IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


BLACKOUT

 

Há uns quatro dias sem televisão, não me tenho dado mal. Uma sensação inesperada, nem boa nem má, uma espécie de indiferença. Talvez isto prove que podemos viver sem ela (a TV), se calhar melhor que com essa intrusa a que abrimos a porta e nos faz reféns.

Adiante. A estas horas, vejo, sem som, na tasca onde janto, Marcelo a desdobrar-se em televisivas considerações sobre o nobre e almejado cargo presidencial. Como tenho a noção do ridículo e sou monárquico, é-me quase indiferente o que Marcelo diga. Já se sabe. Marcelo deixará bem demonstrada a sua independência. É capaz de tudo, até – entre outros defeitos – de ser independente. Detesto tipos independentes, isto é, fulanos que têm a mania que são mais que os outros, como é o caso dos presidentes desta triste república, dos pretendentes também. Pairam acima da plebe, mesmo se foi a plebe que, por maioria, os pôs lá, ou lá os vai pôr.

Neste particular, as minhas homenagens ao Marcelo. Quando se declara independente, é sincero. Eu é que não acho que a independência seja uma qualidade. Perder a cara, ou, por conveniência, deitá-la fora, não é uma qualidade.

Os outros, ao contrário de Marcelo, quando clamam independência mentem com quantos dentes têm na boca. O Sampaio da Nóvoa, primário e palavroso esquerdoide a dizer-se independente, só se estiver a gozar connosco. A Marisa, balofa e patareca, a dizer que é de todos, só se for por piada de mau gosto. O caceteiro despadrado do PC, independente? Mesmo que quisesse (não quer), o politburo não deixava. A dona Maria Roseira? Acabadinha de ser presidente do PS, dizer-se independente?

Por quem são, ó gentes, mostrem o que são, deixem-se de independências aldrabonas. Eu sei que o cargo a que se candidatam é uma triste originalidade desta III República. Mas, que diabo, um mínimo de respeito pela malta não lhes ficava nada mal.

 

Posto isto (estou sem televisão, mas compro uns jornais), interessante é olhar as primeiras páginas do DN e do Público, que são as que aqui tenho. Nas duas, fotos parangonais: o Costa numa, a Marine noutra. Ocorre-me um pensamento iconoclasta.

Serão parecidos? Serão sinal do mesmo fenómeno? No fundo, serão a mesma coisa? Uma diferença: ela vem subindo aos poucos, mas não lhe passa pela cabeça chegar ao poleiro sem votos; ele foi descendo aos poucos, mas isso de votos, para ele, é conversa fiada. Dona Marine é um perigo, como já era o papá. Costa não era, mas passou a ser quando prestou vassalagem ao Jerónimo e às tontas.

Os efeitos da crise, o fim anunciado e inevitável da social-democracia, a indústria chinesa a substituir a europeia, a globalização, têm efeitos com expressões diversas, mas a mesma raiz. Em França, com a Marine, os efeitos têm um sinal, na Grécia, com o Tripas, sinal oposto. Mas, como diria o grande filósofo Hieronimus Pirescoxensis, são farinha do mesmo saco.

Em Portugal dá-se o mesmo, só que sem votos. Uma especificidade lusitana que, inevitavelmente, dará os seus frutos…

 

Nota: não tenho internet, como não tenho TV. O post vai sair com dois dias de atraso. Que perda para a humanidade!

 

7.12.15



Uma resposta a “BLACKOUT”

  1. Perdão, mas é ao contrário do que diz: só uma pessoa independente, isto é, uma pessoa isenta, tem cara.Quem é parcial, quem é dependente, é que prescinde da cara. Passa a usar a cara do partido, do clube, da ideologia, da religião, ou do que for. E a sua cara passa a confundir-se com a de todas as pessoas que fazem o mesmo.Claro que no caso do Prof. Martelo, a “independência” chama-se sede de poleiro (e tacho). Tenta agradar a todos. Eu vejo o maniqueísmo esquerda-direita assim. Uns dizem: o mundo só lá vai à colherada. Outros dizem: não senhor, só vai à garfada. Uns e outros, por teimosia ou estupidez, não admitem os seus próprios falhanços.E é por isso que uns vão comendo esparguete à colher, e outros tentando comer a sopa com garfo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *