IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ESTADO DA NAÇÃO

 

Afinal, estamos no melhor dos mundos. Está tudo a correr pelo melhor, o orçamento nos varais, a malta satisfeita, o governo, o presidente, o parlamento, tudo de acordo, não há manifestações, nem greves e, não fora o inimigo (a UE) e alguns pequenos problemas de pormenor, estaríamos no paraíso! Quem isto disse, por entusiásticas palavras, é conhecido como primeiro-ministro de Portugal.

É verdade que está tudo a correr pelo melhor para as clientelas do governo. Os outros, que interessa os outros? É verdade que o chamado governo, o parlamento (PS/PC/BE) e o presidente estão todos de acordo. É verdade que o orçamento está nos varais. Que interessa que o Estado deva dinheiro a toda a gente, que não cumpra as senteças do Tribunal Constitucional que imponham despesa, que assobie para o ar quando lhe lembram tais factos?  Que interessa isso? Nada, pormenores, manobras antipatrióticas. É verdade que não tem havido greves (o pormenor dos estivadores foi magistralmente negociado!) nem manifestações. Pois não, quem faz greves e manifestações são os clientes do Estado, que estão satisfeitos com as suas impagáveis prebendas. O bigodes dos professores manda na educação, o Arménio nos outros. Os demais (os que produzem) não têm esses hábitos: trabalham e vão vivendo. Que importam?

Estamos perante as habituais verdades do chamado governo. E estamos também perante a grande aliança protofascista e nacionalista vigorosamente declarada pela dona Catarina que, de sociedade com as Lepenes deste mundo, declara guerra ao inimigo externo, como é costume de todos os fascismos, à esquerda e à direita.

Dois apontamentos me restam sobre o que vi do debate do estado da Nação. Primeiro, o abismo de dignidade e postura do chamado primeiro-ministro e do chefe da oposição: um parlapatão popularucho face a face com um Senhor. Segundo, a prestação de um fanático, vindo dos Açores para abandalhar o parlamento com um discurso que, de tão reles, nem Ramalho saberia classificar. A baixeza a presidir a um partido que já foi decentezinho.

E uma pergunta: como pode o homem dos afectos ter a ilusão de ser possível haver consensos, compromissos, ou seja o que for com gente desta?

 

8.7.16



4 respostas a “ESTADO DA NAÇÃO”

  1. “Cimeira das Lajes”, Tony Blair,…, não lhe recorda nada?

    1. assim de repente, faz-me recordar goldman sachs.

  2. Avatar de Seguramente Poucochinho
    Seguramente Poucochinho

    Quando afirma o seguinte: “o abismo de dignidade e postura do chamado primeiro-ministro e do chefe da oposição: um parlapatão popularucho face a face com um Senhor”, está a referir-se aos debates entre Passos Coelho e José Seguro?

  3. Artigo de hoje no Guardian: os políticos são todos iguais?https://www.theguardian.com/commentisfree/2016/jul/10/david-mitchell-are-all-politicians-alike-perish-the-thoughtAo contrário de cá, em que 99% dos comentários são inanidades ou obscenidades, nestes jornais é por vezes enriquecedor ler os comentários. Alguns geram trocas mais interessantes que os artigos. — Um leitor argumenta que os ingleses pelo menos elegem os políticos ingleses, mas não controlam os da UE. Dá o exemplo: o que podem fazer sobre Bruxelas, ou sobre o governo da Itália? Nada.— Responde outro: eu (ele) também não posso fazer nada sobre o governo da Inglaterra. Não votei nele. Não me pergunta nada. Não posso substituí-lo ou mandá-lo embora. É-me tão estranho e alheio como o governo da Itália. O nosso chefe de estado (inglês) nem sequer é eleito. A nossa upper house (Câmara dos Lordes) idem, e a Commons (Câmara dos Comuns) é eleita por um sistema democraticamente ineficaz. Nenhum deles me representa.Qual a grande diferença para a UE?— Responde outro: a questão é que nós elegemos o nosso governo. Isso pelo menos é algum controlo.— E outro: sim, claro. Uma vez a cada cinco anos, e isto se tivermos a sorte de viver num círculo eleitoral onde o nosso voto tenha algum peso. Se isso é “controlo”, eu sou o Jean-Claude Junker.Como vê, Irritado, não sou só eu: as pessoas vão acordando para a farsa partidocrática, para esta “democracia representativa” da treta… E o Mordomo Burroso na Goldman? Não merece post?

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