Com a retoma da sua presença na AR, os antigos capitães vieram, imponentes e convencidos, proclamar a sua noção de democracia constitucional, isto é que a democracia ou é de esquerda ou não é democracia. Se gerar governos não de esquerda, quer dizer, que lhes não de agradem, não é democracia. Só há povo soberano, ou parlamento que tal nome mereça, se escolher ou gerar governos de esquerda. Um exemplo para nós e para o mundo, não é? Não é, mas devia ser. O exemplo de que, se ainda houvesse por cá democracia digna desse nome, este núcleo de coronéis de aviário jamais seria convidado para uma cerimónia dita para comemorar a democracia. Quem se exclui uma vez, devia ser excluído de todas.
Já agora, uma homenagem a Salgueiro Maia. É que, consumadas as coisas, voltou ao quartel.
E os outros? Quantos destes senhores ganharam os galões a trabalhar? Em que unidades militares prestaram serviço depois do 25? Aqui está uma estatística que os chamados “jornalistas” devem à Nação.
As noções democráticas desta malta foram, aliás, bem expressas e sublinhadas por essoutra grande figura do actual poder, um tal César, um tipo dos Açores. Afirmou ele, qual Vasco Gonçalves ou qual Silva Pais, que quem não está com o governo está contra o país: assim, dito e escrito. “A oposição ao PS é oposição ao país”. Quem não for amigo da geringonça é traidor à Pátria.
E ainda há quem estranhe que uma senhora tenha dito que esta gente cheira ao pior do salazarismo!
Eis o regresso do Tarrafal sob novas vestes!
26.4.16

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