Quem, vindo de outro planeta, ouvir o Falhoufakis e o Tripas, concluirá que há umas dezenas de bandidos que os perseguem e que estão apostados em acabar com o euro e com a UE. Nada do que se passa tem a ver com eles, inocentinhos que são, só com a maldade dos outros.
Nem um nem outro fala dos problemas que criaram e continuam a criar: só nas consequências que haverá para os demais caso não comam a refeição estragada que lhes querem dar. Ou seja, todos os países da União (não é só a dona Ângela, não é só o senhor Renzi, TODOS) , mais a Comissão, o Conselho, o FMI, o BCE, não há um que queira enfiar o barrete grego. Orgulhosamente, isto é sacanamente, o Falhoufakis e o Tripas, à falta de melhor, intensificam a chantagem. Ele foi a “aproximação” à Rússia, o apoio aos separatistas da Ucrânia, a aceitação sem crítica da anexação da Crimeia, as ameaças, veladas e expressas e, agora, o fim do euro, o fim da UE, isto é, o redobrar da chantagem com a história do grexit.
Ou dobram a espinha ou partimos a loiça. Ou pagam ou lixam-se, são os “argumentos” dos macacões.
Inspirados na sua própria demagogia, fingem que ainda não perceberam que a soberania já não é o que era, que assinaram os tratados, que se meteram em grandezas, em trafulhices, em manigâncias contabilísticas, que falharam redondamente os planos do primeiro resgate por incumprimento e fuga em frente, que enganaram os gregos com promessas ideológicas sem sentido nem viabilidade, que devem o que devem e não querem pagar.
Perceberam tudo. Em desespero culposo ou jactância balofa, resta-lhes intensificar a chantagem. E é com gente desta que um continente inteiro anda a “negociar”!
Nota: a “argumentação” grega é hoje repetida no DN pelo ilustríssimo patriota e entusiástico europeiista Mário Soares. Lógico, ainda que não patriótico nem europeiista.
9.6.15

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