Havia um ilha, ali para os lados do Pinhal Novo, antiga floresta de pinheiros e hoje lugar da maior exportadora do país. Uma ilha de trabalho, dignidade, bem estar e paz social, num arquipélago que estiola sob o domínio dos nossos maduros, servos da Intersindical, soldados da guerra contra a democracia, a economia e a paz, dirigidos por um vanguardista, arauto do comunismo nacionalista, apropriadamente aparentado com o fascismo radical.
Os tipos das outras ilhas, sob chefia do nacional Lenine, Arménio de seu nome, foram, aos poucos, abordando esta, até que deram a volta aos ilhéus. Fartos de um sistema privilegiado em relação ao arquipélago, ao ser-lhes propostos novos privilégios a troco de umas horitas de trabalho, resolveram dizer que não, não precisavam de mais uns euros por mês, nem de mais um dia de férias, nem de nada que se parecesse. Trabalhar mais umas horas, não! Que diabo, somos trabalhadores, não cidadãos conscientes – era o que faltava, não contem connosco para brincadeiras.
O carrito vai atrasar-se em relação aos compromissos da firma? Que temos nós com isso? Nada. O problema é deles, dos patrões, das multinacionais, do capitalismo, do neoliberalismo, do Passos Coelho. Não é nosso. Para prová-lo, vamos mas é fazer umas greves, que é o que recomenda o camarada Arménio com o apoio do comité central.
Uma alegria, rapazes, uma alegria. Se demos, com tanto sucesso, cabo da CUF e de outras organizações esclavagistas, por que carga de água não havemos de dar cabo da Auto Europa? O camarada Pedro Nuno Santos não dizia que havíamos de pôr os alemães de joelhos?
Resta saber o que farão os tais patrões. Se a mostarda lhes chegar ao nariz, são capazes de ir estabelecer-se, total ou parcialmente, noutras ilhas, que as há para aí com fartura, sem Arménios nem comités.
8.8.17

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