IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


INJUSTIÇAS DE JARRETA

Aos doze anos, um tio levou-me a beber uma imperial, o que foi uma honra, uma experiência pouco agradável e um salto para uma nova idade. Aos quatorze, o meu pai ensinou-me a beber vinho, falou-me das qualidades do produto e dos perigos que representava. Anos depois, habituei-me a beber vinho às refeições. Aprendi mais com aquelas lições do que hoje se aprende com a publicidade que diz “beba com moderação”, um incentivo para experimentar o contrário. Daí que se chegue aos dezoito anos sem nenhuma defesa e se caia no exagero alcoólico com grande facilidade. Não digo que “antigamente é que era bom”, nem que não tenha apanhado os meu pifos, mas acho que havia uma “educação alcoólica” que se perdeu. A grande diferença é que, em tempos idos, o pifo acontecia, não era o objectivo final. Agora, os jovens não vão “dar uma volta”, vão “sair”, sendo que sair é ir, depois da meia noite, a sítios pouco recomendáveis, ruidosos e nada seguros, e deixar-se ficar por lá até já não se ter nas canetas. O objectivo da saída é o enfrascamento obrigatório. Um “avanço” civilizacional, europeizante, coisa de suecos e quejandos.

Faz-se estudos, estatísticas, pareceres, teorias, “ciência definitiva”, sobre tudo e mais alguma coisa, a influência do escaravelho da batata sobre os genes da drosófila melanogaster, dos rebuçados sobre o córtex cerebral da etnia Yazidi, coisas rebuscadas e altamente rendosas em termos de prémios e bolsas de estudo. Nada contra. O problema, as mais das vezes, são as certezas científico-sociais que daí se tira.

Os técnicos da bebedeira mostram-se muito preocupados com o facto, se é que é facto, de haver “dez mil jovens com dezoito anos que consomem álcool todos os dias”, sobretudo no Alentejo e no Algarve(!). Dez mil acho pouco. Então a rapaziada havia de almoçar um prego sem beber uma imperialzinha? E um copito de tinto ao jantar, proibido? Não é melhor isso que apanhar uma de besana caixão à cova todos os Sábados, bebendo trampas mais ou menos químicas nos outros dias?  

As conclusões dos estudos são inúmeras, tremendas, certeiras, avisadas e definitivas, cheias de gráficos e inquéritos.

Algo me diz que quanto mais tremendas mais bolsas de estudo. Injustiças de jarreta.

 

12.2.17



5 respostas a “INJUSTIÇAS DE JARRETA”

  1. Quanto a vícios – álcool, tabaco, droga – creio que o factor mais importante não mudou: o convívio com a malta da nossa idade, o que os ingleses chamam “peer pressure”. Mas tudo à volta mudou; e isso afecta também aquilo que se experimenta. No seu tempo havia incrivelmente menos informação a circular. Toda a vida acontecia no exterior, na relação com o mundo exterior. A minha geração foi a última assim. Tinha acesso a mais informação do que a sua, mas era parecida no essencial. Continuava a ter de experimentar as coisas para conhecê-las; e o mundo lá fora ainda parecia infinitamente grande. Daí a importância dos nossos pais e avós para nos ensinar sobre ele. Hoje, qualquer miúdo tem acesso a mil vezes mais. Paradoxalmente, para ele, o mundo encolheu. Do seu quarto, conhece gente no Alaska e no Japão. Anda aos tiros como os marines americanos. Vê mamocas e outras coisas. Ouve cem avisos por dia. Os pais dele, pelo contrário, quase desapareceram. Tem cada vez menos relação com o mundo exterior; e este tem cada vez menos interesse. Porque sente que já o viu e já o conhece. É por isso que tenta experiências mais extremas. Mais que o fascínio do fruto proibido, é o tédio de já se ter visto tudo. Creio que é isto. A experiência colectiva vai-se acumulando; como um adulto que já passou pela infância, cada nova geração tem acesso fácil e imediato a todo o passado, a tudo bom e mau. Mal nasceu e já viu tudo. Instintivamente, acelera: creio que continuará a acelerar, cada vez mais depressa. E tal como nas fotos tiradas em velocidade, tudo fica indefinido, esborratado. A ser filosófico, diria que é isso a existência moderna.

    1. Muito interessante, razoável e bem observado. Obrigado. Vou-me adaptando aos tempos, a prova é andar metido em bloguices. Tendo a achar que a evolução é mais má que boa, na medida em que em vez de nos abrir horizontes, nos isola dos que estão perto. Mas… sei lá!

    2. Perdão, mas o sr. é o mesmo Filipe Bastos a que, habitualmente, respondia? Se é, não parece. Outrossim, parece “alguém” mais evoluído …

  2. INJUSTIÇAS DE JARRETA, é este o tema do post.Pois bem, em tempos um denominado “DOUTOR ENFERMEIRO” (acérrimo acólito de um candidato à OE – Germano Couto) verteu uma “ameaça” no seu post, que mereceu severa resposta sua.Agora, na TVI, estou a ouvir uma reportagem sobre a Ordem dos Enfermeiros. Aconselho a que oiça tal reportagem sobre as ilegalidades cometidas pela Bastonária Rita Cavaco. Nesta sequência foram “auditados” (leia ouvidos) anteriores Bastonários Augusta Sousa e Germano Couto. Sobre estas “figuras”, é consabido que a primeira pertence ao PCP e o segundo, militante do PSD (porque não conseguiu dentro do PSD o que queria, apoiou o candidato do PS à Câmara do Porto – Manuel Pizarro)!Porque será que agora aparece esta reportagem? Será por “JUSTIÇAS DE JARRETA”?

    1. Não percebo lá muito bem o seu comentário, mas tem todo o direito de o fazer.

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