IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA OBRA SOCIAL DA REPÚBLICA

É sabido que, a fim de “proteger” o povo e fomentar a “igualdade”, a I República decidiu impedir os aumentos das rendas do imobiliário.

A II República fez o mesmo, correcto e aumentado.

O resultado está à vista: cidades miseráveis, bairros históricos em ruínas, gente mal instalada, patrimónios familiares e individuais nos braços da mais primária especulação, etc..

Durante a III República foram tomadas algumas tímidas medidas para remendar a questão. Depois, com a morte dos antigos arrendatários (a morte propicia a mais irremediável igualdade) e o novo regime de prazos contratuais, lá se foi assistindo a alguma reabilitação urbana, ainda que conseguida, não pelo Estado, que tinha sido o grande beneficiário do congelamento, mas pelos proprietários que, por mor da lei republicana, tinham, no passivo obrigatório, décadas de “obra social”. O actual governo alargou a liberdade contratual, ainda que, simultaneamente, tenha criado mais um impensável sistema burocrático-fiscal destinado a mitigar o exercício de tal liberdade, tanto por senhorios como por inquilinos. Enfim, do mal o menos.

Entretanto, por exemplo, a CML socialista lançou uma série de “medidas” ou “programas” de “reabilitação urbana” dirigidos, com algumas vantagens, não a ser aproveitados pelos senhorios que a lei arruinara, mas a benefício dos especuladores, que vêm em tais coisas, aliás legitimamente, uma boa hipótese de investimento.

Com a putativa vitória (xiça, tarrenego, desgraça!) do senhor Costa em eleições legislativas, e segundo as suas promessas, voltaremos pelo menos uns trinta anos atrás. O homem propõe-se ressuscitar a “obra social dos senhorios”, herança dos seus avós da I República e daquilo a que soe chamar-se fascismo, ou seja, da II República. As rendas passarão a depender da conservação dos imóveis, sendo as obras necessárias encargo dos proprietários, encargo não considerado despesa em termos fiscais, isto é, exponenciado em entre 20 e 45% em sede de IRS! Além disso, o Estado, não os contratantes, passa a determinar o valor das rendas! E mais alguns mimos de que não valerá a pena falar.

É assim que o socialismo primário, dito democrático e republicano, encara a justiça social, a liberdade económica, a “igualdade”, a reabilitação urbana e outras bandeiras do nacional-propagandismo.

Resta esperar que os mui dignos sucessores do jacobinismo, do maçoneirismo e, acima de tudo, do pintodessousismo, levem com os pés nas eleições. Ou que, caso as ganhem (xiça, tarrenego, desgraça!), façam a estas promessas o mesmo que farão às outras. Ainda que, no caso, seja de pensar que as cumprem, já que têm quem lhas pague, directamente – os senhorios-, e indirectamente – o resto da sociedade, inquilinos incluídos.

 

31.5.15



5 respostas a “DA OBRA SOCIAL DA REPÚBLICA”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    A partir do momento em que se considera a especulação «legítima», o resto fica algo comprometido…Claro que a conservação do imóvel deve ser considerada em termos fiscais. Mas será que no mundo ideal do Irritado os senhorios devem aumentar as rendas o quanto queiram, sem gastar um chavo no imóvel?Ou seja, a visão do proprietário enquanto senhor feudal: isto é meu, mereço uma renda perpétua por isto, quem cá vive tem de pagar a horas e manter tudo a funcionar. Eu só cá estou para receber – cada vez mais!E obrigações, teria algumas?

    1. Nem se põe a questão de se saber se o caro Filipe Bastos é inquilino ou não ou talvez adepto da mais rasca política populista (nem me interessa saber) mas lá que deu uma resposta típica de inquilino mau pagador ou candidato a político reles que ainda tem a lata de demonizar o senhorio… lá isso deu! Em todo o lado onde existam pessoas civilizadas, responsáveis e interessadas em bons negócios as rendas são dadas primeiro pelo mercado e logo depois por negociação particular entre senhorios e potenciais inquilinos tendo em conta diversos factores que incluem, como deveria ser óbvio para toda a gente, o estado de conservação dos imóveis. Nenhum inquilino quererá manter-se num imóvel em mau estado ou futuro inquilino arrendar um imóvel em mau estado se puder optar por outro que tenha boas condições de habitabilidade e que propicie melhor qualidade de vida… logo, para se destacar da concorrência, é de todo o interesse de qualquer senhorio manter o seu imóvel em boas condições tanto para manter satisfeitos actuais inquilinos (que a qualquer momento podem e saem mesmo do imóvel sem respeito pelos prazos ditados pela lei e eventuais indemnizações) como para chamar a atenção e despertar o interesse de qualquer potencial inquilino para um imóvel desocupado. Esse tipo de discurso tão popular em certo tipo de pessoas com vista a manipular a sociedade em geral a favor de inquilinos coitadinhos que estão a ser explorados e contra os senhorios chamando-os de senhores feudais que só querem receber rendas perpétuas sem mexer uma palha é um autêntico insulto tanto a inquilinos como a senhorios.

      1. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        Nos tempos em que fui inquilino, e sou-o ainda no escritório, não tenho razão de queixa dos senhorios. Claro que também sempre paguei a horas. Lembro-me de um ou outro contrato mais prepotente, mas no fim sempre foram correctos.Não é uma questão pessoal, nem de ressentimento, é uma questão de princípio.Percebo a sua resposta, porque respondo de maneira parecida quando demonizam os patrões mauzões. Mas admito que HÁ empresários que são grandíssimos chulos e/ou trafulhas. E não são poucos… além dos mamões que exploram mão-de-obra barata.O caro Olhameste, artista dos nicknames, também admitirá que nem todos os senhorios são santos?P.S. O termo “populista” é hoje usado para branquear mil e uma situações injustas: critica-se a chulice dos pulhíticos, subvenções mamonas, etc.? Populismo! As regalias obscenas dos chulecos do TC? Populismo! A mama da Banca? Populismo! A podridão dos partidos? Populismo! E um longo etc. Faria bem em evitar esse termo – a menos que queira ser confundido com tal canalha.

    2. Nem uma pitada de razão, caro FB. Quando alguém oferece uma oportunidade, quem a aproveita está no seu legítimo direito.Por outro lado, está redondamente enganado em relação às relações senhorio inquilino. As rendas sobem ou descem segundo a mútua vontade dos contratante. Aliás, a liberdade contratual tem feito descer as rendas, apesar da vigente brutalidade fiscal…

      1. Seja bem aparecido, há muito que não intervinha. Quanto à especulação, mantenho: está a justificar algo indefensável. Fugir aos impostos via offshores também é uma «oportunidade». Ou acumular tachos, ou usar cargos para proveito pessoal, ou pagar uns tostões a escravos do outro lado do mundo. O mundo está cheio dessas “oportunidades”, e, como se diz, quem não tem vergonha todo o mundo é seu.Já quanto aos senhorios, dou-lhe razão: se este mercado se auto-regula melhor do que outros, então exagerei.

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