Aqui há tempos, a procuradora Morgado dizia, na televisão, que a prisão domiciliária outra coisa não é senão prisão, só que em local diverso do habitual. De uma forma geral, não sou seguidor do pensamento da dita senhora. Desta feita, porém, estou de acordo. Prisão, preventiva ou não, em casa ou no presídio, é prisão e acabou-se.
Cheguei ao ponto de escrever umas coisas sobre o inacreditável problema do voto do senhor Pinto de Sousa. O senhor Pinto de Sousa é um preso como outro qualquer, isto na minha sincera opinião e da não sincera opinião do senhor Costa. Deveria por isso, se tem direito de voto, o que se lhe não nega, seguir os procedimentos dos demais detidos, isto é, votar onde eles votam: na prisão. Se era complicado montar uma mesa de voto lá em casa, então que votasse num presídio qualquer.
O problema é que, contra a minha opinião e a do camarada Costa, parece que o senhor Pinto de Sousa está acima do comum dos mortais. Vai votar, como eu ou você, na mesa de voto da freguesia, que não sei onde é nem me interessa saber. Mas sei, a) que o senhor Pinto de Sousa, que está preso, vai votar como se não estivesse e b) que vai votar em total liberdade, sem vigilância policial.
Conclusão: o senhor Pinto de Sousa é mais que os outros, e com aval da Justiça. Perceba quem quiser. Eu não.
2.10.15

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