Como é sabido, os aiatolas têm uma polícia qualquer que se dedica a vigiar a moral dos cidadãos, verificando a sua conformidade como os mandamentos do Islão, no estrito respeito pela interpretação fundamentalista que deles faz o regime iraniano. Outros países há, da mesma zona do orbe, que se servem da força para fazer cumprir os ditames do que determinaram ser a moral, pública e privada.
O totalitarismo sempre foi assim. No caso iraniano, por razões religiosas, noutros por motivos ideológicos e políticos. A vigilância moral de terceiros é apanágio e hábito de regimes tarados e de políticas ou religiões bandidas.
Vem isto a propósito das arrancadas do Costa. O homem inventou uma coisa para fazer inveja aos aiatolas: a Comissão para a Prevenção da Corrupção (CPC). Tal CPC terá, para já, especial atenção para certas “áreas sensíveis”, as quais submeterá a “auditorias éticas”. Sic. Auditorias éticas!!! Auditorias éticas!!! A CPC não se limitará, como qualquer polícia, a investigar indícios graves de corrupção. A CPC vai julgar a moral de cada um antes que se dê alguma infracção à “ética” costo-fernandina.
O Irritado chama a atenção dos aiatolas para esta ideia genial e salvífica da CML. Talvez possam, usando a originalidade da Câmara de Lisboa, obviar ao adultério e à sodomia. Por cá, ainda não chegámos a tal. Mas já faltou mais. Se as “auditorias éticas” fizerem escola, vão ver o caminho que as coisas tomam.
António Borges de Carvalho

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