IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO POPULISMO SELECTIVO

 

A lata do nosso chamado primeiro-ministro deixou-me, hoje, mais uma vez, de boca aberta.

Saído de uma reunião qualquer, apareceu na televisão e, com democrática jactância, declarou-se preocupado com o populismo que alastra na Europa, os vilders, as lepenes e companhia, os perigos que representam, etc., blá blá blá. Daí, faz apelo aos “valores europeus que urge defender” e que por tal gente são combatidos. Muito bem.

Só que há uma “pequena” coisa que o orador se esquece de referir: é que é ele um dos mais lídimos adeptos de tal gente, uma vez que aliado, suportado e endeusado outros da mesma laia. Admitamos que não inclui, nos perigos de que fala, agremiações como o “Podemos” espanhol, os amantes do Tsipras e outros anti-europeístas como o PC nacional, o tenebroso BE e outras franjas ideológicas de que é parceiro. Substancialmente, que diferença fazem as tiradas nacionalistas, anti-europeias e protototalitárias da dona Marine das da dona Catarina, das outras esquerdoidas, das paragonas isolacionistas do Jerónimo ou da larga cópia de bestas políticas que o seguem? Nenhuma. Nem sequer são a outra face da mesma moeda. São a mesma moeda. Diferenças, só na terminologia. Ao que uns chamam “peuple”, outros chamam “trabalhadores”, ou “pessoas”. Mas o apelo, o sistema de pensamento, o pendor – ou intenção –  é o mesmo, os alvos sociais são os mesmos, a mentalidade, a demagogia ou, numa palavra, o populismo, é exactamente igual.

Costa, na sua face para inglês ver, é um anti-populista, um pensador “liberal”. Na prática é o protector, pior, o seguidor fiel dos populismos portugueses. Haverá, não sei, mais populismos de direita, ou ditos como tal, do que de esquerda. Diferença essa que, no fundo e à superfície, é zero. Por outras palavras, Costa engana lá fora, mas não pratica cá dentro o que proclama.

Com a vantagem, é certo, de haver, a começar pelo Presidente da República, quem nele acredite.

Uma vantagem que o torna mais perigoso que os vilders e as marines.

 

13.3.17



4 respostas a “DO POPULISMO SELECTIVO”

  1. O IRRITADO tem cá uma 'lata'!!!

  2. Li algures: Populismo é a nova palavra para Democracia. Tudo aquilo de que as “elites”, os media e os comentadeiros não gostam, é automaticamente populismo. Basta pensar um bocadinho para perceber que, se eles não gostam, é porque se calhar é bom para os restantes 95% da população. Obrigar os políticos a chular menos é populismo. Ameaçar a sua impunidade crónica é populismo. Atacar a mama dos mamões é populismo. Questionar o politicamente correcto é populismo. Etc. O que o Irritado também não vê – nunca verá – é que o público-alvo dos extremos é o mesmíssimo do seu caro Centrão. Claro: é o que ganha eleições! É a classe média, a média-baixa e os pobres. 95% da população. Ou conhece algum partido que faça campanha para milionários?

    1. Campanha para milionários? Olhe o Trump!Talvez não haja outros, mas conheço quem faça política para sociedades livres, não para dar cabo delas.

      1. Que tem o Trump? Apelou ao mesmo que a Clinton, o Centrão, o Hitler e todos os candidatos: ao cidadão comum, que tem de trabalhar. E se não tiver trabalho, vai votar em quem lho prometa. É realmente absurdo um bilionário trafulha ser visto como o “homem do povo”, mas foi a isto que a sua democracia representativa chegou: até um Trump é eleito. Porque a Hilária conseguia ser ainda pior.Lá como cá, a escolha é a do mal menor. Porque não há bom. Já nem há mau: só há muito mau e péssimo. A alternativa não é uma ditadura: é uma verdadeira democracia. Estes pulhas não representam ninguém.

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