IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A CAMINHO DO ABISMO?

 

Se for verdade que o Rio vai continuar, verdade será também que o PSD não sairá da cepa torta e que o país continuará na senda de uma imparável mexicanização social-comunista, sem outra perspectiva que não seja a continuidade da pobreza e do afastamento, já não só da Europa rica mas também da pobre, que continurá a dar-nos lições de crescimento e de criação de riqueza.

É a diferença entre os que não são socialistas e os que continuam agarrados às cartilhas “progressistas”.  

Pode ser que, apesar de amputado pela burocracia rioista que o fez perder mais de metade dos eleitores, assim contribuindo para a desmotivação de todos, o PSD profundo venha à tona e opte por uma mudança de vida. Mais do que ganhar o Montenegro, preciso é acabar com o Rio, mero serventuário do status quo.

 

13.1.20



7 respostas a “A CAMINHO DO ABISMO?”

  1. É bizarro que o líder do principal partido da oposição seja escolhido por 15.000 pessoas num país com um universo de cerca de 11 milhões de eleitores. Claro que só votaram os militantes. Mas porquê tão poucos?Outro tanto anedótico, e relevando de idêntico ridículo, é o governo do país representar uns 15% dos votos dos tais 11 milhões de eleitores. É certo que 55% votaram nulo, em branco ou abstiveram-se e mais uns 4 ou 5% votaram em partidos tão pequenos que não elegeram nenhum deputado. Resumindo: só uns 40% votaram nos partidos que se sentam na AR. Chama-se a isto democracia representativa. Porquê representativa de tão poucos?Parece-me que a maioria dos portugueses já viu que não vale a pena perder tempo com os partidos do regime. Numa situação extrema, podemos imaginar que daqui a uns anos só parte dos militantes dos partidos da AR terão o incômodo de se deslocar às urnas. A não ser que apareça algum d. Sebastião que nos salve. Afinal de contas, somos todos portugueses e de vez em quando até há nevoeiro!

    1. Toda a razão, Isabel, mas bate à porta errada: o Irritado dir-lhe-á que a ‘democracia’ é assim e que nada se pode fazer. É o que me diz há uns dez anos, sempre que lhe menciono esta fantochada pseudodemocrática. O sistema também pensa assim. Podem votar dez milhões, três milhões ou três mil; é igual; é indiferente. A classe pulhítica festeja a ‘vitória’ na mesma, acha-se legitimada na mesma, distribui os tachos na mesma. Alternativas? Uma democracia melhor, mais directa? Esqueça: ou esta partidocracia corrupta, ou então uma ditadura. É o que o Irritado diz. Nada mais existe, nada mais é possível, já se testou e inventou tudo. Acredite.

    2. De um modo geral, o que acontece, por etapas, com democracia representativa é o que se passa em qualquer sociedade humana diga desse nome. Os membros dessa sociedade organizam-se como entendem, têm um estatuto para se reger. As decisões são tomadas em assembleias, ditas gerais, em que os associados votam, ou não, no uso da sua liberdade. No caso dos partidos políticos, todos os cidadãos são livres de a eles aderir ou não. Os que aderem a um partido, organizam-se como entendem e de acordo com estatutos que aprovaram, e elegem os seus lideres locais e nacionais livremente. Daqui, os partidos propõem a toda a sociedade as suas ideias e propostas. Os cidadãos votam então em eleições gerais, ou não votam, segundo a sua livre vontade, naquilo a que se podia chamar “assembleia geral” da sociedade política. Os que não votam, ou porque não estão para isso, ou porque tanto lhes faz quem, ou porque não há propostas que lhes agradem, mas sabem (ou deviam saber) que a assembleia geral é soberana, vote quem votar. É evidente que é triste que as abstenções sejam muitas, é natural que venham a implicar ou obrigar à criação de novas propostas ou à evolução das antigas. O que abstencionista algum pode chamar à colação é que a representatividade não funcione, ou não preste.Os defensores da “democracia directa”, se olhassem com olhos de ver, considerariam que, ainda que por “degraus”, ela está implícita no sistema de um homem um voto, use-se este ou não.Uma coisa é achar que a democracia liberal (ou burguesa como lhe chamam os socialistas radicais, e os adeptos de outras perigosas utopias) está a funcionar a descontento, querer “afiná-la”, outra coisa é pôr em causa que ela é, mau grado as sua ideias, a única fonte de legitimidade com alguma autenticidade. Pô-la em causa por não gostar do que se passa conduz, inevitavelmente, como a História demonstra à saciedade, à abolição da liberdade política e à negação dos direitos de cada um.

    3. Pf. veja a minha resposta ao Filipe Bastos.

  2. Entre a partidocracia que temos e a democracia directa há muitos sistemas de organização política. A que decorre da constituição portuguesa talvez não seja a melhor do mundo. E parece-me pouco democrático partir do princípio de que ela é imutável. Verificando que cada vez menos eleitores respondem às chamadas eleitorais e que os resultados de várias sondagens ilustram, inequivocamente, que a confiança nos políticos vem sempre decrescendo, acho estranho que os chefes dos partidos não perguntem a si próprios porque é que 60% dos votantes não querem saber deles.Hà países onde a organização do Estado é ou foi revista com o objectivo de melhorar a gestão política. A França e a Itália, por exemplo, têm tido, nas últimas décadas, entre outras, vários adaptações da lei eleitoral e até da duração do mandato presidencial. Uma ideia que eu começaria por sugerir – se acreditasse que quem para tal tem poder estaria interessado no assunto – é que analisem as linhas mestras da organização política dos três países que estão sempre nos primeiros lugares nos inquéritos internacionais sobre o nível de felicidade dos seus cidadãos: a Dinamarca, a Suíça e a Suécia.Eu não sou “politóloga” mas posso referir três propósitos de reconhecidos especialistas na matéria que fixei, recentemente, nas minhas digressões por sites, tv’s e Youtube’s de outros países europeus:1 – Um consultor politico e muito próximo amigo de Giscard D’Estaing, afirma que um regime politico começa por se definir na sua lei eleitoral;2- Um professor universitário italiano ( penso que não me engano na nacionalidade mas não me vai ser fácil encontrar o YouTube para provar o que estou a transmitir ) afirmava que, a partir de certo nível de abstenção, à volta dos 30%, já não se pode falar de democracia representativa.3- Quando não chega a todos os eleitores informação completa sobre a situação sujeita a votação, a votação não tem significado ( tenho a ideia de que esta afirmação é de Anna Arendt, mas não estou certa )Qualquer destas afirmações pode ser discutida e é-o noutros países europeus. Aqui, só se pode fazer uma espécie da antiga “conversa das senhoras vizinhas”, sobre “faits divers” que envolvem senhores políticos. E sempre os mesmos, em todos os dias da semana e em todos os canais de TV. De preferencia, dispondo de uma bola de cristal para acompanhar a conversa com a adivinhação do futuro. Quando é que a passagem de uma partidocracia a uma democracia “conduziu à abolição da liberdade política e à negação dos direitos de cada um”?

  3. Está a ver, Irritado? Entre tanta apatia, tanto conformismo e carneirismo, ainda há quem pense. Isabel: para simplificar falo em democracia directa, mas deve ser semidirecta. Claro que não vamos passar do 8 para o 80, nem temos povo para tal. A democracia semidirecta é um passo intermédio: inclui plebiscitos, referendos vinculativos, revogação de mandatos – a falta que esta nos tem feito! – e iniciativas populares, mas continua a haver representantes eleitos. A diferença para esta partidocracia é o controlo sobre esses representantes, a participação dos cidadãos na vida política, em vez desta cidadania infantil onde tudo é decidido por eles, e a validação das decisões relevantes. Será uma solução mágica para todos os problemas? Claro que não. Seremos o mesmo país, com os mesmos problemas estruturais, a começar pelo povo que temos – e é este o único perigo, não a ditadura que o Irritado usa como bicho-papão. Após séculos de monarquia, décadas de ditadura saloia e outras mais de bandalheira abrileira, somos um povo tíbio, acrítico, acomodado, acarneirado. Como dizia O’Neill no seu “Perfilados de medo”, um rebanho pelo medo perseguido. Em adição, e como em todo o lado, há muita gente que é parva, burra, ignorante. Gente que não sabe nem quer saber; que é incapaz de se pôr no lugar dos outros; que é aldrabona ou corrupta; gente inútil e malformada. Há para tudo. Para votar em consciência, precisamos de um povo mais crítico e informado. Precisamos de referendar uma Constituição a sério, e precisamos de um sistema que garanta regras democráticas e proteja direitos fundamentais. Tudo isto levará tempo e trabalho, mas é o futuro. O único futuro viável. E mesmo com os nossos problemas, seremos nós a decidi-lo, nós que o pagamos. Não uma classe de chulos e pulhas inimputáveis, que depois se piram para tacho melhor.

    1. O que De Gaulle fez em França, em 1958, foi exactamente democratizar a componente partidocratica existente, promovendo a elaboração de nova constituição que foi aprovada por referendo e que ainda vigora, com algumas alterações ( por ex, tratados europeus )É claro que os portugueses são profundamente diferentes dos franceses. Talvez José Gil tenha alguma razão quando afirma que temos « medo de existir ». O que não nos deixa muito optimistas.

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