Irritadíssimo, o Irritado acaba de mandar ao Exmº Senhor José António Lima, mui ilustre Director-adjunto do jornal “Sol”, a seguinte mensagem electrónica, que faz pública, por pública dever ser:
Exmº Senhor Director Adjunto
Uma vez que, nem o seu chefe, nem o seu subdirector Senhor Ramires, por compreensíveis razões, informam os clientes do seu endereço electrónico, venho, respeitosamente, solicitar-lhe que se dê ao incómodo de informar o dito Senhor Ramires do seguinte:
a) O Senhor Ramires refere, entre aspas, na página 6 do jornal de 6.1.08, que Fernando Pessoa, em "Mensagem" (Segunda parte, "Mar Português", "Possessio Maris", "O Infante"), dizia: "Deus quer, o homem sonha, a obra avança". O que o Poeta escreveu foi "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
b) Ao contrário do que, entre aspas, o Senhor Ramires refere na página 6 do jornal de 6.1.08, Fernando Pessoa, no mesmo poema, jamais escreveu "É a hora!". A expressão é o verso final de "Mensagem", ínsita no poema "Nevoeiro", quinto e último da Terceira Parte ("O Encoberto").
Admite-se que, por eventual maldição geracional, o Senhor Ramires se lembre de coisas que já esqueceu, ou nunca leu. Mais difícil é aceitar que o sub-director de um jornal tão ufano de si próprio como o "Sol" demonstre tão ignara falta de conhecimentos básicos, e, sobretudo, se atreva a colocar entre aspas, como se ao Poeta atribuíveis, coisas de que (mal) se lembrará de ter ouvido falar.
Atrevo-me a sugerir que V. Exª sugira ao seu subordinado que, com o devido e público destaque, peça desculpa ao Poeta pelas malfeitorias da sua ignorância.
Com os melhores cumprimentos
António Borges de Carvalho
A ver vamos, no próximo Sábado, o que faz o Senhor Ramires.
ABC

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