IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DIFERENÇAS

 

Depois de ter perdido as eleições, o senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, tendo sido eleito deputado, não aceitou aceitou o lugar. Foi viver para Paris como um lorde, nas circunstâncias que são do conhecimento geral.

Vem isto a propósito de Passos Coelho. Tendo ganho as eleições, foi, como é sabido, impedido na secretaria da Constituição e à revelia da praxis do sistema, de formar governo. Ficou no parlamento, no lugar para que fora eleito, sujeitando-se aos insultos do burgesso que se apoderou do poder e à sujeira das críticas das diversas cáfilas que pululam no seu próprio partido. Perdidas as autárquicas, decidiu não se recandidatar à liderança, conduziu com lisura o processo que levou à sua substituição. Passou à “peluda”. E agora? Agora, diria o burgesso e a cáfila, vai aparecer como administrador da Galp, chairman de um banco, vai substituir o Catroga na EDP, deixar Massamá e ir viver para Londres no andar de um amigo? Nada disso. Passos Coelho, muito simplesmente, foi convidado e aceitou o modesto lugar de docente numa universidade. Nem Londres nem Paris, nem amigos, nem mania das grandezas, nem ficar por aí a cobrar presenças e conferências. É a diferença entre um homem digno e um macacoide desonesto e deslumbrado consigo próprio como o Pinto de Sousa, a diferença entre um cidadão exemplar e um trafulha encartado.

Já há para aí quem o critique. Que competência tem para ensinar? Para ensinar o quê? Administração pública? Relações internacionais? Economia política? É evidente que tem competência para isso tudo, e para muito mais. Haverá quem saiba mais disso tudo? Duvido. As universidades estão cheias de teóricos que nunca se comprometeram com coisa nenhuma nem tiveram outra vida senão a da academia. Terão o seu mérito. Mas têm handicaps que a Passos Coelho são alheios.

Ficam as diferenças, para que quem estiver atento e tenha algum discernimento possa ajuizar.

NB. Não seria justo se não referisse e sublinhasse a publicação do socialista Sérgio Sousa Pinto a respeito do assunto, publicação que vai, dignamente, no mesmo sentido deste post. Vale muito. Sérgio Sousa Pinto que se precate, não vá o burgesso pô-lo com dono.

 

4.3.18



12 respostas a “DIFERENÇAS”

  1. «O modesto lugar de docente numa universidade»… numa, não: em três. Uma já garantida e mais duas em carteira. A já garantida, o ISCSP, é presidida por Manuel Meirinho, ex-deputedo PSD. Exemplar. É uma casa ecléctica: também lá anda o Luís Amado (o xuxa do BANIF), Rui Pereira (outro xuxa maçon), António de Sousa Lara (sec. Estado laranja), António Rebelo de Sousa (irmão do beijocas) e o Seguro, entre outros mamadores profissionais. Quanto ao modesto, a ser catedrático convidado, com salário equivalente ao topo da carreira académica, e se ainda o multiplicar por dois ou três, pois nem tem exclusividade, já é uma belíssima teta. Sempre é menos escandaloso do que ir para a Banca, um conselho de administração ou um mega-tacho “não executivo”, como é norma no Centrão Podre? Sim, é. Menos mal. Resta o ridículo de um medíocre destes, com um canudo tirado a ferros numa privada, ainda assim com favores pulhíticos, poder dar aulas a alguém – e logo no público, que tanto despreza (mas não para mamar). E resta nova confirmação do que atrai a escumalha para a pulhítica: a vidinha garantida. Terão sempre tacho. Sempre. Como li algures: Parabéns ao sr. Ex-PM por ter conseguido empregar-se sem passar pelas longas filas do centro de emprego de Massamá!

    1. As suas convicções são, em princípio, respeitáveis. Desta vez, foi baixo demais.

      1. É a sua parcialidade a falar. Às vezes quase parece ver o Passos como um filho, ou pelo menos um sobrinho. Conheço pessoalmente 927 pessoas, e é uma estimativa por baixo, com um percurso académico e profissional mais meritório e produtivo que o de Passos. Se ele pode ser prof. catedrático, eles seriam o quê? Administradores da NASA? No centro de emprego de Massamá, que certamente considerou uma chalaça de mau gosto, passam diariamente muitas pessoas melhores que Passos, que trabalharam mais, que sempre pagaram os impostos, que sempre fizeram pela vida sem pulhítica e sem padrinhos. Vivemos num país e num mundo sem moral, sem justiça. E v. todo contente porque o Passos é melhor que o 44. Uma bela fasquia. Mal por mal, podia finalmente admitir que a política não é nenhum sacrifício: é uma lotaria vitalícia.

        1. Antes de mais, Passos não é catedrático. Quando muito, convidado. As suas 927 pessoas nunca foram eleitas, porque não arriscaram nada nesse sentido, honra lhes seja, que ninguém é a tal obrigado nem tem obrigação de se meter nisso. Passos tem um percurso pessoal, político e humano que mereceria muito mais que ser mero professor convidado, e sem o famoso e tão desejado “vínculo”, como é evidente.Passos arrostou, com a maior dignidade e a maior coragem, sem eleitoralismos, com a vergonhosa situação que herdou por via eleitoral. Saíu sem uma queixa, sem choradinhos.Em compensação, v.. dá-lha a bicha do desemprego. Pobre de si, afogado em ódios ou invejas e mergulhado na sua “democracia” referendária! Boa sorte. Que um bocadinho de bom senso o ajude. No seu caso, suponho que, por coerência, deve achar que o que fez na vida não deve servir de nada, nem as pessoas que conhece ou o conhecem devem ter por si qualquer consideração, procurá-lo seja para o que for. Os seus fornecedores, clientes ou amigos (deve você achar) têm-no na conta de um verme.

          1. Esclareço que o António Carvalho é o IRRITADO. Não faço ideia onde foi o Sapo buscar-me.

          2. P.S. Acredito que não seja o Irritado, não é o seu estilo. Mas parece alguém que concorda consigo, e que segue o blog.

          3. «Passos vai ser professor catedrático convidado» – JN, Expresso, DN, etc. – «com equiparação e salário de catedrático». As 927 não estão na política porque trabalham. Produzem. Não são tachistas como 99% do esgoto partidário. Arriscar? Arriscar é viver sem subsídios, sem padrinhos, sem o trampolim da pulhítica. O percurso de Passos: jotinha, deputedo, subsidiado paralamentar, administrador de empresas trafulhas, líder da Laranja Podre à espera de pote, PM, deputedo, prof. universitário. Catedrático. Mamou numa falsa ONG; começou a “trabalhar” aos 36 anos; acabou um canudo manhoso aos 37; mamou tachos do Tio Ângelo; mamou esmolas comunitárias consideradas fraude pela UE; deu ao país o Relvas e o Macedo. Mas nem é por isso que o desprezo tanto. Nem sequer por ter sido um fantoche, um cobrador sem fraque, ou pelas aldrabices eleitorais, ou por ter saqueado o país para encher mamões. Desprezo-o, acima de tudo, porque é um sonso. Sabe bem o que mamou na Tecnoforma mais o Relvas, sabe bem o redondo ZERO que seria a pulhítica, e quer dar lições de sacrifício e de moral. Além de ter ajudado a branquear o anterior governo criminoso (o que, ironicamente, acabou por tirar-lhe o poleiro em 2015), a lata sonsa com que branqueia trafulhas e mamões é repugnante. A cereja no bolo: o elogio público ao Dias Loureiro. Foi nesse dia que o marquei de vez. Não tem perdão. Eis a verdade. Se discorda, é só indicar que mentira é que eu disse. Defeco de alto para os seus ad hominems.

          4. Como eu disse é professor convidado. Salário de catedrático? Acho pouco. Quanto ao resto, é a sua abalizada opinião de criterioso moralista.

          5. Só agora percebi que foi o Irritado a responder. Foi incaracteristicamente hostil, de tal forma que tresli o comentário seguinte assim: “Esclareço que o António Carvalho NÃO É o Irritado”. O lapso foi todo meu, v. não podia ter sido mais claro. Lemos o que queremos ler. Daí eu ter dito que defeco de alto, etc. Não era para si, pensei que respondia a outro António qualquer. Isto confirma a tese do filho/sobrinho: em vez de dar de ombros, porque “digo mal de todos”, sentiu a necessidade de atacar-me. Julgo que nunca lhe vi tal ferocidade. Mantenho o que disse, com uma excepção: Passos não foi administrador de empresas trafulhas; foi abridor de portas de empresas trafulhas. Foi assim que o empregador o descreveu. Passos é incapaz de administrar uma empresa. Foi apenas uma fachada, como quase tudo o resto. Não é um mafioso como o 44, mas é um medíocre que sempre viveu de contactos, de aparências, de estar no sítio certo. Tudo nele é pose. Em 20 anos passou de femeeiro estouvado, que nem os impostos pagava, a estadista escrupuloso. Tem uma voz razoável, a idade deu-lhe certo ar respeitável, o resto são lugares-comuns que ouve e repete. Lamento que não veja o óbvio. Mas não é preciso chatear-se comigo. Se quiser que o Passos seja o maior, tudo bem, é o maior.

          6. Caro Filipe, como ‘defeca’ tanto, pergunto: tem a boca perto do cú?

          7. Anónimo, nunca se esqueça: se v. não falar nem escrever o mundo nunca ficará a saber a trampa que tem na cabeça.

          8. Compreendo o filipe, mas tenho pena que tenha o sistema digestivo ao contrário.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *