Nesta história dos media pouco há que possa espantar o indígena. Devo confessar que me julgava preparado para tudo. Eis senão quando, o chamado serviço público de televisão, via canal 2, me dá uma espantosa bofetada.
Num programa “cultural”, dirigido por uma intelectual desconhecida, cheia de sorrisos e ademanes, a nossa inteligência é enriquecida, ou embrutecida, pela presença de duas personalidades, essas nossas conhecidas: nada mais nada menos que dona Maria Antónia Pala e o já famoso, mas ainda não tanto como é “preciso”, senhor Nóvoa. E esta, hem?
A idosa senhora foi dizendo umas coisas mais ou menos inócuas, umas recordações, um bocadinho a lembrar a dona Maria de Jesus mas sem surpresa nem história de especial. Estava ali, evidentemente, prestar um serviço ao seu filho (António Costa), o que, como mãe, se compreende. Que serviço? O de colaborar na promoção do Nóvoa, evidentemente.
Não por acaso, o tema da conversa era a “liberdade”. A liberdade, como é evidente, na sua qualidade de assunto “cultural”. Nada de política: uma jornalista com currículo e um académico “independente”.
Este tratou de explicar aos indígenas o que é a “liberdade”. A sua paixão. Uma coisa de que a “austeridade dá cabo”. A austeridade não é mais que uma “estratégia” para a destruir. Estão a ver? Temos medo, não somos livres. Nóvoa, coitadinho, vive “controlado pelo medo”. A liberdade é uma coisa que se impõe dentro de nós quando chegamos a um momento da nossa vida em que sentimos que temos que a construir com os outros e para os outros uma coisa “colectiva” que exige que nos expunhamos, para bem da liberdade dos demais, um momento em que nos “inscrevemos no colectivo”, em que temos que defender “uma causa maior”. Um serviço. Estão a ver?
Fiquemos por aqui. Para quê sublinhar mais o carácter interesseiro destes nobres e novo(a)s conceitos?
Importante é ver como a campanha se desenvolve por todos os lados, até com estes pouco subliminares “comícios “. O Costa, que não apoia o Nóvoa – ai não que não apoia! – e poucas vezes o viu – ai não que não viu – ou lhe falou –ai não que não falou -, encarrega a mãezinha de servir de “pivô” às suas aberrantes teorias e ambições políticas.
A RTP, “serviço” público, dá guarida “cultural” a esta propaganda. Vejam, ou serão cegos mentais, como a RTP usa a liberdade que este governo teve a originalidade de lhe dar.
15.4.15

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