Depois de auspicioso arranque (fórmula 1, aviões verticais, coisas várias), o autódromo do Estoril viu-se reduzido a treinos, festividades, brincadeiras e pouco mais. Por culpa de todos e de ninguém, nunca foi conseguida uma exploração que, além de rentável, cobrisse o gigantesco buraco que o investimento abriu. Se calhar porque não havia por cá quem soubesse promover a barulheira.
Daí, as maiores confusões, com a Câmara, a dona Pires da Silva e o seu rebento, o Turismo, o Estado, os bancos, o diabo a quatro, tudo à bulha. Até que, como não podia deixar de ser, o elefante branco foi “escriturado” numa das múltiplas empresas públicas que por aí vegetam a encanar a perna à rã. Não sei quantos episódios teve a novela, mas sei que foram muitos, sem que ninguém gorasse qualquer espécie de solução.
Até que… até que uma proeminente socialista, de sorriso tão pretensamente encantador como assaz desagradável, descobriu a pólvora, o milagre, a salvação da Pátria, isto é, do autódromo. Quem diria? Uma pianista fórmula 0,5.
Segundo é legítimo pensar com foros de derradeira verdade, dona Gabriela reuniu a equipa de juristas do Largo do Rato e encomendou-lhes um esquema infalível, claríssimo, incontrovertível. O Diário de Notícias, venerador e obrigado, publicou a maravilha com as devidas honras.
O indígena acredita tanto na solução apresentada como no sol da meia noite no Equador.
Adiante. A senhorinha é candidata à Câmara de Cascais e, sem o declarar, passou a comentadora desportivo-financeira, o que a levou, naturalmente, a tecer as mais rasgadas críticas ao responsável de tudo e mais alguma coisa, o seu adversário do PSD. Sim, meus senhores, entre os variadíssimos candidatos a culpados da situação (onde não constam os Judas, as Helenas, os Capuchos, os Rosas, os Dargents, etc.), o culpado eleito é o Carreiras, um tipo horrível a tentar esquemas fraudulentos, ilegais e outras coisas mais. Nem governos, nem privados, nem autarcas outros, ninguém: o Carreiras sozinho, portador e impulsionador de todos os males.
É o geringoncial critério em versão jurídico-rasca.
Mas, convenhamos no que é sabido, façamos justiça: em corridas de automóveis, Canavilhas não tem rival! Auguremos-lhe a tunda eleitoral que merece.
1.6.17

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