E depois
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do dia de amanhã
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chega ontem
E então fomos presente
António Sampaio da Nóvoa
13 Agosto 2015
Como poderia eu, pobre e ignaro apreciador de monumentos culturais, deixar passar em claro este magnífico poema, gentilmente oferecido pelo autor aos gentis jornalistas do “Expresso” que lhe foram dar uma ajudinha na sua mui nobre caminhada para a okupação do Palácio Real de Belém? Não podia. Se Camões e Pessoa já deram, na tumba, sinais de inveja, como poderia eu calar a avassaladora admiração que sinto por esta demonstração da mais alta cultura, deste domínio da língua, desta clareza de conceitos, desta perfeição formal e substancial? Não podia.
Temos homem. Um homem aflito, é certo, com a dona Maria da Laca a atirar-se-lhe às canelas, mas um homem que, com uma sinceridade luminosa, nos diz que a sua candidatura “não é de esquerda”, assim confessando que a sua presença constante em jantares, congressos e outras liturgias do PS, do BE, dos tipos do MFA radicalzófilo, nas festividades do folclore soarista e de tutti quanti da esquerda, afinal não passou de mero engano ou de cabala dos seus inimigos.
Obrigado, ó Nóvoa, pela tua mestria poética, pela tua sinceridade política, pelo cristal luminoso do teu pensamento!
No meio deste tão merecido panegírico, ia-me esquecendo de um facto importantíssimo, a merecer destaque. Imagine-se a ternura: ao homem, que foi educado catolicamente mas que se afastou da Igreja, alguém, diz ele, ofereceu um terço. Comovido e quem sabe se cheio de angústia metafísica, Nóvoa passou a ter sempre o terço no bolso. Admire-se mais este tão sincero gesto de aproximação a conservadores católicos, com certeza a provar que, ao contrário do que afirma certa gente, não tem compromissos com a esquerda radical, a esquerda militar, ou os tugues de PS. Admirável, meus amigos, admirável!
15.7.15

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