A história do segredo de justiça em que estaria o número oficial de vítimas mortais do incêndio de Pedrógão não cabe na cabeça de ninguém. Não acredito que a PGR, de reconhecida competência, tivesse determinado tão gritantemente absurda coisa. Nem acredito que o governo, se tivesse um mínimo de respeito pelo cidadão, não pudesse divulgar tal número. E ainda acredito menos que o Expresso tivesse lançado a campanha dos números falsos sem alguma intenção escondida, ou sem prestar um serviço sabe-se lá a quem e porquê.
Nada disto é tão espantoso como se possa imaginar, dado o panorama “informativo” a que o governo nos sujeita e a habitual “competência” da chamada comunicação social.
O país, a somar aos incêndios, à monumental trapalhice em que foi submergido, às “bocas” contraditórias, umas em cima das outras, com que as várias instâncias oficias baralham as pessoas na ânsia de sacudir o fogo do capote, foi entretido com a mirífica história do segredo de justiça. Para disfarçar o quê? Para esconder o quê? O que se sabe, e talvez seja verdade, é que o chamado primeiro-ministro, apertado, telefonou à PGR, e que esta senhora o ajudou a secar as penas por ter andado a contar uma história sem pés nem cabeça.
Em matéria de verdades alternativas, estamos à la page. Somos os maiores, como diria o senhor de Belém.
26.7.17

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