IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ESTADO E ARRAIAL

No primeiro debate, dada a postura demasido calma do PM e a fúria atacante do Costa, concluiu-se por aí, com efeito de bola de neve, que este tinha ganho. Não terá sido a minha conclusão, e a de muita outra gente, mas é sabido que quem faz as vitórias e as derrotas são os media e os “analistas”. Que se lixe.

Desta feita, julgo que, antes de mais, é de sublinhar a abissal diferença em relação aos profissionais em campo. O primeiro debate irritou o mais calmo por causa dos três indivíduos que foram para lá, apostados em exibir-se com perguntas estúpidas e considerações a despropósito. Hoje, sendo também três, um exagero, não se exibiram nem interromperam sem nenhuma razão. Parabéns. Gente decente, o que, no meio, é uma raridade.

De resto, fiquei de rastos, por causa dos “números”. Explico. Nos seus malabarismos meio apalhaçados, Costa faz jus à mentalidade do seu partido e ao socratismo nela imperante, isto é, quando os números vêm de entidade externa e são maus para o governo, tal entidade merece toda a credibilidade e os parâmetros que usa para os seus relatórios são adequados e conformes às boas práticas. Quando podem motivar alguma alegria ao governo e ao país, então a entidade está errada, ou é desonesta, está “feita”, ou ainda, serve-se de critérios errados. Neste caso, os documentos não devem ser tidos em conta.

Em matéria de números, Passos Coelho tem muito para apresentar, números não dele mas de inúmeras instâncias independentes. Costa não liga. Para ele, números são os dos cálculos mirabolantes do Centeno &Cª, com ovos no trazeiro da galinha e previsões destrambelhadas; já foram várias vezes emendados pelos próprios, o que nos ajuda a ajuizar da sua credibilidade. Costa agita-os, sem nada de concreto. Chegado ao concreto, por desafio de Passos, meteu os pés pelas mãos e não foi capaz de adiantar fosse o que fosse. Fora do debate, depois de conversa com o Centeno, já cá fora, lá veio tentar emendar a mão. Tarde piaste.

Resumindo, foi a postura de Estado de um político sólido em frente da de um pantomineiro de arraial.

Parece que, desta vez, talvez haja algum jornalista, ou “analista”, que reconheça a retumbante vitória de Passos Coelho. Mas não se iludam. Esta noite, lá virá, na SIC Notícias, o irrecuperável Lopes (Marques), cognominado de “cabeça de porco” por comentadores dest blog, dizer cobras e lagartos do PM. E, no mesmo canal, teremos o Coelho (Jorge) e o Pereira (Pacheco) a fazer mais um trabalhinho. É assim a vida. Paciência.

 

17.9.15



10 respostas a “ESTADO E ARRAIAL”

  1. Carlos Abreu Amorim (que é feito dele?) escreveu em 2010 no Jornal de Noticias:1- Temos um Governo que já não governa e uma Oposição que desistiu de o ser. Portugal está condenado a uma branda ditadura de “mesmice”, carecida de ideias renovadas, sem alternativas credíveis nem soluções para os problemas em que este regime se emaranhou. Os portugueses resignaram-se a pagar os erros sistemáticos dos seus políticos, sempre repisados apesar de nos terem arrastado para os últimos lugares de entre os países com os quais gostamos de nos comparar.Sócrates e Passos Coelho rivalizam entre si para saber qual dos dois consegue quebrar as suas promessas políticas no mais curto espaço de tempo. O primeiro- -ministro, convenhamos, leva um grande avanço – já abandonou tudo o que antes defendia como indispensável para acabar com a crise… em nome da solução para essa mesma crise. Passos Coelho, por seu turno, atingiu um recorde capaz de o fazer aspirar ao “Guinness Book”: escaqueirou o seu principal compromisso – não admitir uma subida de impostos – antes mesmo de ter chegado ao Governo e apenas um mês após ter sido consagrado como líder do PSD!Os políticos portugueses tinham-nos habituado a estilhaçar as suas juras eleitorais mal ascendiam ao poder. Passos Coelho antecipou-se – fê-lo, ainda, enquanto Oposição, em jeito de ejaculação politicamente precoce, deixando-nos perceber que já está demasiado enlaçado nos defeitos e vícios do regime para o conseguir “Mudar”.Depois pediu desculpas por ter acordado com Sócrates as medidas que tinha assegurado nunca consentir. O gesto não é comum e tem sido elogiado. Mas não pelos socialistas – Francisco Assis, por exemplo, disse que só pede desculpas quem está obrigado a retirar-se da vida política. Já se suspeitava de que se tratava de uma corrente de opinião bastante popular no PS. Assis nem sequer pediu ou exigiu desculpas pelo gamanço dos gravadores dos jornalistas da revista “Sábado” protagonizado por Ricardo Rodrigues – até elogiou aquela conduta tão sintomática dos políticos que temos como se fosse um paradigma de democracia em acção…Mas se as desculpas de Passos Coelho revelam alguém que ainda tem consciência, também deixam um lastro de preocupação: é que se trata da segunda vez que o faz num estreito intervalo temporal. Primeiro, foi aquele acto falhado em Mafra com Alberto João Jardim; agora, Passos Coelho regressa à senda do “perdoa-me”, embora, nesta ocasião, de um modo mais geral e abstracto. Seria melhor que o líder do PSD usasse um pouco mais de cuidado em evitar motivos de desculpas em vez de estar a implorá-las depois de ter feito o que não devia.2. O que motivou o acordo PS-PSD foi o esforço do regime em deixar tudo como está, até ver. O PS não quer sair do Governo porque sabe que pagará bem caro, nas urnas, os seus constantes ziguezagues e tropeções. Cavaco Silva, ofuscado com a sua reeleição, teria o pior cenário possível: a queda do Governo e eventuais eleições ainda antes das suas queridas Presidenciais. O poder financeiro, aclimatado às negociatas com o Estado, também prefere que tudo fique na mesma.Só o PSD me surpreendeu. Passos Coelho atacou Ferreira Leite por esta ter deixado passar o Orçamento e o PEC I – agora, é ele próprio que viabiliza um PEC II ainda mais opressivo, igualando-se, afinal, a um longo e fastidioso catálogo de líderes laranjas para quem a palavra dada aos simpatizantes vale menos do que um estado de alma.Passos Coelho teve medo. Percebeu que se não desse agora a mão a Sócrates seria forçado a substituí-lo – e este PSD parece estar aterrado com a possibilidade de governar durante a tempestade que nos atinge. Por isso, preferiu esperar pela bonança, por uma conjuntura mais auspiciosa. Todavia, em política como na vida, a escolha do momento nunca é exacta nem previsível. Aliás, os melhores políticos são os que agarram o instante que todos juram não ser o ideal. Ao contrário, a história está cheia de homens que passaram à história enquanto esperavam pelas circunstâncias mais adequadas para nela ficarem. Passos Coelho, temo bem, ainda não decidiu a qual dos grupos pertence.

    1. Comentário patético (If I were you I’d create my own Blog)

      1. Avatar de teu "progenitor"
        teu "progenitor"

        em tempos não muito remotos, um emigrante era considerado parolo por falar franciú. Aliás, já Eça de Queiroz falava sobre tal saloiice!

        1. CM ao minuto: Laughing Out Loud”Cadela ciumenta luta pela atenção do dono”

  2. No geral de acordo, mas… «foi a postura de Estado de um político sólido»? «retumbante vitória»? Precisava mesmo de meter estes chavões no final, a trair qualquer ilusão de equilíbrio e imparcialidade?Sim, bem sei que é parcial; mas podem cá vir leitores que ainda não o saibam. Assim ficam logo desenganados…P.S. Atenção ao «trazeiro».

    1. De acordo com o trazeiro. tenho enormes dificuldades com os zês.

  3. O tal dos estudos e das contas bem feitas que apoiam os “compromissos”. Não sabia afinal explicar as contas de uma das principais bandeiras de campanha… E não sabia tão simplesmente porque não faz a mínima ideia de como vai aplicar uma medida destas associada a outras igualmente “estapafúrdias” (ex: desvio dos fundos da segurança social para reabilitação urbana) colocam em causa a sustentabilidade da Segurança Social. Assim ficou claro, senão era já, que as tais contas feitas são afinal um embuste e que estarão realizadas de maneira a dar aquilo que em determinada altura mais convém…

    1. “…afinal um embuste”! Bem dito. Na verdade foi assim que Passos Coelho ganhou as ultimas legislativas. O embuste será para continuar?

    2. Toda a razão. Se alguém ler o “documento” dos génios do PS (único argumento do Costa, que, se leu, não percebeu) põe as mãos na cabeça. Alguns dos meus comentadores também ainda não perceberam.

      1. Avatar de aposentado, militante PSD
        aposentado, militante PSD

        Eu também ainda não percebi, porque ainda ninguém explicou, a questão do corte de 600 milhões. Quer-me parecer que vem um (Passos Coelho) diz MATA; vem outro (Costa) diz ESFOLA.Como não entendo nenhum (não acredito), não VOTAREI. Se decidir votar, parece-me que o melhor será BE ou PCP

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