O camarada Sanchez olhou para o Oeste e viu a oportunidade da sua vida. Portugal era a prova provada de que não é preciso ganhar eleições para subir ao poder. Viu o triunfo do Costa, viu como se põe no poleiro, não um, mas todos os que as perderam, e como se defenestra os que as ganharam. Percebeu que isso de vontade popular é uma treta se comparada com contas parlamentares, moral e politicamente ilegítimas mas burocraticamente praticáveis. Se, em Portugal, os partidos comunistas eram capazes, a troco do poder, de pôr de lado as suas propagandeadas convicções, porque não havia ele de conseguir que o jagodes do rabo de cavalo se esquecesse da Catalunha e de outros chavões eleitorais?
Assim, provocou duas eleições legislativas, e estava disposto a provocar terceiras. Que interessava que o PP subisse, e ele descesse? Que importava que os espanhóis, como os portugueses, apontassem nas urnas um rumo que, uma vez posto de pernas para o ar, o pudesse levar à Moncloa? Nada. Se Costa “ganhou”, porque não havia ele de fazer o mesmo, com os mesmos métodos?
Enganou-se num pormenor, que distinguirá o que resta do PSOE dos seus hermanos da Lusitânia. É que, por cá, a honra democrática do PS foi substituída pelo oportunismo, o respeito pela vontade popular, salvo tímidas excepções, foi para o cesto dos papéis. No PSOE, pelo contrário, parece que houve quem preferisse ser sério e não aparasse os golpes do Sanchosta. Os antigos líderes revoltaram-se e vieram dizê-lo na praça pública. Por cá, atente-se no silêncio do Sampaio, no entusiasmo do Ferro, ex-líderes, teoricamente democráticos, mas praticamente pró-radicais de esquerda. Atente-se na honradez de uns e na miséria moral de outros.
Sanchez caíu. Não se sabe o que se seguirá. De uma coisa podemos estar certos: se houver eleições, o PP ganhará outra vez, os outros perderão, como de costume. Se não houver, é possível que, sem o Sanchosta, o PSOE tome juízo.
2.10.16

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