainda alguma réstia de escrúpulo, alguma sombra de ideia de honra, algum pedacito de moral, algum sentido dos interesses do país, e comparem-no com o que ele é hoje. Digam-me então se ainda há algum “centrão”. Não há. Nada resta que possa unir a ele, ou colaborar com ele, seja quem for que se respeite a si próprio,

 

Não havendo o tal “centrão”, ou o “arco democrático do regime”, ou o que lhe queiram chamar, é preciso, pelo menos, acabar com esta gente. Quanto mais depressa melhor. Votem, sim, mas votem bem.

 

Votem bem. Votem contra esta gente e, já agora, contra todos os socialismos.

 

3.6.09

 

António Borges de Carvalho


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